Cartão Vermelho, vermelho de vergonha

22/02/2013

vermelho

Morreu Kevin aos 14. Quando morre uma criança, um adolescente, morre também o futuro e os sonhos que jovens carregam nos olhos e no coração.

Adultos são pessoas chatas, mal-amadas, cheias de ressentimentos e moldadas pelo socialmente correto, coisas que as crianças não sabem ainda o que é, por isso os sonhos são mais belos e puros. Em resumo, com o passar dos anos é estragada a essência das pessoas.

Alguns desses adultos estragados, infelizmente, carregam ódio no coração por uma infinidade de justificativas: falta de educação, falta de emprego, problemas estruturais na família, desigualdade social, racial, etc etc etc.

E tais pessoas, em determinados momentos, viram selvagens truculentos. Estádio é o destino, ingresso é a carta de alforria para poder gritar, xingar, afinal, se pagam ingresso tem direito de xingar!  Isso já escutei da boca de renomados jornalistas esportivos.

A ignorância perdeu o controle…

Não, meu caro!! Se eu pago a lavagem do meu carro, não tenho direito de xingar o lavador. Se eu pago meu almoço, não tenho direito de xingar o cozinheiro, se eu assisto teatro, não tenho direito de xingar o ator,  se eu pago meu ingresso para o futebol, isso não dá direito de ofender outras pessoas, sejam jogadores ou juízes.

Futebol é um zoológico invertido em ficam na plateia os animais. E são animais selvagens.

Mas Kevin morreu, e vem torcidas rivais culpar o Corinthians, o time dos maloqueiros, desdentados e presidiários. Sim, Corinthians tem mais presidiários, mais desdentados e maloqueiros que todos os outros. Assim como tem mais advogados, médicos, policiais, padres incluindo os pedófilos, hare-khrisnas, cozinheiros, prostitutas, políticos corruptos, etc. Tem mais porque é maior, a conta é simples de fazer.

O Juventus da Moóca tem seus bandidos violentos e desdentados, mas infinitamente menos que o Corinthians, que o Flamengo ou Palmeiras. É proporcional a questão da violência no futebol porque é um problema social que transcende o estádio.

Ser humano é um animal domesticado assim como outros, como cães e gatos. Se for mal treinado, mal-amado e não for educado, só vai dar problema. A diferença é que os quadrúpedes domésticos, no máximo, mordem ou fazem xixi no sofá por rebeldia. O ser humano é pior, capaz de matar, apertar o gatilho, estourar o fogo de artifício na cabeça de um inocente.

O problema não é o torcedor maloqueiro do Corinthians, o problema está no brasileiro que não foi treinado, educado, capacitado para conviver com semelhantes. O problema é crônico e a primeira pedra desse efeito-dominó se chama “Educação”. Sem ela, dá merda, dá caos, dá tristeza.

Sem educação não se desenvolve uma economia, muito menos uma sociedade. E o Brasil é comprovadamente um país sem educação, afinal, suas riquezas não são produzidas, apenas extraídas há 500 anos, desde o pau-brasil, ouro, até o… Neymar!

É o povo errado no país certo, e assim as divindades equilibram o mundo.

A falta de educação no Brasil resulta, em larga escala, a existência de mendigos, pedintes, drogados, prostitutas, corruptos, ladrões, assassinos. Suíça também tem os seus bandidos, Coreia do Sul também tem seus mendigos, mas não é proporcional à diferença de habitantes com Brasil, e esse é o “X da questão”.

Suíça, Alemanha, Coreia do Sul e tantos outros “desproporcionalizaram” Violência x Habitantes porque investiram em educação, tiveram paciência, e com educação conseguiram gerar empregos, capacitaram pessoas para poder consumir e viver de forma mais justa, e assim diminuíram justificativas para violência. Eles produziram a riqueza, ao invés de extrair a riqueza.

Precisa uma morte em outro país para demonstrar que o torcedor brasileiro é primitivo?  E as centenas de vidas perdidas em brigas estúpidas entre torcidas rivais no Brasil?  O jovem boliviano não é mais importante que os Joãos e Josés que morreram no Brasil por causa do futebol. O jovem Kevin é, na verdade, a tradução dos precários valores morais, éticos e sociais que existem na “terra do futebol”.  Quanta contradição!

Enjaular 12 selvagens corinthianos na Bolívia não é a solução. Proibir a torcida do Corinthians de frequentar estádio não é a solução. Isso apenas remedia um problema e tapa apenas um dos furos do barco, que continua cheio de água e naufragando.

O problema vai além do Parque São Jorge e de Itaquera. É um problema nacional que, sendo assim, deveria o futebol brasileiro ser suspenso até que se crie condições minimamente humanas para convívio com semelhantes.  O Brasil merece cartão vermelho. Vermelho de vergonha.

É preciso ir atrás da causa de pessoas violentas existirem, assim, quem sabe daqui uns 30 anos, outros Kevins não terão seus sonhos interrompidos por rojões e poderão viver a infância como ela deve ser: pura e sonhadora.

Marcio Vieira

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A ganância contra o povo

19/04/2012

Corinthians é o time que mais arrecada em jogos. Embora sua média de público não esteja muito acima dos rivais, o que destaca é o valor do ingresso que é o mais caro do Brasil.

Arrecadar 1.6 milhão de reais, como no último jogo, é um rendimento considerável que ajuda os cofres do alvinegro. No entanto, há de se destacar alguns pontos deficitários que, em três jogos de Copa Libertadores no Pacaembu, não foi resolvida: a taxa de ocupação.

No jogo contra o Deportivo Táchira, da Venezuela, o público total foi de 29 mil espectadores, num estádio que abriga quarenta mil torcedores. Ou seja, foram 72% de ocupação, muito aquém dos números de times medianos do futebol europeu, o que dirá dos gigantes do velho continente.

O principal fator de mais de dez mil lugares vazios no estádio é o custo do ingresso. Quase que a totalidade desses ingressos está nos setores das cadeiras, em que o Corinthians cobra valores astronômicos. Assim, o Corinthians deixa de arrecadar CENTENAS de milhões de reais por… ganância.

Ganância?!? Sim. Incompetência e falta de inteligência são perfeitamente somáveis à ganância dos administradores do clube.

O Corinthians não encontrou ainda a curva de consumo do seu torcedor em todas as áreas: não sabe cobrar o valor pelo uniforme que dê um lucro sustentável, assim como não sabe cobrar pelo ingresso, que deixa o estádio cada dia mais vazio. O aumento abusivo no preço dos ingressos afasta a grande maioria, deixando o evento elitizado. Uma completa contradição, quando se trata do “time do povo”.

Povo rico, esse, que não aparece no estádio. São pessoas que preferem o conforto da poltrona e o pay-per-view, que não tem o costume de ir ao Pacaembu, deixar carro longe sob a guarda de um flanelinha que cobra quinze reais, que não se dispõe a andar um quilômetro até o estádio desviando de barraquinhas de sanduíches de pernil, espetinhos de churrasco ou vendedores de cerveja.

Todo clube tem sua torcida de almofadinhas, e o Corinthians, contrariando a imensa maioria dos brasileiros que acha que é o clube dos desdentados e favelados, é o time que mais tem torcedores, proporcionalmente, às classes A e B em todo o Brasil.

Porém, àqueles que costumavam sentar na cadeira coberta do Pacaembu não estão mais lá: ou hoje vão para o bar assistir pela TV, ou mudaram de setor do estádio e foram para as cadeiras descobertas (Setor Laranja). Em efeito dominó, os que assistiam na Laranja mudaram de área também porque não aguentam pagar o preço atual, assim superlotaram a sempre lotada arquibancada, o “setor popular”.

Setor popular este que cobra 35 reais por jogo, e que não tem nada de popular no perfil dos ocupantes. Se fizerem uma pesquisa em frente ao portão principal do Pacaembu, aposto que mais de 50% já têm ou está cursando ensino superior. Aposto ainda que pelo menos dois terços da ocupação da arquibancada tem torcedores com rendimentos mensais acima dos mil reais mensais.

Esqueceram que aqui é o Brasil. E clubes como o Corinthians aproveitam a paixão e fidelidade de milhares de torcedores para que tais comprometam sensivelmente a renda familiar, direcionando o valor para ver o time no estádio.

Não apenas o desrespeito à massa corintiana, há ainda uma falta de inteligência tremenda da diretoria do Corinthians não otimizar o potencial que o Estádio do Pacaembu tem em fazer dele um verdadeiro inferno para os adversários, com uma multidão enlouquecida gritando o nome Corinthians.

Foram, no jogo de ontem, 28% a menos de vozes, de gritos, de impulso que dá energia ao Corinthians. Foram pelo menos quinhentos mil reais a menos de arrecadação ao clube.  E o que a diretoria faz para mudar?  Nada!

Tive a oportunidade, ano passado, de assistir um jogo na tribuna. Sabe aquelas cadeiras pretas separando da amarela? Então, para quem não sabe, a tribuna é onde, praticamente, ninguém compra ingresso.

São ex-jogadores, familiares de jogadores, filhos de diretores ou outros componentes da direção, empregados, etc. São pessoas que pegam seus ingressos no Parque São Jorge, gratuitamente, e vão para o estádio, entram num portão com um segurança de terno e gravata, e, no intervalo do jogo, vão para os comes e bebes naquele salão que é um viaduto de quem vê pela rua.  Tudo de graça, salvo raríssimas (e põe raríssimas mesmo) exceções que pagam os 300, 400 reais de ingresso para ter esse tipo de serviço.

E o mais absurdo do jogo de ontem é a falta de comunicação com a direção da equipe adversária. Já eliminado, o Deportivo Táchira não tinha expectativa positiva nenhuma no jogo, assim, não foram nem uma dúzia para apoiar o time venezuelano.

Ora, Direção do Corinthians, vocês não poderiam entrar em contato com o adversário, e oferecer aos tais torcedores as cadeiras pretas e os quitutes, cafezinho e sanduíche de metro, como anfitriões do espetáculo?

Pior que isso foi o pensamento engessado da Policia Militar em fazer aquele cordão de isolamento bizarro no Tobogã, diminuindo a capacidade deste setor, sendo que seria impossível qualquer tipo de ataque de sacolas cheias de urina. Enfiam mais uns trezentos corintianos naquele canto baixo do Tobogã para gritar pelo clube, que será de grande ajuda.

Resolvendo a questão dos doze torcedores do visitante, liberaria quase cinco mil lugares, àqueles destinados aos visitantes, para a torcida do Corinthians lotar um setor que poderia ter o mesmo preço da arquibancada, já que ambos os setores tem como conforto o cimento duro.

Ora, por 35 reais (preço aproximado do Fiel Torcedor), multiplicado por cinco mil, somariam R$ 175.000,00 à renda. Porém, mais que o valor no caixa do clube, seriam outras cinco mil vozes no jogo, que fazem diferença.

O Corinthians tem a obrigação de colocar pelo menos 90% da carga máxima de torcedores no estádio para jogos da Libertadores. E não é culpa da torcida não lotar o estádio, e sim é a ganância e mesquinharia da direção do clube, achando que o Pacaembu tem estrutura que valem a cobrança de ingressos acima dos cem reais. Ora, o Corinthians tem torcedores ricos, muito ricos, só que a maioria deles não vai se enfiar num estádio que não tem estacionamento, que não dá dignidade ao torcedor.

Daqui a pouco, o cachorro morde o próprio rabo. Basta ver a média fraquíssima de torcedores do time nos jogos do campeonato estadual. A torcida não tem condições de pagar esse absurdo de ingresso, sendo que há todo um ritual dos torcedores: são cervejas (3 reais por lata), são churrasquinhos, sanduíches de porta de estádio, ônibus, etc., que encarecem o custo de ir para o jogo. É praticamente impossível, somando os valores, um torcedor gastar menos de cinquenta reais num jogo.

Multiplique isso por, na média, seis jogos por mês.  São trezentos reais para os torcedores de arquibancada ficar no sol e na chuva pelo time. Hoje, embora cante com a mesma força e vibre com a mesma energia, quem está lá não é o povo histórico que carrega esse time há um século. Hoje é a classe média (da média baixa à média alta) que ocupa esses lugares, deixando socioeconomicamente povo em casa.

A gestão do clube é deficitária e a cada dia que passa se distancia dos torcedores. São camisas custando 199 reais, algo que estimula a pirataria, que encontra um campo vasto para vender as “réplicas” por 20, 30 reais. Se a camisa original, no lançamento, custasse 80, 90 reais, será que os produtos piratas sobreviveriam? Aposto que não sobreviveriam porque haveria um esforço do torcedor em pagar, duas ou três vezes mais, pelo produto original. Mas hoje, a diferença chega a dez vezes mais caro, distanciando o torcedor do clube.

O mesmo se trata com ingressos. Se há dez mil lugares vazios, que vendam esses ingressos horas antes do jogo por dez reais. É um investimento importante e necessário, que fortalece muito os jogadores. Competente seriam se colocassem ingresso por preços mais justos, lotando o estádio em respeito ao próprio Corinthians.

Cobrar mais de cem reais num ingresso é um absurdo, em se tratando de Corinthians. Soma-se tal exploração aos quinze reais do flanelinha, os vinte reais das cervejas, o sanduíche, etc., impossibilitando para a maioria dos Brasileiros.

A diretoria do Corinthians está silenciando o principal jogador que o time teve, e sempre vai ter: a sua torcida.

Grandes marketeiros da República Popular do Corinthians… Aonde é Popular, mesmo?


As duas torcidas brasileiras

06/12/2010

Terminado mais um campeonato brasileiro e, consequentemente, o ano calendário do futebol brasileiro, o qual Fluminense conquistou seu segundo título por méritos, principalmente, do competente treinador e de um excelente jogador: o argentino Conca.

Depois de 37 rodadas, apenas três equipes tinham condições de levantar a taça, e os tricolores do Rio de Janeiro, na frente, não deram margens ao azar, deixando Cruzeiro e Corinthians ficarem com o vice e terceiro lugar, respectivamente. As outras ficaram pra trás, muito pra trás.

Mas o motivo principal para eu tecer algumas linhas não é a glória fluminense, mas sim a alegria da imensa maioria no Brasil. Hoje amanheceram com sorrisos abertos mais de uma centena de milhões de pessoas motivadas principalmente não pela conquista, mas sim pelo insucesso do Sport Club Corinthians Paulista.

Fogos nas ruas, notícias destacadas em jornais, e chuva de mensagens em redes de relacionamento reforçaram, mais uma vez, uma tese que já defendi em conversas de botequim: O Brasil só tem duas torcidas, e ambas são reflexos do que o Corinthians faz ou deixa de fazer: Corinthianos e Anti-Corinthianos.

Já ouvi, e não foram poucas vezes, que a maior alegria de muitos no futebol é ver o fracasso Corinthiano. Tais pessoas dizem ser sãopaulinas, palmeirenses, colorados, gremistas, cruzeirenses, flamenguistas, vascaínos, santistas, atleticanos, etc., mas no fundo, no fundo, para tantos, salvo algumas exceções, tais clubes são secundários porque o que eles gostam mesmo é de ver a derrocada do Corinthians.

Foi assim no rebaixamento em 2007, foi assim nas várias tentativas dos paulistas na Libertadores e, ontem, novas festas e alegrias emanaram com o troféu erguido pelos jogadores do Fluminense.

É uma maneira triste e depressiva de expor sentimentos, quando se torce pelo fracasso do rival. Prova-se isso, ainda mais, com os incoerentes anti-corinthianos que zombam contundentemente o atacante Ronaldo, esquecendo-se que tal jogador foi determinante para todos comemorarem Copa do Mundo, proporcionando felicidade para vocês, brasileiros anti e pró Corinthians.

É ridícula a falta de respeito à um dos maiores jogadores da história do Brasil e do mundo. E isso acontece só porque ele joga no Corinthians. “Eu tenho raiva do Corinthians”, “eu odeio o Cúrintia”, são frases automáticas e corriqueiras faladas em todo o país, que extrapolam os limites de uma saudável consciência esportiva, do reconhecimento da superioridade e/ou inferioridade de rivais em uma competição.

As brincadeiras com derrotas são normais com todos, mas é impressionante, quando envolvem o Corinthians, o transparecimento de ódio, rancor e aversão ao clube alvinegro. À estes tristes indivíduos que buscam felicidade a partir do fracasso do oponente, juro tentar compreendê-los, mas é difícil.

Só o Corinthians, de fato, vai além do significado de ‘torcer’. São seguidores apaixonados que empurram com vozes, suor, sangue, coração e pulmão durante toda vida. Só o Corinthians tem fiéis, numa fidelidade clara ao clube, à história de lutas, mesmo sabendo que pertence à uma minoria, afinal são só trinta milhões contra 160 milhões pertencentes à outra torcida.

Aos rivais sempre insatisfeitos pelo espaço reservado ao Corinthians na mídia, entendam que a conta não está errada, afinal, o espaço Anti-Corinthians sempre foi maior porque precisa subdividí-lo em pequenas cotas temporais para divulgar alguma informação dos outros clubes.

Corinthians é sempre o mais comentado, quer vocês tenham mais títulos ou não. Recorda-se, também, que um dia após um título do São Paulo, o assunto mais falado não era tal título, mas sim a contratação de um jogador pelo Corinthians, no caso, o atacante Ronaldo.

Num singelo paralelo, anti-Corinthiano tem a mesma felicidade de, quando você está com uma mulher bonita, você se sente bem porque a mulher do seu amigo é feia. Oras, seja feliz pelo que você é ou faz, não por motivos externos.

Quer rivalizar, disputar, que seja para demonstrar sua superioridade, afinal, “o bom competidor deseja sempre que o seu oponente esteja na melhor forma”, assim sua vitória será mais doce pois sua força será determinante à glória, e não o insucesso do rival.

À maioria, os anti-Corinthians, peço um favor: contabilize as horas da vida de vocês as quais vocês pensam no Corinthians. Eu faço uma aposta que será, no mínimo, 5 vezes maior o tempo que os Corinthianos gastam para comentar seus clubes, afinal, não damos mais atenção do que realmente merecem.

Há uma diferença abismal entre dizer ‘eu te amo’ e ‘eu não te odeio’. Ontem, mais uma vez, isso ficou claro. Se sua felicidade é condicionada no momento que se diz “centenada” e “chupa gambá”, está provado que falta amor à sua vida.

Corinthians, amo-te!

Marcio Vieira


Uma criança de 100 anos

31/08/2010

Sport Club Corinthians Paulista.

Quando se falar do Corinthians, esqueça teorias, esqueça ciência exata, esqueça tudo que diz respeito à logica. Esqueça, não precisa abrir nenhum livro, google, nada disso. Abra apenas o coração.

Corinthians, desde sua fundação, é feito de amor. Amor passional, amor impossível, platônico, irracional, amor que cega, que nos faz voar, que nos permite saborear a vida.

Bom Retiro, há 100 anos, colocaram o primeiro tijolo de amor. Sim, é um clube de operários, não no sentido simbólico da função, mas sim no sentido do verbo “operar” para realizar, viver de construir.

E quem não opera nesta vida? Somos todos peões! Corintianos que arregaçam as mangas, que transpiram, que movem, que mudam, que realizam.

Sim, também somos os peões sem cultura, sem dentes e sem emprego que as torcidas rivais tentam vender tal imagem. E quer saber? Que sejamos assim também, vira-latas que lutam por sua comida, sua sobrevivência. É assim que construímos nossa história, é a rua que nos deu força e a nossa garra. Nascidos para lutar.

Surgimos das ruas. A rua de botecos, de carnes loucas, pinga e pernil, é na rua violenta, perigosa, chuvosa que percorreremos, afinal não nos afugentamos, não nos escondemos. Se o sol não vier, não tem importância, a festa na favela será a mesma.

Somos pretos e pobres, retirantes e mendigos. Boêmios, vivemos! Assim somos nós quando entramos no Pacaembú. No caminho, deixamos  nossos ternos de magistrados e empresários, ou ternos dos, talvez, seus seguranças e nos juntamos vestidos de branco e preto.

Não importa quem, somos todos desdentados sem saber a concordância das palavras, e estaremos todos lá: o dono do cimento ao pedreiro, do ladrão ao juiz, do baleado ao cirurgião, do poeta ao analfabeto, do fazendeiro ao peão.

Somos todos iguais, somos feitos de emoção porque nos permitimos abrir o coração. Somos jovens, somos sonhadores, vivemos nosso mundo e carregamos este clube.

Nós não somos torcida. Termo, este, muito limitado para o Corinthians. Nós somos um povo espalhado pelo mundo. Nosso território é a nossa carne. O mar: nosso sangue; a lei: nosso grito.

Convocamo-nos não para guerra. É apenas futebol. Apenas gostamos de tal esporte, e gostar é muito aquém ao amar. Nosso amor é o Corinthians!

É por ele que vivemos, é por ele, porque nós somos o Corinthians. Não são os onze lá embaixo, não são as conquistas, campeonatos, vitórias. O Corinthians somos nós.

Corinthians é um sentimento que resume tantos outros: amor, paixão, tesão, alegria, felicidade. Sinceridade, a transparência e luta de milhões de jovens ao longo dos cem anos.

Parabéns pelos 100 anos. É pouco, Corinthians é uma criança. Não tem relógio, calendário nem tempo para explicar o que é Corinthians porque amor não se mede, amor não se explica, apenas sente.

E Corinthians é eterno.

Parabéns para o Corinthians! Parabéns para nós!