E depois de protestar?

21/06/2013

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Tem gente que chegou agora é quer sentar na janela. Calma, não é bem assim, pessoal. A janela está livre, assim como o corredor também está cheio de lugar vazio: tem espaço para todo mundo.

Todos são legítimos para protestar, é um direito constitucional, então, quem quiser, que o exerça! Do it Yourself!

Ocorre que tem muita gente gritando para “parceiros de marcha” abaixarem suas bandeiras. Abaixar por quê? Quem é maior ou quem é menor que quem?

Já fui em trocentos protestos, de microscópicos com uns 20, 30 manifestantes, até os mais recentes, com 300 mil pessoas. E quase sempre vi, ao menos, uma bandeira do PSTU, só pra citar um exemplo. A CUT sempre está presente reivindicando o que eles acham justo.  Tem muito mimimi contra tais bandeiras de gente que chegou agora. Vão com calma.

Não se pode ofender, criticar, ou mandar alguém abaixar a bandeira partidária só porque você não concorda. Deve ser respeitada as diferenças, afinal, cada um tem suas prioridades, opções, valores e crenças. A intolerância às diferenças tem nome: Fascismo!

Se é certo ou é errado, quem sou eu para ofender a atitude dele. Minha opinião não determina os passos de ninguém afinal, isso aqui é uma democracia.

O que não pode é classificar tais opções da sociedade como doença, como o Dep. Feliciano faz em clara perseguição aos homossexuais. Hitler perseguiu judeus, Europeus escravizaram e negociavam negros africanos como se fossem animais, e o que tal deputado faz é exatamente a mesma coisa: impor próprias convicções, restringindo a liberdade de outros.

As atuais manifestações demonstram uma clara insatisfação e, aprofundando na questão, percebe-se um enorme vazio de milhares de pessoas que estão as ruas sem saber o que querem realmente. Saber o que quer é dificil em diversas situações (principalmente depois de cultivar novelas, big brother e tantas merdas no cérebro), então que comecem excluindo aquilo que não desejam.

Milhões de brasileiros são responsáveis pela instalação de um certo caos, e é de se comemorar! Se não há ideias claras, e com tanta gente dividindo a mesma marcha por inúmeros motivos,  causar incômodo nos governos é a primeira etapa.

Parar cidades!  Tirar novela do ar para transmitir protesto!  Parabéns! Agora faça desse espaço conquistado um hábito: discutir política, defender causas, se interessar por assuntos que interferem na sua própria vida, e que condicionam seu próprio futuro.

Tais manifestações causaram reuniões extraordinárias de prefeitos, governadores, ministros e diversos outros políticos, com algumas dessas reuniões tendo a participação de representantes das manifestações, e isso transparece o maior problema da história do Brasil: A falência de um sistema político arcaico e inchado que não é capaz representar o povo.

Representar o povo não significa atender minhas necessidades. Representar o povo é, antes de tudo, ouvir o povo, algo que não acontecia porque o povo não falava.

Graças aos protestos, as orelhas de todos os políticos estão levantadas. Agora, para todos esses que estão nas ruas, é tempo de se interessar por política e discutir propostas, dando sempre liberdade de escolha para isso aqui não virar uma ditadura.

Você está preparado?

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Dividindo o Yakult

21/03/2013

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Andei refletindo sobre um tema após ir nas passeatas promovidas contra Marco Feliciano. Muitos protestam, mas poucos vão. Já participei de outros movimentos, mas sempre saio com dois sentimentos: um de “dever cumprido” e outro de “desânimo”.

Dever cumprido pois saí, apresentei minha indignação, atravessei a cidade para me juntar com outras pessoas que tiveram a mesma atitude. O Desânimo acompanha porque, com tanta barulheira na internet, a expectativa é sempre maior, de ver mais gente, de ver mais efeito, de ver mais resultado.

Confesso que poderia ir milhares de vezes mais, participar mais. Nunca será o suficiente quando tem tanta coisa errada que precisa de mudança imediata.

Infelizmente o brasileiro não cultivou a “cultura do protesto”. Muita gente não sabe que protestar é a forma mais contundente de demonstrar cidadania. Mostrar-se presente. Atuante. Transparecer que há uma opinião contrária, enfim, dizer nas ruas um sonoro “Não!”

Isso invejo muito dos nossos vizinhos. Argentinos batem suas panelas, lotam as ruas. No Chile, também vão, e muito, para as ruas. Uma das últimas manifestações dos chilenos foi para protestar contra a qualidade do ensino!  Oras, não é falta de professores, não é falta de carteiras, materiais escolares, escolas pichadas, falta de transporte escolar, etc. Eles protestaram contra a qualidade daquilo que se ensina! Daquilo que se aprende!

Protesto é feito para querer mudar algo que caminha de forma errada. Protestos são realizados para querer um futuro diferente daquilo que é pré-anunciado, daquilo que é projetado.

É preciso ir para as ruas, faz bem se sentir cidadão nessas horas. Mostrar que está preocupado com o que está sendo feito, sem apatia.  Se o brasileiro se acostumar a usar essa arma que tem, muita coisa vai ser mudada e, mais ainda, muita coisa vai ser evitada.

Governo corrupto é igual aquele amigo fdp que pede um gole de Yakult. Já é pouco, e assim querem pegar metade. É de se revoltar! Mostre, então, a revolta!

Mas o que não entendem é que quem está no poder é o reflexo do que está no povo. São apenas maus representantes de um povo composto de maus cidadãos. E ser mau cidadão não é culpa de escola, não é culpa de falta de saúde, falta de trabalho, falta de transporte.  Para diagnosticar um mau cidadão, basta um espelho.

O silêncio transmite indiferença. Achar que “ativismo de pantufas” em casa funcionará e o Brasil melhorará, sinto muito em desaponta-lo. Tem muita gente na rua que precisa ser encorajada, e isso depende de passos e decisões de cada indivíduo.

É preciso bater panelas, é preciso gritar, é preciso se indignar para, num primeiro momento, ter a oportunidade de discutir uma situação. Do contrário, tudo isso não passará de uma conversa de bar, de um “post” no Facebook.

E não fique com medo se serão só 10 pessoas, se só serão 1.000. Ao invés de enxergar esse número externo, enxergue e valorize os 100% de você na causa que for abraçar.


Lições coreanas ao Brasil

06/08/2012

Estão na metade os Jogos Olímpicos de Londres, mas já dá para antecipar algumas conclusões. E o que mais destaca aos olhos é o desempenho da Coreia do Sul, disputando com os principais países as melhores posições no quadro de medalhas, e cabe, aqui, uma pequena comparação com o desempenho brasileiro.

A Coreia do Sul é um pequeno país de 100 mil km(o equivalente à Santa Catarina, 40% do estado de São Paulo, ou, ainda, 1,5% do território brasileiro), e possui 49 milhões de habitantes, enquanto o Brasil tem seus 8.500.000 Km2 com quase 200 milhões de habitantes.

O ponto de partida desta comparação entre as duas nações tem quase seis décadas, e os rumos que cada país fez a partir de então. Em 1953, a Guerra da Coreia (1950-53) terminara com cerca de 3 milhões de mortos, uma terra completamente devastada separada entre dois países com regimes políticos completamente distintos.

Por aqui, há 60 anos, era a segunda passagem de Getúlio Vargas na presidência do Brasil, e iniciava, neste período, o Plano de Metas (intitulado como 50 anos em 5), acelerando e economia brasileira que, se por um lado desencadeou um enorme endividamento, do outro foi o início de um dos maiores crescimentos econômicos registrados no mundo durante as décadas de 50, 60 e 70.

Enfim, o Brasil se apresentava como eternizada expressão “nação do futuro”, enquanto a Coreia do Sul só via um caminho para ser reconstruída: investir na educação. E foi o que os asitáticos fizeram, e muito bem feito.

A única forma de produzir riqueza à uma nação é investir maciçamente em educação. O Brasil, rico em recursos naturais, sempre extraiu suas riquezas do solo, sem demonstrar interesse em formar uma educação de qualidade, o que, com o passar das décadas, os resultados em medalhas numa olimpíadas transparecem a política social que cada país conquistou: segundo a ONU, é a Coreia do Sul o país com maior carga de estudos até os 25 anos de idade no mundo.

Os frutos desse investimento estão em todas as principais áreas que formam uma cadeia industrial grande e sustentável, as quais cito apenas duas, resumidamente:

1. Setor automotivo: a Coreia do Sul tem como principais marcas a Kia Motors e Hyundai (mesmo grupo econômico), além da SsangYoung, da Samsung Motors (Grupo Renault) e Daewoo (Grupo Chevrolet) que produziram, juntas, aproximadamente 8 milhões de veículos em 2011. Pergunto: qual marca genuinamente brasileira de veículos há? Existiu a Gurgel até o início dos anos 90 e, depois disso, a maior marca brasileira é a Troller (hoje pertencente à Ford) que produziu ano passado cerca de 1.300 veículos, o que equivale à 0,015% do que a Coreia do Sul fez no mesmo período. Repito: 0,015%

A indústria de automóveis brasileira está, há anos, nas mãos de grandes grupos internacionais que, além de produzir carros com péssima segurança e qualidade no Brasil, têm, neste mercado, seu maior lucro mundial. Só em 2011, remeteram às matrizes europeias, americanas e japonesas mais de cinco bilhões de dólares obtidos no Brasil. Ou seja, continua a riqueza sendo extraída no Brasil e aplicada no exterior.

2. Outro setor, de tecnologia: enquanto o Brasil tem as medianas Itautec e Positivo para informática, e CCE para televisores como principais marcas brasileiras, todas com baixo índice de nacionalização dos componentes, sobrevivendo, praticamente, como montadoras de produtos eletrônicos, os sul-coreanos têm Samsung,  que tem um faturamento anual equivalente ao PIB da Argentina, além de outra gigante global do setor, a LG, empresas, inclusive, com mais de dez mil funcionários só nas fábricas e escritórios que possuem no Brasil.

Esses dois exemplos, automotivo e tecnológico, foram construídos do zero, porque o governo coreano se propôs a criar riquezas a partir da capacitação de seus habitantes. É demorado, é preciso ter paciência pois são pelo menos 25 anos, o tempo de uma geração acadêmica, o período mínimo para o investimento profissional colher seus primeiros frutos.

Basta lembrar os primeiros carros importados da Coreia do Sul, a partir da abertura das importações (199o). Além do preconceito por vir da Coreia do Sul, eram produtos de qualidade duvidosa, mas bem superiores às carroças de Collor. Porém, vinte anos depois, novos profissionais, com mais ensino e mais qualificados que os primeiros, desenvolveram a indústria coreana, tanto que hoje são carros de ótima qualidade por preços competitivos, precisando, inclusive, o governo brasileiro criar mecanismos tributários emergenciais de proteção à indústria brasileira para controlar as importações com a desculpa de proteger o caríssimo trabalhador brasileiro.

Na esfera esportiva, viajaram para Londres 258 atletas brasileiros enquanto a Coreia do Sul enviou 245 atletas, praticamente o mesmo número, só que a competência técnica do sul coreano é infinitamente superior à do brasileiro que se mostra no quadro de medalhas. Isso se deve à um investimento de cinquenta anos em educação, algo que o Brasil não fez pois ficou limitado à extrair recursos ao invés de produzir novas riquezas.

Enquanto os coreanos investem no ser humano para, a partir daí, ele ter qualificações para crescer social e economicamente, o Brasil continua enxergando na contra-mão ao dizer que investe no esporte para tirar pessoas da marginalidade. Com este pensamento engessado do governo brasileiro há décadas, o Brasil sempre remediará uma situação e nunca vai combater a causa do problema. O barco está furado, e o governo brasileiro tira água com a caneca ao invés de consertar o furo, assim se pode resumir.

Atletas brasileiros brotam, surgem ao acaso e as medalhas olímpicas mascaram o descaso social existente. Culturalmente falando, o atleta brasileiro está muito despreparado. Psicologicamente, o precipício é ainda maior porque os atletas brasileiros não sabem lidar com pressão, onde a própria população brasileira encara a derrota como fracasso. Outras nações recuperam o ser humano na derrota, motivando o atleta para o próximo desafio.

A Coreia do Sul entrou na sua terceira geração acadêmica altamente capacitada, o pequeno país asiático vai continuar crescendo, construindo novas tecnologias rentáveis, qualificando seres humanos para nas mais diversificadas profissões, inclusive a de atleta, enquanto resta ao Brasil torcer para cair do céu novos Pelés, Scheidts e Cielos, para cegar mais a população, fingindo que o país é um celeiro de craques.

Marcio Vieira


A ditadura do voto obrigatório

23/08/2010

Em anos eleitorais todos os meios de comunicação são, obrigatoriamente, invadidos por propagandas eleitorais gratuitas. Cada partido, conforme sua representatividade, tem lá seu espaço para divulgar as propostas dos seus candidatos.

E, infelizmente, nosso espaço é invadido por ex-celebridades que vão tentar reaparecer na mídia, sair do ostracismo. São pessoas que não se contentam em aparecer esporadicamente na Luciana Gimenez ou em outros lixos programas similares.

Vejamos alguns ridículos candidatos:

Muita gente acha engraçado ver o Tiririca dizer que pior não fica se votarem nele. Engraçado seria, se não fosse trágico.

São candidatos direcionam sua campanha para atingir, principalmente, as classes C e D, e outras pessoas que não tiveram acesso à uma educação de qualidade, pessoas que mal foram alfabetizadas e que não se interessam por notícias de governos, de políticos, etc.

Com isso, surgem pilantras espertos candidatos que buscam voto a partir da sua popularidade, seja por causa de uma bunda, por causa de uma piada, por causa de um gol, etc. Alguns destes já ganharam muito dinheiro na vida, mas perderam porque não tiveram capacidade de administrar a fama.

O que a maioria dos eleitores só sabem é que são obrigados a votar, senão levarão uma multa. O coitado já vive mal, sobrevive em meio a tiroteios, inundações, leva horas e horas em deslocamento dentro de ônibus lotados em avenidas congestionadas, impossibilitando tempo para estudar, para crescer na vida e, quando chegam as eleições, falsos políticos os consideram como cidadãos, pregam a importância do voto em propagandas exigindo um voto consciente de uma consciência que não está preparada para votar.

Então, essas dezenas de milhões de brasileiros que vivem sem acesso à cultura, à informação, à uma vida digna, são convocados, intimados ao voto. Um voto que eles sabem que não fazem merda nenhuma de diferença na vida deles, um voto a mais em uma vida de menos.

Só que (aí inclui-se todas as classes sociais) a maioria não sabe é o valor da verba de um gabinete de um deputado federal, por exemplo, que esses malandros querem receber: todo mês, cada gabinete recebe mais de 120 mil reais por mês, entre salários, auxílios, para uma pequena equipe (escolhida pelo eleito). Em quatro anos, serão mais de R$ 6.300.000,00 para uma imbecil rebolar a bunda representar o povo.

Está mais que claro que, quando o governo obriga todo cidadão com mais de 18 anos ao voto, é vantajoso ao processo eleitoral ter eleitores desinteressados em política para conquistar um número maior de votos. E, sentindo-se obrigados, tais eleitores estão pouco se fodendo importando quem irá pra Brasília, então vão votar em quem é mais bonitinho, mais engraçadinho, quem promete construir bomba atômica, aerotrem, etc.

Não é do interesse do governo (qualquer que seja o partido no poder) ter eleições facultativas, pois todos sabem que será uma minoria que votará, e o resto da população quer mesmo é aproveitar o domingo para fazer um churrasco, um pagode, ir para praia.

No entanto, se o voto for facultativo, idiotas como do vídeo acima terão seu espaço reduzido nas campanhas, as propagandas eleitorais abordarão com mais profundidade os temas de relevância para toda sociedade.

É clara a ditadura do voto obrigatório. Ela estimula a ignorância e o repúdio ao processo eleitoral. A população não tem a obrigação de conhecer política, e no mesmo barco estão todos: há muitos riquinhos que estão cagando e andando para quem vai governar, e há muita gente na periferia/interior/sertão/etc. que quer só tomar sua cervejinha em paz, e assim é feliz.

A população não deve ser intimada ao voto, ao comparecimento na zona eleitoral, com a ameaça de uma multa e possibilidade de cancelarem o CPF, etc.

Sejamos livres para decidir, e também para não decidir, quais serão os representantes. Isso sim é a real democracia.