A Gaiola

24/09/2013

thecage

Escrevi, há uns dois meses, e preguei no meu quadro de recados a principal pergunta que existe, e todo dia, desde então, olho para a pergunta. O intuito não é apenas olhar, é também refletir.

Qual é o seu projeto de vida?

Pesada, tal pergunta.

Os últimos dois anos, desde que voltei pra São Paulo, tento vencer os meus próprios questionamentos, insistindo num modelo em que a maioria das pessoas daqui (e qualquer outro lugar) segue, o qual apelidei de “Projeto Gaiola”.

Uma das maiores sacanagens que considero é alguém “cuidar” de passarinhos em gaiolas. Fazem isso, talvez, porque não perceberam que vivem dentro de grandes gaiolas e assim querem que outros animais sigam o mesmo modelo de vida.

A Gaiola consiste, basicamente, em entrar num círculo vicioso com vários subprojetos onde o ponto de partida é sempre o mesmo: a insatisfação.

A insatisfação pode ser vista de diversos ângulos, mas vou destacar o lado positivo: a busca por melhorar. É benéfico o sentimento da insatisfação positiva de, todo dia, querer algo novo: uma roupa nova, um celular novo, um carro novo, um imóvel novo. É uma forma de lutar e realizar vitórias.

No entanto, é perigoso esse sentimento porque a conquista momentânea é apenas um anestésico aos indivíduos que aderiram ao Projeto Gaiola. O prazer, com o passar do tempo, perde eficácia e, em pouco tempo, existirão novas roupas, novos telefones e novos carros.  E, de repente, o seu apartamento ficou pequeno porque sua sala ficou pequena… porque sua televisão aumentou de tamanho.

Porque na sua cozinha ficou pequena: lá tem novos utensílios, panelas elétricas, cafeteira de cartucho, churrasqueiras elétricas, máquina de pão, descascadores, “mixer”, George Foreman, Máquina de suco para nove tipos de frutas, sendo que, para cada fruta, utiliza-se um acessório diferente.

Porque seu armário ficou pequeno:  novas camisas, novos vestidos, novas cores, novas estampas, novos casacos, tênis de corrida, tênis de montanha, sapato, sandália, rasteira, salto alto, médio, baixo, sapatênis, roupa da academia, roupa de ficar em casa, roupa de trabalho, roupa de trabalho às sextas-feira, roupa de sábado de sol, roupa de friozinho, friozão, chuvinha, chuvão, calorzinho, calorzão.

Em resumo, novas necessidades!

O mundo está mais dinâmico, as pessoas estão mais aceleradas, mais conectadas, mais informadas. A mente é mais rápida que os olhos e que as mãos, e o que você segura hoje não será o que você vai desejar amanhã. É aí que surge a primeira frustração, causando insatisfação.

Troca-se!

Para que você não desacelere, para que você continue alimentando sua própria insatisfação, ficou mais fácil trocar tudo. Roupa, carro, emprego, telefone, cidade, casa, amigos, marido.

E tudo isso atingiu essa velocidade de desejos porque está mais fácil se endividar. Quando alguém termina de quitar um bem, tal pessoa sente a obrigação de contrair novas prestações. É como se a conta bancária não permitisse sobrar um dinheiro. Se sobrar, não é feliz.

E ainda tem muita gente que nem espera quitar, já vai atrás de um novo celular, um novo carro, uma nova casa, tudo para anestesiar a insatisfação.  Refinanciamento, e resolve-se tudo.

Não digo para as pessoas se acomodarem com o que tem. Não é isso! O que quero, em resumo, é refletir sobre o Projeto de Vida e ajudar a a responder tal pergunta, então fui atrás de uma palavra: “Necessidade”

Será que é necessário eu me enforcar em prestações para estar satisfeito? Será que é realmente necessário atualizar meus bens? Será que é Necessário precisar de algo ou de alguém para atingir a felicidade?

Na minha opinião, seria muito injusto (sacanagem mesmo!) estabelecer condições para a felicidade. Condicionar a alegria, a satisfação, impor critérios, regulamentar condições, regras, limites para ser feliz.

Porém, entrar nesse carrossel para querer melhorar a gaiola é o propósito mais aceito para justificar a felicidade. A sociedade está condicionada à esse modelo de vida, que gira no mesmo sentido sobre os mesmos trilhos, mudando apenas os bens e pessoas, mantendo as mesmas sensações, mesmas angústias e mesmas frustrações.

O sonho pode parecer diferente aos olhos, mas o que movimentou aquele pensamento são os mesmos sentimentos de outrora.

Seu projeto de vida pode não ser uma gaiola, mas sim um viveiro, lindo, confortável, com churrasqueira na varanda e piscina aquecida.  Mas  é bom lembrar que todo viveiro sempre será gaiola.

São gaiolas e carrosséis espalhados e empilhados por toda cidade, e para sair de mecanismo de vida não precisa rasgar tudo, não precisa vender tudo, sair da cidade, largar tudo, comprar uma kombi e virar hippie, chutar o balde, mandar chefe para “aquele lugar”, etc.

Para sair do Projeto Gaiola, basta identificar as próprias necessidades, olhando para dentro, para o coração. Tem muita gente que está fora da Gaiola, mesmo vivendo na caótica São Paulo. Viver livre independe de locais caóticos ou praias paradisíacas.  Sua mente pode estar presa em qualquer lugar.

A solução, veja bem, não é trocar de gaiola.

O desafio começa pela auto-avaliação do modelo de vida que decidiu seguir. É analisar as influências do consumismo desenfreado, a real necessidade de novos comprometimentos da renda por objetos, imóveis, bens, serviços que não são realmente necessários.

É saber dizer não. Ou sim, onde a prática do desapego é o exercício a ser realizado.

De forma resumida, A Gaiola é o limite do seu vôo. Limite da sua mente.  Não ter gaiola, definitivamente, é o maior desafio da vida, já que ela foi montada dentro das pessoas, porém, cabe somente à você a manutenção do modelo de vida que te traz mais felicidade.

Afinal, qual é o seu projeto de vida?

Marcio Vieira

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Síndrome de Superman

12/08/2011

Eu sofro da Síndrome de Superman, não num nível extremo, mas sofro. Conheço muita gente que sofre da mesma síndrome. Não é uma doença, propriamente dita, mas são características psicológicas extremamente peculiares que envolve o núcleo de todas as ações na vida do portador, ou seja, a síndrome altera o fluxo de pensamento, as razões, sentidos e propósitos de cada ato.

Desconheço a origem dos sintomas, mas ela atinge um maior grupo de indivíduos das classes média e alta, pessoas que tiveram determinadas oportunidades na sociedade, bom estudo, formação, enfim, receberam um considerável investimento cultural que a maioria da população global não recebeu, e é nesse período, do desenvolvimento da consciência, que se começa a manifestação da síndrome em virtude da facilidade empática e de comparação que tais pessoas têm.

A Síndrome de Superman ataca pessoas que questionam as diferenças sociais e, por entenderem que são privilegiadas, acabam sentindo algum tipo de culpa quando comparam suas oportunidades em relação à maioria da sociedade, e assim acabam nutrindo um sentimento de não merecimento, visto que, na maioria dos casos, apenas “nasceram” em tal família, não construíram nada que faz jus para estudar em escolas particulares, faculdades, aprender idiomas, cursos diversos, viajar, sair, enfim, ter uma vida com mais possibilidades.

A expansão da consciência, muito em razão de tais investimentos culturais que a família proporcionou, pode ser maléfica naquele perfil de indivíduos que têm como ponto forte o questionamento, desse modo, inúmeros deles, num sentimento de frustração e mal estar, direcionam suas carreiras profissionais, seus propósitos de vida, suas opiniões, seu consumo, de forma contínua na busca pelo merecimento, e assim desenvolvem vontades ultradimensionadas para justificar seu nascimento, seu pertencimento a tal determinada família e condição social.

Muitos portadores iniciam atividades de desapego à tais condições socioeconômicas por culpa, perpetuando uma busca ideológica, muitas vezes utópica, criando, num paralelo, outra vida, geralmente em outra cidade, outro país, para tentar se distanciar e renunciando o padrão social de sua origem para buscar a justificativa pela vida, desejando, de alguma forma, pagar um pedágio com um sofrimento que compense todas as condições que recebeu de seus pais.

A Síndrome de Superman ataca o lado existencial do ser humano, e tais portadores desenvolvem sentimentos de abnegação, sacrifício, muitos se tornam depressivos quando se deparam e se comparam com pessoas com menos oportunidades e condições, transparecendo, pela culpa, uma das características mais bonitas, a de gratidão, que embora escondida, salta aos olhos pelo desenvolvimento de uma consciência profunda, ampla e externalizada.

Com isso, muitos portadores acabam buscando atividades sociais, profissões e atividades voluntárias que envolvem questões sociais e ambientais, querem trabalhar para ajudar o mundo, acabar com a fome, erradicar a miséria, possibilitar estudo dos pobres, fomentar emprego e inclusão social, proteger crianças carentes, mulheres, buscar a justiça social, racial, proteger florestas, levar saúde, nutrição, desenvolvimento socioeconômico para lugares remotos e esquecidos, pacificar o mundo, enfim, querem ser o Superman!

É apaixonante conhecer pessoas assim, que inflam desejos de querer contribuir com o mundo, pessoas que se doam pela humanidade, mas um ponto muito crucial e frágil é o motivador de todo esse movimento existencial. Se tais vontades de super-herói são porque se sentem, de alguma forma, não merecedores, e por isso resolvem se abdicar do passado, daquilo que suas famílias construíram, acredito que o fluxo de ações está invertido e é preciso mudar a correnteza desse rio de pensamentos, acabar com esses sentimentos negativos quase que masoquistas que fizeram optar por tais carreiras de Superman, de salvadores do planeta.

Não precisa se sentir culpado, não precisa se recriminar, se maltratar, sofrer, tornar-se um mártir, porque existe a miséria, as doenças e a fome no mundo, sendo que você sempre teve um colchão, roupas e livros. Se você nasceu numa família que te possibilitou estudos e boas oportunidades, sinta-se grato como você sempre se sentiu, essa é sua característica, mas não faça dessa gratidão uma dívida.

Desejar bens, desejar consumir, desejar conhecer, viajar, não são pecados. Vocês já desenvolveram uma consciência coletiva rara. Querer sofrer para justificar seu nascimento e dar sentido à sua vida não é uma coisa legal de se fazer. Vocês, portadores do superheroísmo enrustido, são pessoas excepcionais, com um coração gigantesco e que sofrem com o que acontece no mundo, mas não queiram abraçar tal mundo, não queiram  carregar tudo e todos nas costas, senão você vai cair porque ninguém consegue suportar.

O idealismo é, em cabeças mais questionadoras, prejudicial para um convívio social. Fazer o bem é delicioso, mas entenda que não existe sustentabilidade. Sua existência, de alguma forma, agride a natureza, é inevitável a sua pegada, e tais ações neutralizadoras e compensatórias são extremamente importantes para o futuro do planeta, mas que o processo de ampliação da consciência não desestimule sua ambição, ou nem torne um Superman.

Tal herói, é ficção. Não se cobre tanto, aceite o que você é e de onde você veio, sem culpas.

Marcio Vieira


Balança comercial favorável

28/10/2010

Inspirado no balanço do último trimestre da Vale publicado nesta semana, resolvi fazer o meu balanço, oras. Não são cifrões que acumulei nesses dois meses que acabo de completar, mas há sim um grande lucro, um saldo extremamente positivo.

Por mais desprendida que seja a pessoa, todos têm uma corrente, uma corda, amarrando os pés à sua origem ou passado recente. Ela faz a ligação com a memória, é a ligação com bons momentos de alegria, e também de tristeza, e que te liga para fazer reflexões sobre as decisões tomadas.

Mudar de vida não é fácil, mas também não é nenhum bicho de sete cabeças. Sempre disse, aos que me chamavam de corajoso, que “corajosos são os que passam a vida inteira fazendo as mesmas coisas, mesmo trabalho, mesma casa, e que não arriscam sabores e sensações novas com medo de uma possível derrota ou decepção”.

Essa coragem de passar a vida inteira trabalhando com dúvidas sobre o que escolheu, sob estresse, se desgastando, para no final dela (nem sempre) somar patrimônios e algumas viagens quando aposentado, sinceramente, estou fora.

Falo, também, em tom de brincadeira (mas com uma verdade implícita), que a sociedade inverteu a ordem da vida. Aposentado tem que ser quando é jovem, quando tem saúde, para correr, vibrar, sonhar, viajar, dormir em barraca e em rodoviária. Aposentado tem que ser jovem para vivenciar, transpirar realizações e frustrações. Deve-se aproveitar a vida quanto há saúde para mergulhar fundo e escalar arranha-céus. Depois, no final quando velho, perceberá que qualquer trabalho, qualquer emprego, é o suficiente para se satisfazer, pois sua bagagem, sua experiência, ninguém e nenhuma doença irá apagar.

Por isso brinco, digo que sou bon vivant, pois deve-se aproveitar a vida quando se tem, propriamente, a vida. Deve-se dar o valor ao suor em algo que realmente significa para você. Um amigo espanhol, Juan, me disse algo que nunca esquecerei: “Não tenho medo de ser pobre, afinal, nunca fui rico.”

É por isso que incentivo pessoas à mudança, incentivo em viajar, incentivo em mudar de profissão, casa, cidade, etc. Se não der certo, não esquente a cabeça, afinal, você seguiu seus sonhos, que é algo que poucos fazem, acredite. A dificuldade fortalece.

E, sob essa perspectiva, decidi uma mudança para a Suíça. Não conhecia ninguém na cidade, no país, não falo o idioma, não tinha conhecidos nem casa para ficar. Decidi porque é aqui que estão alguns antigos sonhos, os quais resolvi tirar da gaveta e arriscar: ter a oportunidade de estudar e trabalhar dentro de organizações que defendem causas humanitárias, ambientais, e que defendem um mundo internacionalista, sem fronteiras separando ricos dos pobres, brancos dos negros, etnias, religiões, opções sexuais, etc.

Não escolhi um país, escolhi um objetivo. Se fosse o Camboja, Belize ou Somália o país com tais organizações, iria dar um jeito de ir pra lá porque é isso que quero tentar.

Se vou conseguir ou não é outra questão longe ainda de uma resposta pois dois meses não são nada. Se vou aguentar morar num quarto sem janela que só o relógio me orienta saber se é dia ou noite, se vou aguentar a saudade dos sobrinhos, da família, dos amigos, se vou aguentar o frio da Europa e frieza dos europeus, se vou aguentar minha alimentação de sobrevivência, etc. e tal, isso tudo ainda não sei.  Mas vim pra tentar.

O relógio, por enquanto, caminha em marcha lenta, onde a falta de atividades estimula reflexões. Alguns dias me pego com nuvens pensativas rondando minha cabeça, mas que em nenhum momento causaram arrependimento das minhas decisões.

Assim, nos gráficos deste bimestre, minha balança comercial apresenta um superavit enriquecedor, de altíssimo lucro. A minha Bolsa de Mercados e Futuros registra recorde em valorização de títulos futuros, pois sei que toda essa experiência e os muitos sacrifícios passados serão benéficos para mim lá na frente. Mas, se der qualquer problema nessa trajetória, se uma crise mundial estourar, eu tenho uma boa bagagem que ninguém me tira.

Com 28 anos eu não tenho um puto no bolso, mas posso contar, ao menos, histórias para os meus sobrinhos. São escolhas, não sei se fiz as certas ou erradas, mas escolhi com a melhor das intenções.

Àqueles que focam dinheiro em primeiro lugar, para depois viver, eis um conselho: não relacionem sonhos com dinheiro. Eles não percorrem a mesma estrada. Dinheiro traz satisfação, felicidade é muito além disso.

Não incentivo rasgarem seus ternos, seus diplomas e venderem seus carros. O que incentivo é dar importância ao que realmente desejam na vida. Para todo o resto, dá-se um jeito.

Tempere sua vida sem esquentar a cabeça.

Marcio Vieira


I-phode com a vida

07/10/2010

Há tempos penso em escrever algo sobre os efeitos da tecnologia na vida. Até que ponto ela oferece mais benefícios que prejuízos? Até que ponto ela é saudável?

Desde que cheguei na Suíça, minha primeira percepção é de uma população feliz… mas isolada. Não entendo nada dos critérios de avaliação que usam para elaboração do ranking de melhores cidades para se viver, há anos, Zurique e Genebra frequentam listas das dez melhores cidades do mundo.

São felizes porque a Suíça permite, dá condições de ter uma vida boa, com salário mínimo digno, férias, estudos acessíveis, transporte eficaz, segurança e saúde. De fato, motivos não faltam para o país ter níveis altíssimos de qualidade, mas a questão é: os prejuízos do excesso de qualidade.

É bom ter condições de comprar de tudo, mas é muito pior comprar sem precisar usar, ou sem saber usar. E, em se tratando de produtos eletrônicos, os prejuízos do mau uso são devastadores na vida de uma pessoa.

Durante as últimas semanas, fiz uma estimativa: de cada dez pessoas que entram diariamente nos trens e ônibus de Genebra, 4 estão com fones no ouvido. O pior é entre jovens (aparência entre 16 e 30 anos): de cada dez que vejo, 7 ou 8 estão “isolados” à sua música.

À sua música, ao seu mundo, jovens de hoje perdem a chance de desfrutar daquilo que seus pais lutaram um dia: a liberdade!, em troca do individualismo infinito fornecido pela internet. A grande rede permitiu aos jovens do mundo todo encontrar suas respectivas “tribos”, estilos distintos de música, de roupas, de aparência e de referência.

E a indústria eletrônica acompanhou isso. Acredito que o primeiro pontapé disso tudo foi o saudoso Walkman, da Sony, para escutar seus k-7 em qualquer lugar.

 

O pioneiro

 

No final dos anos 80, ser portátil era o que faltava. Mas, depois de vinte anos de uma chuva de lançamentos, novos produtos, novas tecnologias e novas dependências, vivenciamos uma vida estranha e artificial.

Criam-se todos os anos novas necessidades desnecessárias: celulares ultra modernos “all in one” são as coqueluches da vida high-tech. A cada dia, a principal função de um celular, que é telefonar, perde eficácia diante dos novos apelos consumistas: TV digital, acesso à internet, e-mail, blog, facebook, msn, mp3, mp4, mp18, 20 gigas, 50 gigas, video-conferência, Ipod,  Imac, Iphone, Iphode!

Tudo isso é legal ter, mas cuidado com a dependência que traz. Em excesso, faz mal. Tudo tem seu momento de uso. Existem momentos sociáveis do dia, como transporte público onde há oportunidade de conhecer gente nova, dar bom dia, receber bom dia, conversar, etc., mas o consumo exagerado de produtos e o isolamento que isso traz causa, também, isolamento às outras pessoas “offline” da modernidade.

Mais alguns anos, é capaz de você conversar com a pessoa do seu lado via torpedo. Vai dar  desespero no dia que você esquecer seu celular em casa, vai achar que seu dia será uma tragédia. Calma, isso é só uma algema eletrônica: a vida é muito além de seus contatos do msn e dos amigos do orkut.

E esse isolamento não é só aqui na Europa. Em Hong Kong a coisa é bem pior, e toda população asiática é completamente fechada no mundo cibernético. Nova Iorque, quem não abrir a caixa de e-mails via blackberry em pleno  horário de almoço não será eleito o funcionário do mês.

E no Brasil não será diferente, pois só precisam duas coisas: o povo ter condições de comprar (o que já está acontecendo) e a diminuição do risco de roubo, que vai diminuir, não por eficácia da segurança pública, e sim pela avalanche de produtos: todo mundo estará plugado, o que dificultará o ladrão saber qual é um original e qual é chinês mequetrefe.

Toda essa tecnologia trouxe dependências e novas horas de trabalho, de atenção. Mas o dia mantém com 24 horas, então, recomendo buscar um equilíbrio entre a vida real e a vida eletrônica.

Do contrário, repetindo a bíblica história de Adão, Eva e o fruto proibido, Steve Jobs e cia. vão I-phoder com sua vida.

 

A vida artificial de um mundo que Iphode