Raios, não é a Dilma!

21/06/2013

Congresso

Com tantas manifestações de opiniões das mais variadas vertentes, vou transmitir a minha também.

O Brasil é composto por três poderes (Executivo, Judiciário e Legislativo) em três esferas (Federal, Estadual e Municipal). Ok, todo mundo sabe isso, ou deveria saber.

Para mim, o grande vilão, se é que se pode chamar assim (para não escrever merecidos palavrões) é o Poder Legislativo, e vou tentar explicar:

A quantidade de deputados e vereadores no Brasil é desproporcional com outras nações.

Só para dar um exemplo: os Estados Unidos (com 50 Estados) tem 529 Deputados Federais para uma população aproximada de 320 milhões de pessoas, o que dá uma média (conta burra, eu sei) de 1 deputado para cada 610 mil habitantes. No Brasil (com quase metade das unidades federativas em relação aos EUA), são 513 deputados para uma população de  200 milhões, o que resulta num número 1 deputado para cada 380 mil habitantes.

Se os EUA forem o exemplo a ser seguido, para chegar em 1 deputado para cada 600 mil habitantes, deveriam ter 333 deputados federais no Brasil, ou seja, uma redução de 35% no número de representantes, algo que se aplicaria também às casas legislativas estaduais e municipais.

A Constituição Federal limita o número mínimo e máximo de vereadores, deputados estudais e federais, portanto, é possível sim reduzir o número desses representantes, o que daria fôlego financeiro para resolver outros problemas.

Com tanto cargo, o Poder Legislativo é literalmente a casa da mãe Joana, estimulando o maior cabide de empregos do país. Só para se ter uma ideia, cada Deputado Federal pode contratar 25 assessores.  Pra que tanta gente?

No que isso resulta: troca de favores. O candidato eleito fica amarrado aos investidores de suas campanhas, tendo que agraciá-los com milhares de cargos de confiança (os não-concursados), isso sem contar as obscuras licitações.

O fato é que há muita gente para “representar” o povo, sendo que as recentes manifestações são claras: não há eficiência em tal representação visto que estão todos indignados, revoltados, com o descaso com a sociedade.

Essa quantidade absurda de cargos estimula outro grave e vergonhoso problema do Brasil: oportunidade para “Candidatos Fantoche”. Sim, são aqueles pseudo-famosos que iniciam a vida política numa lucrativa troca: o famosinho oferece sua “notoriedade”, enquanto o Partido Político explorará o tráfico de influência em votações no plenário, além dos generosos salários dos cargos de confiança.

Assim, Dep. Tiririca, Dep. Popó, Vereador Marquito, Agnaldo Timóteo, e outras aberrações políticas assumem cargos no Legislativo sem qualquer conhecimento e pior: sem qualquer motivação social para querer desenvolver o país.

Se tivermos um Poder Legislativo mais enxuto, além da diminuição dos gastos em salários, ocorrerão outros impactos fundamentais: haverá maior peso nas decisões dos parlamentares e, o primordial para hoje: as pautas serão mais rápidas, decisões mais rápidas, aprovações de reformas mais rápidas, etc.

Raios, não é a Dilma! (nem Lula, nem FHC). É o Poder Legislativo que ferra o país. O Executivo tem enormes responsabilidades, é outro lugar inchado com muita gente que não deveria estar lá, mas ele não é o maior problema para a situação catastrófica que o Brasil.

Está no Legislativo o maior buraco negro da política. Está lá o maior número de traidores de ideologias sociais, onde adoram pular de galho, mudar de partido por interesses financeiros e, por mesquinharia política, travam todo o sistema deixando de aprovar as reformas necessárias.

E se tudo fica travado, qual é o primeiro que tem o c* na reta?  O Presidente. É contra ele que a população vai se revoltar de início, mal sabendo que o Poder Executivo não decide nada sozinho. Relembre, são 3 poderes em “mãos” distintas.

Isso aqui não é uma Ditadura!!! E espero que não se transforme, apesar da intenção de muitos que estiveram nas passeatas pregando discursos de extrema direita que incluía até Golpe de Estado.

O presidente é eleito por maioria de votos. É um claro exemplo de respeito à democracia, observando o interesse da maioria da população. Diferentemente do Legislativo, com tantas regras de eleição ultrapassadas e protecionistas.

Eu sou muito favorável na redução do número de parlamentares nas três esferas em pelo menos 25%. Sou completamente favorável em cortar todos os auxílios que os parlamentares desfrutam. Sou a favor de todos os parlamentares serem obrigados a bater cartão e cumprirem metas. Não cumprindo, que seja demitido, assumindo o não-eleito com maior votação.

Sou favorável também em proibir candidatos muito votados possam eleger outros da mesma legenda que tiveram poucos votos. Enéas fez muito isso, Tiririca fez, Clodovil e tantos outros, dando cargos políticos para pessoas com pouquíssimos votos. Oras, com poucos votos, fica claro que o eleito não tem representatividade com o povo.

O país está em crise, e é preciso cortar gastos. Dinheiro há, e há muito, o que falta é direcionar para as necessidades, e devendo cortar gastos com tanto político que não tem nenhum compromisso com o desenvolvimento do país.

É assim em qualquer momento de crise em empresas ou na própria casa de cada um.  Se a coisa vai mal, diminuir gastos é fundamental. Corte de empregos nas empresas infelizmente é natural e, quando atinge a própria casa, corta a tv por assinatura, deixa de ir ao cinema, deixa de comprar pizza às 4as., cortando assim o supérfluo.

Pelo que eles fazem hoje, considero uns 200 deputados federais, no mínimo, supérfluos à sociedade.

É preciso limpar, mas respeitando a democracia e o pluripartidarismo que temos hoje.

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E depois de protestar?

21/06/2013

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Tem gente que chegou agora é quer sentar na janela. Calma, não é bem assim, pessoal. A janela está livre, assim como o corredor também está cheio de lugar vazio: tem espaço para todo mundo.

Todos são legítimos para protestar, é um direito constitucional, então, quem quiser, que o exerça! Do it Yourself!

Ocorre que tem muita gente gritando para “parceiros de marcha” abaixarem suas bandeiras. Abaixar por quê? Quem é maior ou quem é menor que quem?

Já fui em trocentos protestos, de microscópicos com uns 20, 30 manifestantes, até os mais recentes, com 300 mil pessoas. E quase sempre vi, ao menos, uma bandeira do PSTU, só pra citar um exemplo. A CUT sempre está presente reivindicando o que eles acham justo.  Tem muito mimimi contra tais bandeiras de gente que chegou agora. Vão com calma.

Não se pode ofender, criticar, ou mandar alguém abaixar a bandeira partidária só porque você não concorda. Deve ser respeitada as diferenças, afinal, cada um tem suas prioridades, opções, valores e crenças. A intolerância às diferenças tem nome: Fascismo!

Se é certo ou é errado, quem sou eu para ofender a atitude dele. Minha opinião não determina os passos de ninguém afinal, isso aqui é uma democracia.

O que não pode é classificar tais opções da sociedade como doença, como o Dep. Feliciano faz em clara perseguição aos homossexuais. Hitler perseguiu judeus, Europeus escravizaram e negociavam negros africanos como se fossem animais, e o que tal deputado faz é exatamente a mesma coisa: impor próprias convicções, restringindo a liberdade de outros.

As atuais manifestações demonstram uma clara insatisfação e, aprofundando na questão, percebe-se um enorme vazio de milhares de pessoas que estão as ruas sem saber o que querem realmente. Saber o que quer é dificil em diversas situações (principalmente depois de cultivar novelas, big brother e tantas merdas no cérebro), então que comecem excluindo aquilo que não desejam.

Milhões de brasileiros são responsáveis pela instalação de um certo caos, e é de se comemorar! Se não há ideias claras, e com tanta gente dividindo a mesma marcha por inúmeros motivos,  causar incômodo nos governos é a primeira etapa.

Parar cidades!  Tirar novela do ar para transmitir protesto!  Parabéns! Agora faça desse espaço conquistado um hábito: discutir política, defender causas, se interessar por assuntos que interferem na sua própria vida, e que condicionam seu próprio futuro.

Tais manifestações causaram reuniões extraordinárias de prefeitos, governadores, ministros e diversos outros políticos, com algumas dessas reuniões tendo a participação de representantes das manifestações, e isso transparece o maior problema da história do Brasil: A falência de um sistema político arcaico e inchado que não é capaz representar o povo.

Representar o povo não significa atender minhas necessidades. Representar o povo é, antes de tudo, ouvir o povo, algo que não acontecia porque o povo não falava.

Graças aos protestos, as orelhas de todos os políticos estão levantadas. Agora, para todos esses que estão nas ruas, é tempo de se interessar por política e discutir propostas, dando sempre liberdade de escolha para isso aqui não virar uma ditadura.

Você está preparado?


O boy do iphone

14/06/2013

egitocelular

Muita gente, sempre via redes sociais, está criticando as manifestações contra aumento do transporte público por ser um movimento com muita gente da classe média, muitos com carros, sendo pessoas que usam pouco ônibus e metrô.

Expressar opinião é de direito de cada um, há de se respeitar. Por exemplo, eu sinto vontade de vomitar quando alguém compartilha textos do Arnaldo Jabor. Tem gente que gosta, o importante que a internet dá espaço para todo mundo.

Para quem não sabe, a Primavera Árabe foi iniciada por estudantes, boa parte da classe média, que utilizaram o Facebook, Twitter e outras ferramentas da nova sociedade para reunir pessoas com uma mesma opinião, de derrubar regimes ditatoriais.

A classe média está indo para as ruas do Brasil, e por um motivo que deveria orgulhar os almofadinhas: de alguma forma, eles estão dando a cara à tapa para representar os mais pobres, os que dependem de um transporte público eficiente.

Quem está levando bala de borracha tem Facebook. Quem se engasga com gás pimenta está no Twitter. E qual o problema?  Se o boy do I-phone faz mais que você para tentar mudar o país, parabéns à ele!  Que apareçam mais gente com seus smartphones para compartilhar e reunir mais insatisfeitos.

A luta não é por 20 centavos. A luta é por viver dignamente. A luta é contra a dificuldade de viver em São Paulo, seja você rico ou pobre. Dignidade não tem classe social, não está na roupa do Brás ou do Iguatemi. Dignidade está dentro de cada um para agir e reagir da forma como quiser.

É de se comemorar que as pessoas privilegiadas de São Paulo, com acesso à informação e à tecnologia, resolveram botar a pele em risco. Perceberam que ser somente Ativistas de Pantufas não gera solução, e finalmente a revolta deixou as mesas de bar e foi para as ruas.

Se há gente que discorda dos protestos, o espaço para opinar é de todos. Se há críticos às manifestações, utilizem as mesmas redes sociais para se juntarem debaixo do Masp ou no Ibirapuera para não atrapalhar o trânsito. E melhor será se utilizarem o eficiente e confortável sistema de transporte público para chegar em tais lugares.

Porém causar incômodo é necessário para transparecer a insatisfação contra os representantes da sociedade. Caos não é sinônimo para violência ou depredação. Parar as já caóticas avenidas paulistanas é fundamental, do contrário, sua petição online vai ficar no fundo da gaveta do prefeito e do governador.

Está afim de esperar?

Esperar um dia que Haddad, Alckimin, ou qualquer outro representante irá refletir, meditar e, voluntariamente, decidir abaixar os impostos? Abaixar os preços das passagens de ônibus e metrô?   Que mundo você vive?

Deve-se ir às ruas, e dane-se se há um i-phone no bolso ou uma prestação das lojas marabraz. O que importa é transparecer o que se acredita, fazer valer a própria voz.

Protestar não é uma ação. É reação! Passe Livre é uma forma de reagir àquilo que está sendo feito, ou melhor, ao que não está sendo feito.

Marcio Vieira


Dividindo o Yakult

21/03/2013

yakult

Andei refletindo sobre um tema após ir nas passeatas promovidas contra Marco Feliciano. Muitos protestam, mas poucos vão. Já participei de outros movimentos, mas sempre saio com dois sentimentos: um de “dever cumprido” e outro de “desânimo”.

Dever cumprido pois saí, apresentei minha indignação, atravessei a cidade para me juntar com outras pessoas que tiveram a mesma atitude. O Desânimo acompanha porque, com tanta barulheira na internet, a expectativa é sempre maior, de ver mais gente, de ver mais efeito, de ver mais resultado.

Confesso que poderia ir milhares de vezes mais, participar mais. Nunca será o suficiente quando tem tanta coisa errada que precisa de mudança imediata.

Infelizmente o brasileiro não cultivou a “cultura do protesto”. Muita gente não sabe que protestar é a forma mais contundente de demonstrar cidadania. Mostrar-se presente. Atuante. Transparecer que há uma opinião contrária, enfim, dizer nas ruas um sonoro “Não!”

Isso invejo muito dos nossos vizinhos. Argentinos batem suas panelas, lotam as ruas. No Chile, também vão, e muito, para as ruas. Uma das últimas manifestações dos chilenos foi para protestar contra a qualidade do ensino!  Oras, não é falta de professores, não é falta de carteiras, materiais escolares, escolas pichadas, falta de transporte escolar, etc. Eles protestaram contra a qualidade daquilo que se ensina! Daquilo que se aprende!

Protesto é feito para querer mudar algo que caminha de forma errada. Protestos são realizados para querer um futuro diferente daquilo que é pré-anunciado, daquilo que é projetado.

É preciso ir para as ruas, faz bem se sentir cidadão nessas horas. Mostrar que está preocupado com o que está sendo feito, sem apatia.  Se o brasileiro se acostumar a usar essa arma que tem, muita coisa vai ser mudada e, mais ainda, muita coisa vai ser evitada.

Governo corrupto é igual aquele amigo fdp que pede um gole de Yakult. Já é pouco, e assim querem pegar metade. É de se revoltar! Mostre, então, a revolta!

Mas o que não entendem é que quem está no poder é o reflexo do que está no povo. São apenas maus representantes de um povo composto de maus cidadãos. E ser mau cidadão não é culpa de escola, não é culpa de falta de saúde, falta de trabalho, falta de transporte.  Para diagnosticar um mau cidadão, basta um espelho.

O silêncio transmite indiferença. Achar que “ativismo de pantufas” em casa funcionará e o Brasil melhorará, sinto muito em desaponta-lo. Tem muita gente na rua que precisa ser encorajada, e isso depende de passos e decisões de cada indivíduo.

É preciso bater panelas, é preciso gritar, é preciso se indignar para, num primeiro momento, ter a oportunidade de discutir uma situação. Do contrário, tudo isso não passará de uma conversa de bar, de um “post” no Facebook.

E não fique com medo se serão só 10 pessoas, se só serão 1.000. Ao invés de enxergar esse número externo, enxergue e valorize os 100% de você na causa que for abraçar.


Quem se cala, não peca

19/03/2013

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Passaram-se duas semanas da posse do Deputado Marco Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Duas semanas é muito tempo para ficar em silêncio.

Não das minorias, que muitas foram às ruas, revoltadas com a nomeação ridícula de alguém que mostra completo desconhecimento com a “pasta” que vai cuidar.

O silêncio é decepcionante quando vem que quem menos se espera. Uma mulher não pode ficar em silêncio. Uma mãe. Uma mulher filha de imigrante. Uma mulher que lutou por espaço em um ambiente masculino. Uma mulher que lutou contra ditadura não pode ficar calada. Uma mulher Presidente da República não pode fingir que o problema não é dela.

Dilma Rousseff é minoria, também. Todos, os que demonstram opinião, fazem parte da minoria em algum tema, e quem se sente minoria transpira indignação pela nomeação do Pastor Feliciano, que já explicitou inúmeras vezes preconceito contra quem deveria proteger.

Aonde está a indignação da Dilma? Ou da oposição ao governo, aonde está tal indignação?

Mas o silêncio da presidente é justificado pelo medo. Medo de segurar uma bandeira, medo de escolher um lado. Medo de perder eleitores. E não foi só ela que ficou calada. A grande maioria dos políticos ficou calada. Todos têm opiniões, mas quando o assunto é religião, quem se cala, não peca.

Foi assim nas últimas eleições presidenciais quando o assunto foi aborto. Dilma quase “escorregou” ao defender o aborto em casos específicos, mas teve que engolir sua opinião para não perder votos dos cristãos. E o José Serra, no seu costumeiro desespero, tentou aproveitar a situação para ganhar aqueles votos religiosos. Em vão.

Fernando Henrique Cardoso perdeu, para Jânio Quadros, uma eleição praticamente ganha a prefeitura de São Paulo por causa do mesmo tema: crença religiosa. Se tem, qualquer que seja, ou se não tem crença, não interessa! Se é gay, se é bissexual, não interessa para ninguém! A pessoa deve ser eleita por motivos além de escolhas de vida individualizada.

Religião nunca deveria ter influência na política, seja ela qual for e do tamanho que for. Deveria ser proibido partidos políticos sustentados, em boa parte, por Igrejas. Fica claro que tais partidos vão defender primeiro seus interesses específicos antes de representar a coletividade.

E este caminho, o de Cristãos no poder, demonstra ser um caminho sem volta. O problema não é um cristão (seja católico ou evangélico) estar no poder, a preocupação está em saber analisar as necessidades de um povo que vai além de uma crença e, ainda mais podendo ser contrária ao que a religião prega, como a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por tais casais, a questão de liberar o aborto, a discriminação aos negros, aos retirantes, aos imigrantes ilegais, respeitar e ouvir as mais infinitas diversidades, etc.

Acreditar que Deus, seja ele em qual forma, é quem direciona uma nação, é de uma cegueira monumental. É primordial respeitar as diferenças, quando existentes, e a política surgiu como forma “civilizada” de diálogo entre as diferenças, onde deve-se presumir que a coletividade sobrepõe ao individual.

Crença ou a falta dela, por milhões de devotos que possam existir, é uma questão individual que não pode ter tanto espaço na política como é dado no Brasil no atual momento, a ponto das lideranças, seja a Presidente Dilma, seja os aliados do governo, ou seja da oposição, terem medo de manifestar repúdio à infeliz indicação e eleição do Dep. Marco Feliciano.

Marcio Vieira


Cartão Vermelho, vermelho de vergonha

22/02/2013

vermelho

Morreu Kevin aos 14. Quando morre uma criança, um adolescente, morre também o futuro e os sonhos que jovens carregam nos olhos e no coração.

Adultos são pessoas chatas, mal-amadas, cheias de ressentimentos e moldadas pelo socialmente correto, coisas que as crianças não sabem ainda o que é, por isso os sonhos são mais belos e puros. Em resumo, com o passar dos anos é estragada a essência das pessoas.

Alguns desses adultos estragados, infelizmente, carregam ódio no coração por uma infinidade de justificativas: falta de educação, falta de emprego, problemas estruturais na família, desigualdade social, racial, etc etc etc.

E tais pessoas, em determinados momentos, viram selvagens truculentos. Estádio é o destino, ingresso é a carta de alforria para poder gritar, xingar, afinal, se pagam ingresso tem direito de xingar!  Isso já escutei da boca de renomados jornalistas esportivos.

A ignorância perdeu o controle…

Não, meu caro!! Se eu pago a lavagem do meu carro, não tenho direito de xingar o lavador. Se eu pago meu almoço, não tenho direito de xingar o cozinheiro, se eu assisto teatro, não tenho direito de xingar o ator,  se eu pago meu ingresso para o futebol, isso não dá direito de ofender outras pessoas, sejam jogadores ou juízes.

Futebol é um zoológico invertido em ficam na plateia os animais. E são animais selvagens.

Mas Kevin morreu, e vem torcidas rivais culpar o Corinthians, o time dos maloqueiros, desdentados e presidiários. Sim, Corinthians tem mais presidiários, mais desdentados e maloqueiros que todos os outros. Assim como tem mais advogados, médicos, policiais, padres incluindo os pedófilos, hare-khrisnas, cozinheiros, prostitutas, políticos corruptos, etc. Tem mais porque é maior, a conta é simples de fazer.

O Juventus da Moóca tem seus bandidos violentos e desdentados, mas infinitamente menos que o Corinthians, que o Flamengo ou Palmeiras. É proporcional a questão da violência no futebol porque é um problema social que transcende o estádio.

Ser humano é um animal domesticado assim como outros, como cães e gatos. Se for mal treinado, mal-amado e não for educado, só vai dar problema. A diferença é que os quadrúpedes domésticos, no máximo, mordem ou fazem xixi no sofá por rebeldia. O ser humano é pior, capaz de matar, apertar o gatilho, estourar o fogo de artifício na cabeça de um inocente.

O problema não é o torcedor maloqueiro do Corinthians, o problema está no brasileiro que não foi treinado, educado, capacitado para conviver com semelhantes. O problema é crônico e a primeira pedra desse efeito-dominó se chama “Educação”. Sem ela, dá merda, dá caos, dá tristeza.

Sem educação não se desenvolve uma economia, muito menos uma sociedade. E o Brasil é comprovadamente um país sem educação, afinal, suas riquezas não são produzidas, apenas extraídas há 500 anos, desde o pau-brasil, ouro, até o… Neymar!

É o povo errado no país certo, e assim as divindades equilibram o mundo.

A falta de educação no Brasil resulta, em larga escala, a existência de mendigos, pedintes, drogados, prostitutas, corruptos, ladrões, assassinos. Suíça também tem os seus bandidos, Coreia do Sul também tem seus mendigos, mas não é proporcional à diferença de habitantes com Brasil, e esse é o “X da questão”.

Suíça, Alemanha, Coreia do Sul e tantos outros “desproporcionalizaram” Violência x Habitantes porque investiram em educação, tiveram paciência, e com educação conseguiram gerar empregos, capacitaram pessoas para poder consumir e viver de forma mais justa, e assim diminuíram justificativas para violência. Eles produziram a riqueza, ao invés de extrair a riqueza.

Precisa uma morte em outro país para demonstrar que o torcedor brasileiro é primitivo?  E as centenas de vidas perdidas em brigas estúpidas entre torcidas rivais no Brasil?  O jovem boliviano não é mais importante que os Joãos e Josés que morreram no Brasil por causa do futebol. O jovem Kevin é, na verdade, a tradução dos precários valores morais, éticos e sociais que existem na “terra do futebol”.  Quanta contradição!

Enjaular 12 selvagens corinthianos na Bolívia não é a solução. Proibir a torcida do Corinthians de frequentar estádio não é a solução. Isso apenas remedia um problema e tapa apenas um dos furos do barco, que continua cheio de água e naufragando.

O problema vai além do Parque São Jorge e de Itaquera. É um problema nacional que, sendo assim, deveria o futebol brasileiro ser suspenso até que se crie condições minimamente humanas para convívio com semelhantes.  O Brasil merece cartão vermelho. Vermelho de vergonha.

É preciso ir atrás da causa de pessoas violentas existirem, assim, quem sabe daqui uns 30 anos, outros Kevins não terão seus sonhos interrompidos por rojões e poderão viver a infância como ela deve ser: pura e sonhadora.

Marcio Vieira


O Calheiros de cada um

07/02/2013

renancalheiros

Todo esse ânimo exaltado das pessoas indignadas (infelizmente só nas redes sociais) por causa da eleição de Renan Calheiros à Presidência do Senado me fez pensar um pouco mais, saindo da superficialidade do tema.

É muito fácil apontar o dedo para as outras pessoas, e é muito difícil cutucar a própria ferida. Por um único motivo:  cutucar ferida dói, limpar a sujeira debaixo do próprio tapete é trabalhoso, o que faz a maioria é deixar a vida passar rapidamente com essas coisas escondidas para ninguém ver. Para ninguém julgar.

Só quando a ferida sangra é que fica visível. Só quando a sujeira aparece todos enxergam. Quando o ladrão é pego, é preso. Quando o corrupto é desmascarado, pela sociedade é julgado.

– “Oh, os políticos mais corruptos do mundo afundam o próprio país”, chorarão uns.

E depois apontam à tais engravatados de Brasília o motivo do “Brasil não ir pra frente”. Sim, eles têm culpa no cartório, na delegacia, na justiça e na pqp, porém não tem culpa pela flacidez da bunda da população de tão acomodada que é. Deve-se tirar o cabresto porque o buraco é mais embaixo!

É muito fácil ser santo na vida, afinal, todos são até o dia que fizerem a merda besteira, correto?

Não, não é quando cai a auréola acima da cabeça que deixa de ser santo. Infelizmente deixa-se de ser anjo quando a casa cai e a coisa vem à tona. É quando você fica nu.

Cada um sabe o tamanho do Calheiros que tem dentro de si. Eu, por exemplo, refleti sobre meus e, num deles, o que considero mais grave, resolvi mudar de atitude: parar de dirigir após beber álcool.

Tenho sorte de nunca ter perdido alguém próximo, vítima de acidente por causa de bebida alcoólica (seja culpado ou vítima), e não consigo imaginar o tamanho da revolta que deve ser quando se perde alguém por culpa de motoristas alcoolizados. Já cheguei aos 30, e há pelo menos uns 4 anos não vejo graça nenhuma em ficar bêbado.

Sim, sou chato.

Eu nunca me arrisquei dirigindo com álcool no sangue em outro país. Medo de ser preso, de pagar caríssima fiança, medo de matar, medo de morrer.  Por que no Brasil tem que ser diferente? E quando dirigia depois de beber?

Eu voltava bem devagar pois, se desse merda, seria merdinha. Um parachoque, um amassado pequeno, sempre imaginei que não passaria disso. Ainda bem que nunca me envolvi em acidente depois de beber, pois esse é um assunto muito grave, muito mais que corrupção de covardes como Renan Calheiros, afinal, envolve a vida.

50km/h pode derrubar um ciclista que na queda pode morrer. 40km/h pode atropelar um pedestre e pode matá-lo. A merdinha seria comigo, não com os terceiros.

Dirigir bêbado é crime, e não quero desperdiçar minha vida nem das pessoas queridas do meu convívio.

Pensando no Paulo Maluf que cada um carrega, decidi parar de dirigir após beber. Se vou cumprir ou não, o tempo dirá, mas vou me esforçar para cada dia ser uma pessoa melhor, e eu sei que tenho muito ainda que melhorar.

Há outros tipos de Calheiros correndo no sangue de cada um, de não pedir nota fiscal em todos os estabelecimentos, de comprar produtos de origem duvidosa, de pedir “jeitinho” para o Contador na hora de declarar a renda, subornar fiscal, subornar policial, comprar droga, consumir droga, etc. São infinitos Calheiros e cada um sabe o peso disso.

Gandhi eternizou “seja em você a mudança que quer para o mundo”, e cabe a cada um refletir sobre seus atos. Apontar o dedo para o erro dos outros é muito fácil. Ficar indignado pelo desvio de centenas de milhões de reais também é muito fácil.

Mas e os seus próprios atos, conscientemente praticados de forma errada, desigual e até criminosa?  O que vai fazer?  Continuar do jeito que faz e, ainda assim, lutar e reivindicar por “Justiça Social”?

Incoerente, né?

A corrupção de cada um da população é o combustível que alimenta e justifica os crimes dos políticos.

Ninguém precisa apontar o dedo para mim, eu mesmo posso fazer isso pois só eu sei bem o tamanho dos Calheiros que carrego dentro da minha consciência, mas quero arrancar um por um por um único motivo: evolução.

Se eu não sou a mudança, e se eu não faço a mudança acontecer, e se eu não começar em mim o que quero para o mundo, qual sentido disso tudo?  Ou você pensa que o mundo precisa estar lindo, cheiroso, limpo justo e honesto para você começar a mudar os seus próprios hábitos?

Se você gasta tempo mostrando indignação por causa de outras pessoas, você tem tempo mais que suficiente para olhar para dentro de você.

 

Marcio Vieira