O que é Justiça?

13/12/2013

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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) julgará, na próxima segunda-feira, o caso do jogador Héverton, da Portuguesa.

Qualquer que seja a decisão da Corte, tanto haverá críticas, como elogios. A decisão deixa de ser uma simples aplicação de sentença porque haverá reflexos econômicos de grande impacto pelo fato da possibilidade de alteração do clube que disputará a segunda divisão  do campeonato nacional.

Cumprir regulamento é simples (ou deveria ser), desde que o regulamento esteja escrito de forma simples. E ele não é nada bem redigido, facilitando a subjetividade na análise do texto e, consequentemente, subjetividade na aplicação de penas.

Porém, tal tribunal, assim como qualquer outro órgão julgador, tem uma árdua responsabilidade: ser justo.

Então pergunto: o que é justiça?

Aplicar o texto legal não resultará em cumprimento da justiça. A aplicação da lei, na Inquisição, levou à fogueira pessoas que tentavam apresentar novos estudos e novas percepções acerca daquela sociedade, completamente rígida e repressora.

Pode-se dizer que os Inquisitores cometeram “justiça” (sim, justiça entre aspas mesmo) ao aplicar o texto legal, no entanto, estiveram milhas de serem justos.

Em outros tempos e em diversos países, a lei permitia escravizar negros. A lei já proibiu negros e brancos andarem no mesmo ônibus, frequentar a mesma escola, a mesma igreja, etc. O texto de lei proíbe em dezenas de países relacionamento homoafetivo, e adoção de crianças por casais gays.  Leis pelo mundo todo condicionaram a mulher à submissão por séculos, e ainda há culturas que permitem, em Leis, a repressão aos direitos das mulheres

Para os exemplos citados, será que cumprir lei é fazer justiça?  Não!

Nos dias atuais, Tribunais têm o dever de eliminar todas aspas da subjetividade, principalmente de uma palavra tão importante como é a palavra Justiça. Ser justo não significa aplicar o texto legal. Ser justo é mais que o cumprimento de regras, ser justo é mais que obedecer normas.

Para ser justo, é preciso ser e estar correto. Estar correto diante da sociedade, estar correto diante do tempo, do espaço, da cultura, sempre atualizado porque muito do que é considerado justo hoje, não será no futuro.

E sobre o julgamento da próxima segunda-feira, se eu pudesse fazer um pedido ao membros Tribunal Desportivo, pediria para considerar todos os meios que possibilitem a maior aproximação da essência e senso de Justiça.

Analisar friamente o texto de lei é uma forma perigosa e superficial de exercer opinião, e Julgadores não podem limitar suas atividades ao entendimento de normas jurídicas. Aliás, tais julgadores poderiam se inspirarem algo que, recentemente, jogadores de futebol trouxeram um bom sinônimo para a palavra justiça: O Bom Senso.

Quem, de fato, foi prejudicado com a entrada do jogador aos 33 minutos do segundo tempo num jogo “de pouca importância”? Ao meu ver, o único prejudicado foi o adversário da Portuguesa na famigerada partida, o Grêmio.

O Grêmio reclamou? O Grêmio cobrou justiça? O Grêmio se sentiu prejudicado?  Não, e é este o ponto que o Tribunal deve considerar: a interferência do jogador no resultado daquela partida.

A tabela do campeonato é secundária, assim, o justo é aplicar de forma pontual e cirúrgica a punição na esfera esportiva para que não traga efeitos para o resto dos competidores. Em outras palavras, caso o STJD considere culpada a Portuguesa, deve esta perder o ponto conquistado naquele empate, transformando o jogo em vitória do Grêmio.

E pronto! É simples aplicar a Justiça num campo onde atletas transformam praticam a justiça a cada jogo: normalmente, o melhor vence, tirando sempre as não tão raras exceções causadas por má arbitragem.

E é a má arbitragem que altera resultados no esporte. Uma má arbitragem na sua mais alta esfera, o STJD, alterará o que foi definido em campos de futebol, e interferências que vão além da pontuação de um jogo de futebol é errônea pois fere, e muito!, a disputa esportiva que envolve 20 clubes de futebol.

Punições com mais perda de pontos interfere no que foi realizado em outros jogos, e repito: quem faz a justiça no esporte não são os magistrados, mas sim os atletas.

São os jogadores de futebol os principais atores que empregam milhares de pessoas e levam milhões de pessoas aos estádios no Brasil. São eles que justificam centenas de milhões de reais investidos em publicidade, são eles que empregam uma infinidade de profissionais, como jornalistas e, porque não, são os jogadores de futebol que justificam, em boa parte, a existência do Superior Tribunal da Justiça Desportiva.

São tais jogadores de futebol os responsáveis em decidir quem é melhor, quem é pior, numa sadia disputa esportiva, e a transferência da responsabilidade dos jogadores para os Tribunais é um insulto à quem quer o Bom Senso, a boa prática esportiva e a Justiça.

Sejamos todos justos na vida, mesmo que para isso seja necessário ultrapassar os limites da lei.

A verdadeira Justiça pode aprisionar o corpo, mas libertará para sempre a consciência.

Marcio Vieira

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A maior invenção da humanidade

25/04/2012

Até ontem eu considerava o vaso sanitário como a maior invenção da humanidade. A privada é incrível, basta apertar um botão e, num passe de mágica, fazer sumir, literalmente, toda merda que acumulamos. Destaco também a invenção do elevador e do lacinho lateral que amarra a parte de baixo dos bikinis como as grandes invenções. Até ontem…

Até ontem, quando dez Davis enfrentaram onze Golias numa arena com cem mil pessoas na expectativa de ver o tão costumeiro massacre dos anfitriões. O cara que inventou o futebol é um grandíssimo filho da puta! (Em tempo: grandíssimo filho da puta é um elogio supremo, dado à poucos, no meu humilde e contraditório vocabulário)

Como pode o futebol permitir que os gigantes, do possível melhor time da história, amargar a derrota dentro de casa?  Como pode o Barcelona, o ápice do futebol arte, ser eliminado?  Que incrível é o futebol, que permite a injustiça, e muitos comemorar sua existência!!

O espetáculo ontem, não foi ver o futebol-pimball de toques rápidos e envolventes do esquadrão de Guardiola. O espetáculo foi ver que gigantes são, porque não, humanos. Ontem ficou comprovado, embora milhares ainda teimam, que Messi é terráqueo.

A arte sempre será arte. Não vi Hungria de Puskas sucumbir, não presenciei a Laranja Mecânica, e não vi o selecionado tupiniquim de Telê Santana, mas vi o time do Barcelona jogar. O palco é de todos, no futebol, dando espaço para injustiças serem justas.

Essa é a graça do esporte bretão de 150 anos. Essa é a paixão que justifica um pequeno clube paulistano chamado Juventus se vestir em cores da rival Torino. Essa é a paixão que permite ter um River Plate no nordeste, um Santos no México, um Corinthians no Brasil.

Futebol deveria ser uma palavra feminina, pois tanta beleza, tanta paixão, provocação, amor, raiva, choros, sorrisos, só grandes mulheres inflam tais sentimentos no coração dos homens, pobres e cegos apaixonados seres limitados. É por isso que muitas mulheres (as pequenas) insistem em rivalizar com o futebol, em crises de ciúme por ter a atenção dividida por causa de uma bola.

Injustificável sentimento de uma paixão não correspondida. O futebol é sacana, engana e, quando acha que a previsibilidade atuará, que o Barcelona goleará, vem os Deuses da bola e mudam o curso da história.

Até ateus acreditam na divindade futebolística. Foram eles que desviaram o chute do melhor do mundo no pênalti perdido! Malditos que não permitem a eternidade da arte!

Mas como toda arte, o futebol também é subjetivo, de interpretações múltiplas, e a arte de ontem foi um time sem zagueiros (um expulso e outro machucado, logo no início do jogo) eliminar o time das goleadas e da beleza plástica. Se Michelangelo fez arte a partir de uma não bela Gioconda, o Chelsea pode construir uma obra prima, não bela, na terra de Gaudí. O mundo não é feito apenas de Gisele Bündchen. Pelo contrário. Ainda bem!

O Anti-jogo é arte, Arte da Guerra que Sun Tzu explicou. Cada um luta com as armas que possui. Encenar é arte, e Drogba pode fingir suas dores num grande palco. É o máximo que alguns Davis poderiam fazer, pois se lutassem de igual para igual, o time londrino seria engolido pelo Barcelona.

Cruel, o futebol, que permite gols em contra-ataques. Apaixonante futebol, que encobre a razão e a superioridade num toque sutil de Ramires. Futebol que alimenta as minorias, os pequenos Davis, na esperança do impossível, do imprevisível e do injusto, acontecer. E às vezes ele acontece, e a graça está nisso: se a injustiça for frequente, o futebol deixará de existir.

É por isso que existirão dias de Paysandú no La Bombonera, de Chelsea no Camp Nou ou do Uruguai no Maracanã.

Há dias que eu odeio amar o futebol, e outros dias que amo odiar o futebol. Mais raros são os dias, como ontem, em que amo amar o futebol, a maior invenção da humanidade.


As duas torcidas brasileiras

06/12/2010

Terminado mais um campeonato brasileiro e, consequentemente, o ano calendário do futebol brasileiro, o qual Fluminense conquistou seu segundo título por méritos, principalmente, do competente treinador e de um excelente jogador: o argentino Conca.

Depois de 37 rodadas, apenas três equipes tinham condições de levantar a taça, e os tricolores do Rio de Janeiro, na frente, não deram margens ao azar, deixando Cruzeiro e Corinthians ficarem com o vice e terceiro lugar, respectivamente. As outras ficaram pra trás, muito pra trás.

Mas o motivo principal para eu tecer algumas linhas não é a glória fluminense, mas sim a alegria da imensa maioria no Brasil. Hoje amanheceram com sorrisos abertos mais de uma centena de milhões de pessoas motivadas principalmente não pela conquista, mas sim pelo insucesso do Sport Club Corinthians Paulista.

Fogos nas ruas, notícias destacadas em jornais, e chuva de mensagens em redes de relacionamento reforçaram, mais uma vez, uma tese que já defendi em conversas de botequim: O Brasil só tem duas torcidas, e ambas são reflexos do que o Corinthians faz ou deixa de fazer: Corinthianos e Anti-Corinthianos.

Já ouvi, e não foram poucas vezes, que a maior alegria de muitos no futebol é ver o fracasso Corinthiano. Tais pessoas dizem ser sãopaulinas, palmeirenses, colorados, gremistas, cruzeirenses, flamenguistas, vascaínos, santistas, atleticanos, etc., mas no fundo, no fundo, para tantos, salvo algumas exceções, tais clubes são secundários porque o que eles gostam mesmo é de ver a derrocada do Corinthians.

Foi assim no rebaixamento em 2007, foi assim nas várias tentativas dos paulistas na Libertadores e, ontem, novas festas e alegrias emanaram com o troféu erguido pelos jogadores do Fluminense.

É uma maneira triste e depressiva de expor sentimentos, quando se torce pelo fracasso do rival. Prova-se isso, ainda mais, com os incoerentes anti-corinthianos que zombam contundentemente o atacante Ronaldo, esquecendo-se que tal jogador foi determinante para todos comemorarem Copa do Mundo, proporcionando felicidade para vocês, brasileiros anti e pró Corinthians.

É ridícula a falta de respeito à um dos maiores jogadores da história do Brasil e do mundo. E isso acontece só porque ele joga no Corinthians. “Eu tenho raiva do Corinthians”, “eu odeio o Cúrintia”, são frases automáticas e corriqueiras faladas em todo o país, que extrapolam os limites de uma saudável consciência esportiva, do reconhecimento da superioridade e/ou inferioridade de rivais em uma competição.

As brincadeiras com derrotas são normais com todos, mas é impressionante, quando envolvem o Corinthians, o transparecimento de ódio, rancor e aversão ao clube alvinegro. À estes tristes indivíduos que buscam felicidade a partir do fracasso do oponente, juro tentar compreendê-los, mas é difícil.

Só o Corinthians, de fato, vai além do significado de ‘torcer’. São seguidores apaixonados que empurram com vozes, suor, sangue, coração e pulmão durante toda vida. Só o Corinthians tem fiéis, numa fidelidade clara ao clube, à história de lutas, mesmo sabendo que pertence à uma minoria, afinal são só trinta milhões contra 160 milhões pertencentes à outra torcida.

Aos rivais sempre insatisfeitos pelo espaço reservado ao Corinthians na mídia, entendam que a conta não está errada, afinal, o espaço Anti-Corinthians sempre foi maior porque precisa subdividí-lo em pequenas cotas temporais para divulgar alguma informação dos outros clubes.

Corinthians é sempre o mais comentado, quer vocês tenham mais títulos ou não. Recorda-se, também, que um dia após um título do São Paulo, o assunto mais falado não era tal título, mas sim a contratação de um jogador pelo Corinthians, no caso, o atacante Ronaldo.

Num singelo paralelo, anti-Corinthiano tem a mesma felicidade de, quando você está com uma mulher bonita, você se sente bem porque a mulher do seu amigo é feia. Oras, seja feliz pelo que você é ou faz, não por motivos externos.

Quer rivalizar, disputar, que seja para demonstrar sua superioridade, afinal, “o bom competidor deseja sempre que o seu oponente esteja na melhor forma”, assim sua vitória será mais doce pois sua força será determinante à glória, e não o insucesso do rival.

À maioria, os anti-Corinthians, peço um favor: contabilize as horas da vida de vocês as quais vocês pensam no Corinthians. Eu faço uma aposta que será, no mínimo, 5 vezes maior o tempo que os Corinthianos gastam para comentar seus clubes, afinal, não damos mais atenção do que realmente merecem.

Há uma diferença abismal entre dizer ‘eu te amo’ e ‘eu não te odeio’. Ontem, mais uma vez, isso ficou claro. Se sua felicidade é condicionada no momento que se diz “centenada” e “chupa gambá”, está provado que falta amor à sua vida.

Corinthians, amo-te!

Marcio Vieira


Fair Play, não no Brasil

04/11/2010

Na 33a. rodada do Campeonato Brasileiro, o pênalti marcado contra o Cruzeiro na derrota frente ao São Paulo foi um dos mais grosseiros erros da arbitragem brasileira nos últimos anos.

Errar, dependendo da dificuldade do lance, é aceitável, mas o que me deixou mais indignado foi, nas entrevistas após o jogo, tanto o atacante Ricardo Oliveira (que sofreu suposta falta) como o goleiro Rogério Ceni, autor do gol, disseram que o lance ocorreu fora da área.

“Vendo de longe, eu achei que foi falta, mas fora da área”, disse Rogério e, “não foi pênalti”, admitiu Ricardo Oliveira aos microfones. Oras, se o lance escancarou tanto um erro, maior erro ainda foi o rompimento ao que chamam dentro das quatro linhas de Fair Play.

Em sua simples tradução, Jogo Justo (ou Limpo) não se limita apenas às jogadas violentas e carrinhos criminosos, ou combate ao racismo e trabalho infantil, campanhas essas levadas por jogadores de futebol de boa parte do mundo. O jogo limpo é, também, ser ético para incentivar toda uma sociedade a ser ética.

E ética foi algo que não existiu em nenhum jogador do São Paulo em relação ao lance, nem mesmo seu maior ídolo, Rogério Ceni. Decepcionante aos amantes do futebol que um atleta raro como ele, que articula bem as palavras e que demonstra liderança, tenha pactuado com o erro da arbitragem, sabendo que o lance não ocorreu dentro da área.

Não é utópico, não é no mundo fantasioso que atletas que seriam beneficiados pela marcação avisam a arbitragem sobre o erro, renunciando a possibilidade do gol, e da vitória.

Na Inglaterra o Flair Play é levado muito à sério. Há inúmeros casos de jogadores que discordaram de alguma marcação ao próprio favor. E quando ocorre o contrário, toda a sociedade, inclusive torcedores do próprio time, criticam o “atleta-ator”, como aconteceu com Eduardo da Silva, ex-Arsenal, que foi à Corte da FIFA por causa de simular um pênalti.

Jogadores “cai-cai” perdem cada vez mais espaço no futebol europeu, pois além de não demonstrar o Jogo Limpo, acabam manchando a imagem do próprio clube que, inevitavelmente, tem seu nome associado ao jogador-ator.

Por outro lado, quando um jogador pára um lance propositalmente ou discorda da marcação, é ovacionado por ambas as torcidas. E são jogadores assim que faltam dentro do futebol brasileiro, comprovado mais uma vez na última quarta-feira, e perpetuando a “Lei de Gerson”.

São por essas e por outras que grandes clubes europeus se preocupam com a índole dos jogadores brasileiros que lhes interessam, onde a teoria maquiavélica dos fins justificarem os meios não é bem quista no velho continente.

Rogério Ceni, no alto de sua suposta sabedoria, poderia ter garantido sua estátua no futebol brasileiro ao recusar o pênalti ou chutar a cobrança na lateral. Faltam Martins Luther Kings de chuteiras para estimularem uma justa consciência coletiva dentro do campo e também nas ruas.

E tais atletas esquecem nessas horas que eles são as referências para milhões de jovens num Brasil com raras oportunidades. Rogério e Ricardo Oliveira, infelizmente, mostraram que precisa ser malandro pra vencer.

E não culpo só o São Paulo ou Rogério. Já aconteceram tantos outros lances semelhantes no Brasil e nenhum deles fez diferente, ninguém foi justo, independentemente do escudo que defendem.

A FIFA prega o Flair Play porque sabe que o futebol está completamente inserido na sociedade, fazendo do esporte uma das principais ferramentas no desenvolvimento de valores sociais.

Uma pena que as cinco estrelas do Brasil não condizem com a posição do país dentro da ética e moral no futebol. Nesses quesitos o Brasil não está nem na terceira divisão, está na várzea.

Marcio Vieira


Uma criança de 100 anos

31/08/2010

Sport Club Corinthians Paulista.

Quando se falar do Corinthians, esqueça teorias, esqueça ciência exata, esqueça tudo que diz respeito à logica. Esqueça, não precisa abrir nenhum livro, google, nada disso. Abra apenas o coração.

Corinthians, desde sua fundação, é feito de amor. Amor passional, amor impossível, platônico, irracional, amor que cega, que nos faz voar, que nos permite saborear a vida.

Bom Retiro, há 100 anos, colocaram o primeiro tijolo de amor. Sim, é um clube de operários, não no sentido simbólico da função, mas sim no sentido do verbo “operar” para realizar, viver de construir.

E quem não opera nesta vida? Somos todos peões! Corintianos que arregaçam as mangas, que transpiram, que movem, que mudam, que realizam.

Sim, também somos os peões sem cultura, sem dentes e sem emprego que as torcidas rivais tentam vender tal imagem. E quer saber? Que sejamos assim também, vira-latas que lutam por sua comida, sua sobrevivência. É assim que construímos nossa história, é a rua que nos deu força e a nossa garra. Nascidos para lutar.

Surgimos das ruas. A rua de botecos, de carnes loucas, pinga e pernil, é na rua violenta, perigosa, chuvosa que percorreremos, afinal não nos afugentamos, não nos escondemos. Se o sol não vier, não tem importância, a festa na favela será a mesma.

Somos pretos e pobres, retirantes e mendigos. Boêmios, vivemos! Assim somos nós quando entramos no Pacaembú. No caminho, deixamos  nossos ternos de magistrados e empresários, ou ternos dos, talvez, seus seguranças e nos juntamos vestidos de branco e preto.

Não importa quem, somos todos desdentados sem saber a concordância das palavras, e estaremos todos lá: o dono do cimento ao pedreiro, do ladrão ao juiz, do baleado ao cirurgião, do poeta ao analfabeto, do fazendeiro ao peão.

Somos todos iguais, somos feitos de emoção porque nos permitimos abrir o coração. Somos jovens, somos sonhadores, vivemos nosso mundo e carregamos este clube.

Nós não somos torcida. Termo, este, muito limitado para o Corinthians. Nós somos um povo espalhado pelo mundo. Nosso território é a nossa carne. O mar: nosso sangue; a lei: nosso grito.

Convocamo-nos não para guerra. É apenas futebol. Apenas gostamos de tal esporte, e gostar é muito aquém ao amar. Nosso amor é o Corinthians!

É por ele que vivemos, é por ele, porque nós somos o Corinthians. Não são os onze lá embaixo, não são as conquistas, campeonatos, vitórias. O Corinthians somos nós.

Corinthians é um sentimento que resume tantos outros: amor, paixão, tesão, alegria, felicidade. Sinceridade, a transparência e luta de milhões de jovens ao longo dos cem anos.

Parabéns pelos 100 anos. É pouco, Corinthians é uma criança. Não tem relógio, calendário nem tempo para explicar o que é Corinthians porque amor não se mede, amor não se explica, apenas sente.

E Corinthians é eterno.

Parabéns para o Corinthians! Parabéns para nós!