João Grilo também vota

14/10/2014

joaogrilo

A paciência, ela já foi embora faz tempo. E a próxima etapa é perder o respeito, e é exatamente isso que está acontecendo nos últimos meses por causa das eleições, principalmente porque o peso do voto é igual, independe da classe social, origem, cor… o que infelizmente causa uma ira em muita gente.

O Fla-Flu eleitoral continua, e ambos os lados estão munidos da mais poderosa arma: a tecnologia. Esta que permite eu, você e todo mundo escrever, ler, ouvir, de praticamente todos os cantos do mundo.

Alguns lugares continuam inatingíveis. É que os programas assistenciais iniciaram há pouco tempo, e famílias que passaram décadas sem eletricidade, só agora conseguiram crédito para financiar a primeira geladeira e a primeira televisão. O computador, para poder conversar conosco e discutirmos sobre o “Bolsa-Esmola” ou o “Bolsa-Vagabundo”, a maioria ainda não têm.

– Mas aonde está a meritocracia?, muitos me questionam, ao mesmo tempo que abrem a geladeira duplex de alumínio escovado para pegar uma Stella Artois trincando de gelada. Após degustar a cerveja belga, abrem algum dispositivo, o Macbook, o Ipad, o Iphone ou qualquer outro objeto de desejo com o logotipo da maça mordida para publicar aberrações, como esta:

nordestinos

Qual a necessidade de tamanho preconceito? Qual a dificuldade em ler sobre o quanto o nordeste se desenvolveu nos últimos dez anos? Deve ser muito sacrificante tentar se informar sobre como era e como está a vida do nordestino, sobre as escolas técnicas que foram criadas na região, que permitiram o nordestino em não precisar vir para “Sumpaulo” tentar a vida.

O incrível é que são pessoas que vão para Europa e Estados Unidos com frequência, e em algum momento dentro dessas viagens podem ter sofrido algum tipo de desrespeito e preconceito por ser o latino, mas mesmo assim descontam sua “superioridade” contra os nordestinos, eternamente prejulgados como um bando de pessoas como Chicó e João Grilo, retirantes motorizados por jegues.

É preciso se informar antes de rechear de fezes a sua coxinha. Seu ódio não me convence! Eu fico muito feliz ao saber que João Grilo também vota e, ao menos nisso, somos iguais.

O acesso as redes sociais permite uma burguesia desinformada ofender milhões de pessoas. O perigoso é que, quanto mais inverdades são ditas exaustivamente por mais e mais pessoas, outros começam a acreditar. Pergunto ao paulista doente:  é ciúme por ser preterido pelas necessidades dos mais pobres, toda essa sua raiva?

Se o seu voto é decidido pelas cretinices publicadas e pelo repúdio aos nordestinos, ou pelo repúdio à programas assistenciais, seja feliz dentro de sua redoma de vidros blindados, e depois me conte como foi o êxtase de comprar uma Prada em Miami. Certamente você gozou horrores.

Enquanto isso, tem gente que só quer dignidade. O Bolsa Família fomentou a microeconomia (algo que você nunca precisou conhecer), permitindo que uma pequena quantia circulasse nas camadas mais pobres da população. O resultado disso foi que o mercadinho do Zé começou a vender mais Dolly, daí o Zé comprou parcelado nas Casas Bahia um freezer maior e contratou um entregador, que no começo ia de bicicleta, mas agora ele conseguiu financiar uma Honda Biz, e não está nem aí se são 70 meses para pagar.

É impossível uma família viver unicamente com Bolsa Família. Já que existe uma preguiça para pesquisar sobre os assistidos dos programas, recomendo muito a ler qualquer artigo ou livro de Muhammad Yunus, vencedor Nobel de Economia, que fala justamente sobre o Microcrédito e os efeitos dele em toda economia, atingindo inclusive você.

Agora, se o seu voto é influenciado pela corrupção e má gestão, o ideal é separar o fanatismo eleitoral que causa cegueira para refletir sobre a falta de credibilidade dos candidatos, já que não há  transparência em nenhum dos dois lados sobreviventes, afinal, Privataria Tucana, Mensalão Mineiro, Metrô Paulista, Helicóptero do Pó não são dignos de confiança.

Ambos não me representam. Essa briga ideológica na internet é deprimente, já que as atuais alianças políticas de ambos os partidos provam que não há, de nenhum lado, coerência. No fundo, a luta não é para nos representar: a disputa sempre será pelo poder.

Sobre os programas assistenciais, iniciado com FHC e muito melhorado com Lula, irão continuar porque é um dinheiro que não prejudica em nada a qualidade do asfalto para sua SUV blindada, nem fará você se misturar com as pessoas que moram da ponte pra lá, ou pessoas do lado de lá do cordão do trio elétrico.

Sua pulserinha Vip “Dazelite”, seja azul ou vermelha, está assegurada, e você continuará com sua cerveja importada. A falta de água não parece preocupação para vocês, afinal, existe desodorante que segura a onda por 48horas! Meu único receio é faltar Dolly.

Marcio Vieira

 

Anúncios

Vermelha de Raiva

10/10/2012

Seu jornal com termos preconceituosos, “antipetista”, ao invés de simplesmente PSDB e PT

Você que for este texto, sinto muito em lhe dizer, mas ele não é endereçado para você. Não me leve a mal, mas é que você não precisa perder seu precioso tempo lendo algo que provavelmente você não vai concordar, então é melhor parar por aqui.

Afinal, você que acessa diariamente redes sociais, tanto pelo seu laptop como pelo telefone celular, você que assina revistas semanais de péssima qualidade, e que tem em sua confortável estação de trabalho climatizada às margens de uma vistosa avenida paulistana, sinto muito, mas esse texto não é para você.

Este texto vai para quem acorda pelo menos duas horas antes de você, que está no mínimo duas vezes mais distante da famigerada avenida. Este texto vai para quem é responsável pelo mágica que limpou sua mesa e que você não faz ideia qual rosto e qual nome possui, pois faz isso na madrugada.

Este texto também vai para as pessoas que, quando trabalham mesmo horário que o seu, não tem livre acesso as mesmas informações que você recebe. É que o trabalho dessas pessoas, normalmente, não são em frente de um computador, muito menos tem cadeira giratória regulável. O trabalho delas é vestindo macacão sujo de graxa ou com um uniforme da terceirizada.

Serve esta mensagem para aquela senhora que pede licença para retirar os papéis do seu cesto de lixo debaixo da sua mesa. Serve para aquele rapaz que você vê todos os dias ao lado da catraca aonde você passa o crachá, mas nunca falou nada mais aprofundado que um “Hoje é Coringão!”

Este texto serve para aquele cara que passa a madrugada escutando radinho de pilha para esquecer a solidão, e abrindo portão da garagem do seu prédio. Ou para o entregador de pizza, fazendo hora extra depois de 8 horas arriscando a vida para facilitar sua vida e entregar suas coisas com mais rapidez.

E tantas outras pessoas que, embora hoje tenham mais de 70 milhões de brasileiros conectados na internet, a imensa maioria entra bem a noite, quando chega do trabalho, ou quando chega da aula daquela faculdade mixuruca que você tanto reclama da existência, raramente vão ter saco para procurar algo mais conceituado para se informar na internet.

São pessoas criadas no ritmo vida loka, tá ligado? E que, apesar de tudo, estão suaves, bem diferente de você, que adora reclamar da merda do trânsito, mas que necessita sentir-se vivo nas redes sociais, e para isso vale tudo, até comentar repetitivamente sobre o tempo.

Você que tem acesso à este blog e, mesmo com avisos insistiu em continuar a leitura, precisa entender uma coisa fundamental das eleições: você é minoria.

Você que vai em rodízio de comida japonesa é minoria, você que leva 1 hora de trânsito para chegar ao trabalho, é minoria também. Você que tem a possibilidade de viajar de avião com frequência, de ir em baladas, de comprar iphone e outros produtos da maçã mordida, é minoria.

Você que reclama que está lotado o Parque do Ibirapuera aos domingos de sol, você é minoria. Pois a maioria está feliz, lá, e está cagando para seu nojinho com o pobre. Você que reclama de rodovias congestionadas, você é minoria, pois a maioria vai ficar sem viajar, e vai curtir o Shopping Interlagos ou Center Norte lotado, pegar uma fila de 15 minutos no McDonald’s e, depois disso, sorrir.

E o espantoso de tudo é que o centro rico e poderoso de São Paulo não consegue entender que suas necessidades não menores, afinal, sua vida em Moema, Pinheiros e Jardins é sempre uma maravilha, apesar do pedinte no farol e do medo de assalto.

A maioria mora longe de você, nos arredores, basta ver os mapas coloridos publicados após a eleição. É a periferia, mano! Amontoados, vivem espremidos, mas que na hora de votar, o peso dele é igual ao seu, e daí não vale reclamar.

E não adianta reclamar em conversas nos bares de happy hour ou, principalmente, com comentários preconceituosos no twitter e facebook. Expor a opinião é algo livre na sociedade, mas recomendo valorizar sua própria inteligência, afinal, quem foi pra Miami e Paris foi você, que deveria compreender que você é o historicamente privilegiado.

Só que acontece que você é a minoria que acha lindo incendiarem uma favela em pontos nobres, afinal, não é você que nasceu nela, e que das pessoas dela, o máximo que você sente é ignorância e medo.

É preciso entender que a maioria está cansada de uma política elitista, com seus eleitores, incrédulos, xenófobos, preconceituosos com pobre, com preto, com nordestino, com favelado, que vão votar por quem acredita que, no mínimo, darão mais dignidade.

Pobre quer espaço pra respirar. Fique tranquilo que ele não vai entrar na balada da Vila Olímpia. Fique tranquilo que ele não quer conhecer o Shopping JK. O Pobre, a maioria, só quer espaço para viver, e está cansado de políticos que ignoram a periferia, vermelha de raiva.

Eu sou do mesmo lugar de você, leitor. Eu sou da minoria, porém, eu tenho a consciência que São Paulo precisa priorizar a maioria, que está no subúrbio, na periferia. Dane-se se serão anos ruins para o lado azul. Meus problemas não passam de um asfalto esburacado, de uma calçada suja, da falta de um semáforo.

O problema da maioria é ter medo de enchente, de incêndio, de ter ônibus perto (lotado ou não, o importante é ter), de ter escola pública perto, etc.

Afinal, qual o tamanho da sua prioridade?

Marcio Vieira


Verde não é transparente

25/10/2010

"Não sejamos neutros", Elie Wiesel

Semana passada tive a oportunidade de assistir uma palestra de Elie Wiesel, Nobel da Paz em 1986. A palestra na Universidade de Genebra contava também com José Manuel Durão Barroso, ex-presidente de Portugal, e ambos falaram sobre Direitos Humanos.

O ponto que mais me chamou atenção foi a crítica que o escritor romeno fez à tradicional neutralidade da Suíça com relação às guerras, invasões, e destruições que marcaram toda Europa no último século.

Ele disse que, quando o objetivo é a paz e o desenvolvimento por uma igualdade social, não se deve ficar calado ao ver mortes, ao ver crimes, ao ver desrespeito às leis e desrespeito ao próprio ser humano.

Logo após o evento, criei um paralelo com a decisão do Partido Verde no segundo turno das eleições presidenciais, que divulgou sua independência em relação aos presidenciáveis.

20 milhões querem mudança

Marina Silva conquistou quase vinte milhões de eleitores, cerca de 1/5 do total. É muita gente que acredita numa terceira via diante dessa incoerente polarização partidária que vive o Brasil nos últimos anos. É muita gente que acredita que o Brasil pode avançar mais com pessoas engajadas e atualizadas. É muita gente que está de saco cheio de tantos escândalos e corrupções.

A impunidade desestimula eleitores, e a obrigatoriedade do voto dá mais forças ao continuísmo da sujeira que se formou em Planaltos, Palácios e Poderes.

Mensalões do PT e DEM, compra de votos para reeleição, dinheiro na cueca, propinas em privatizações, hidrelétrica mal projetada, pedágios, empresa do filho do presidente, absolvição de Renan Calheiros, os 40 petistas, Sudam/Sudene, etc etc etc…

Foram dezesseis anos de incontáveis escândalos que resultaram em nada: Genuíno, Palocci, Eduardo Jorge, Zé Dirceu, Renan Calheiros, e outras dezenas de políticos continuam saboreando suas pizzas, enquanto a população, apática, pouco reclama.

E são em momentos de crise que realmente transparece a índole de cada indivíduo. A debandada de alguns ex-petistas como Marina Silva e Eloísa Helena mostrou que caráter não se compra. Mercadante, se mantivesse sua posição de sair do PT quando estourou a crise no partido, estaria nesse seleto rol de honestos, mas sua covardia e seus escusos interesses mostraram que também faz parte da velha corja de políticos.

Dois ciclos de oito anos repletos de corrupção se passaram, e cá estamos, faltando poucas semanas para decidir qual fantoche será empossado. Se a luz verde diante de tanta lama não foi suficiente para este ano, sua decisão de independência foi aquém das expectativas.

Calar-se  é, de certa forma, abaixar a cabeça para a gravidade de ter dois partidos com comprovadas administrações corruptas que tomarão conta de centenas de bilhões de reais nos próximos anos.  E nisso, a lúcida mente de Plínio de Arruda Sampaio foi mais convicta que o Partido Verde ao dizer que vai anular o voto. É a forma que ele encontrou de mostrar toda sua insatisfação e raiva com o atual sistema político brasileiro.

Ao invés de pregar uma apática independência, Marina Silva poderia ter sido mais incisiva e mais agressiva. Ultrapassam vinte milhões de votos (PV e PSOL somados) àqueles que querem uma mudança significativa.

A neutralidade do PV foi semelhante à secular neutralidade suíça que Elie Wiesel criticou. Não se pode ficar quieto, independente, dentro de um mundo de injustiças e corrupções. É preciso protestar de forma contundente e ser mais agressivo ao expressar sua insatisfação.

Há uma enorme diferença entre dizer “não” e ficar calado. Verdes, se realmente desejam ficar maduros dentro da política nacional, não sejam incolores ou transparentes.

Marcio Vieira


Insurgentes saudados na terra dos tucanos

11/10/2010

Quando tocava a sirene e uma estrela vermelha subia no telão no fundo do palco, cerca de 50 mil pessoas que foram ao primeiro dia do Festival SWU, no interior de São Paulo, entraram em euforia. E não era para menos, afinal, era a primeira vez que o Rage Against the Machine se apresentava no Brasil.

A banda californiana com enorme engajamento sociopolítico voltou aos palcos no mundo todo para uma grande turnê, que incluiu pela primeira vez a América do Sul.

Todos os integrantes da banda, principalmente Zack de la Rocha de Tom Morello, atravessaram as últimas duas décadas defendendo diversas causas em todo mundo. Já perderam a conta de quantas vezes foram detidos por policiais de todo mundo, mas não se cansaram. Muito pelo contrário, a repressão deu energia para lutar mais.

A inspiração surge da raiva de um sistema desigual, lutam pelos imigrantes latinos, pelos negros, lutam pelos direitos trabalhistas, direitos indígenas, lutam contra a tirania, lutam contra uma elite dominante, lutam pela libertação de presos políticos, lutam contra repressão, lutam contra a miséria e lutam por terra.

Quando Zack dedicou a música “People of the Sun” para o MST – Movimento dos Sem Terra, a multidão foi à loucura por mais uma grande música da banda, que faz menção à luta de milhões de indígenas mexicanos (maioria deles vivem da agricultura) contra a tirania de espanhóis colonizadores e, posteriormente, ao Partido Revolucionário Institucional (que de revolucionário só tem o nome).

Lá também são mais de 500 anos de exploração e desigualdade, trazendo uma consequência muito semelhante: a miséria regionalizada. Se os governos brasileiros deixaram na miséria o interior do nordeste brasileiro, no México, esqueceram de cuidar e investir de Chiapas, um pobre estado no sul daquele país.

Para protestar, o sangue Maya foi mais forte que o Tupiniquim: movimentos separatistas e pró reforma agrária ganharam muita força e repercussão desde os anos 70, culminando, em 1994, na tomada de diversas cidades de Chiapas pelo Exército Zapatista de Liberação Nacional.

Até hoje há cidades autônomas no sul mexicano  que vivem da agricultura e turismo. Em 2005, no Fórum Mundial Social, tive a oportunidade de conhecer um grupo da cidade autônoma de Lucio Cabañas (nome dado em homenagem à um importante membro da Revolução Mexicana de 1910, que tinha como líderes Emiliano Zapata e Pancho Villa). Na palavra deles, o isolamento de interferência federal foi um grande avanço para o desenvolvimento agrário e econômico da região.

Zapatistas e a luta por justiça social

Movimentos favoráveis à reforma agrária são amplamente defendidos pela banda, e penso que eles tocaram no SWU por causa do anúncio de ser um evento em defesa da sustentabilidade (à procurar notícias de ações na área após os shows), mas diante da enorme incoerência do show de Itú, ficou na minha mente a pergunta:

– Com ingressos caríssimos, certamente a ampla maioria que foi ao show é de classes média e alta, as quais concentram a maioria dos votos do PSDB. Será que as pessoas que foram ao show da banda apoiam o MST?

Brasil é um país o qual, até hoje, tentam manipular notícias e informações para toda população, fazendo acreditar que Rocky Balboa e mocinho e Ivan Drago é mau, que vermelho é infernal, que estrela vermelha é símbolo satânico, que barba é coisa de revolucionário que vai tomar sua empresa, seu salário, etc.

E se aparecerem tais barbudos com  uma enxada na mão querendo plantar em terras improdutivas, a mídia vai dizer que são espertalhões querendo algo fácil. Sim, é inegável que nos últimos anos os líderes do MST praticaram algumas ações desastrosas e invasões irracionais, mas está longe, muito longe, de motivos para desmoralizar a causa.

A causa do MST é nobre, é para acabar com um domínio secular de poucas famílias sobre o território brasileiro que, de geração em geração, muitos perderam o interesse pelo cultivo em terras, mas não abrem mão de perdê-las para a Reforma Agrária. Esta reforma, por sinal, teve no governo Lula seu maior avanço, dando possibilidades de crescimento econômico para milhares de famílias no país.

Sim, há o lado podre da história, pessoas que entram no programa para repassar terras, pessoas que sonegam suas rendas para tentar conseguir uma terra de graça, laranjas, etc. São essas pessoas que viram notícia, mas são notícias, muitas delas, distorcidas pela mídia que generaliza, que vende uma imagem satânica das lutas sociais.

E é a causa da reforma agrária que a maravilhosa banda Rage Against the Machine levantou a bandeira. É a mesma causa que milhões de paulistas tucanos repudiam, mas que no show, milhares deles saudaram. Talvez nem pensaram na incoerência, se tentaram pensar, não conseguiram pois muitos dos que foram ao evento só enxergam um lado da moeda, aquela derivada da Veja e afins.

Outros símbolos de lutas sociais presentes no show, como a sirene da fábrica que acorda proletários, metalúrgicos, homens que vestem macacões sujos de graxa, trechos d’A Internacional, e a fatídica estrela vermelha no telão não foram, em sequer momento, temas de críticas dos eleitores do PSBD.

Aos menos informados, entendo que a banda não fez coro ao PT em tempo de eleição, que, assim como o PSDB, tem seus dois lados (o bom e o podre). A estrela vermelha socialista não é partidária, é ideológica. O Rage Against the Machine fez menção às causas sociais de um mundo de injustiças.

Aos que associam a imagem comunista do Hugo Chavez com problemas administrativos, censura, estatização, cortina de ferro, etc. e fazem duras críticas ao modelo venezuelano (e com razão), os mesmos endinheirados tucanos esquecem que, quando vão passear no Chile, tal país foi presidido por uma mulher com ideais socialistas, Michelle Bachelet, e é o país latinoamericano com melhor qualidade de vida. Ou seja, cuidado com generalizações.

Desde seu início, RATM é uma banda que protesta, que luta por oportunidades iguais à todos.  Assim como eles pediram que tirassem a barreira vip antes do show, motivo de interrupções ao longo da apresentação, porque eles não querem enxergar diferenças sociais/financeiras quando tocam, isso faz perder o sentido das lutas às quais eles entram, apanham e são presos.

Aos que foram ao show, parabéns. Que a semente que tal quarteto plantou em vossas cabeças produza e reflita as situações do mundo, e que tenhamos mais pessoas caminhando nesta marcha que direciona por um mundo mais justo.