O que é Justiça?

13/12/2013

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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) julgará, na próxima segunda-feira, o caso do jogador Héverton, da Portuguesa.

Qualquer que seja a decisão da Corte, tanto haverá críticas, como elogios. A decisão deixa de ser uma simples aplicação de sentença porque haverá reflexos econômicos de grande impacto pelo fato da possibilidade de alteração do clube que disputará a segunda divisão  do campeonato nacional.

Cumprir regulamento é simples (ou deveria ser), desde que o regulamento esteja escrito de forma simples. E ele não é nada bem redigido, facilitando a subjetividade na análise do texto e, consequentemente, subjetividade na aplicação de penas.

Porém, tal tribunal, assim como qualquer outro órgão julgador, tem uma árdua responsabilidade: ser justo.

Então pergunto: o que é justiça?

Aplicar o texto legal não resultará em cumprimento da justiça. A aplicação da lei, na Inquisição, levou à fogueira pessoas que tentavam apresentar novos estudos e novas percepções acerca daquela sociedade, completamente rígida e repressora.

Pode-se dizer que os Inquisitores cometeram “justiça” (sim, justiça entre aspas mesmo) ao aplicar o texto legal, no entanto, estiveram milhas de serem justos.

Em outros tempos e em diversos países, a lei permitia escravizar negros. A lei já proibiu negros e brancos andarem no mesmo ônibus, frequentar a mesma escola, a mesma igreja, etc. O texto de lei proíbe em dezenas de países relacionamento homoafetivo, e adoção de crianças por casais gays.  Leis pelo mundo todo condicionaram a mulher à submissão por séculos, e ainda há culturas que permitem, em Leis, a repressão aos direitos das mulheres

Para os exemplos citados, será que cumprir lei é fazer justiça?  Não!

Nos dias atuais, Tribunais têm o dever de eliminar todas aspas da subjetividade, principalmente de uma palavra tão importante como é a palavra Justiça. Ser justo não significa aplicar o texto legal. Ser justo é mais que o cumprimento de regras, ser justo é mais que obedecer normas.

Para ser justo, é preciso ser e estar correto. Estar correto diante da sociedade, estar correto diante do tempo, do espaço, da cultura, sempre atualizado porque muito do que é considerado justo hoje, não será no futuro.

E sobre o julgamento da próxima segunda-feira, se eu pudesse fazer um pedido ao membros Tribunal Desportivo, pediria para considerar todos os meios que possibilitem a maior aproximação da essência e senso de Justiça.

Analisar friamente o texto de lei é uma forma perigosa e superficial de exercer opinião, e Julgadores não podem limitar suas atividades ao entendimento de normas jurídicas. Aliás, tais julgadores poderiam se inspirarem algo que, recentemente, jogadores de futebol trouxeram um bom sinônimo para a palavra justiça: O Bom Senso.

Quem, de fato, foi prejudicado com a entrada do jogador aos 33 minutos do segundo tempo num jogo “de pouca importância”? Ao meu ver, o único prejudicado foi o adversário da Portuguesa na famigerada partida, o Grêmio.

O Grêmio reclamou? O Grêmio cobrou justiça? O Grêmio se sentiu prejudicado?  Não, e é este o ponto que o Tribunal deve considerar: a interferência do jogador no resultado daquela partida.

A tabela do campeonato é secundária, assim, o justo é aplicar de forma pontual e cirúrgica a punição na esfera esportiva para que não traga efeitos para o resto dos competidores. Em outras palavras, caso o STJD considere culpada a Portuguesa, deve esta perder o ponto conquistado naquele empate, transformando o jogo em vitória do Grêmio.

E pronto! É simples aplicar a Justiça num campo onde atletas transformam praticam a justiça a cada jogo: normalmente, o melhor vence, tirando sempre as não tão raras exceções causadas por má arbitragem.

E é a má arbitragem que altera resultados no esporte. Uma má arbitragem na sua mais alta esfera, o STJD, alterará o que foi definido em campos de futebol, e interferências que vão além da pontuação de um jogo de futebol é errônea pois fere, e muito!, a disputa esportiva que envolve 20 clubes de futebol.

Punições com mais perda de pontos interfere no que foi realizado em outros jogos, e repito: quem faz a justiça no esporte não são os magistrados, mas sim os atletas.

São os jogadores de futebol os principais atores que empregam milhares de pessoas e levam milhões de pessoas aos estádios no Brasil. São eles que justificam centenas de milhões de reais investidos em publicidade, são eles que empregam uma infinidade de profissionais, como jornalistas e, porque não, são os jogadores de futebol que justificam, em boa parte, a existência do Superior Tribunal da Justiça Desportiva.

São tais jogadores de futebol os responsáveis em decidir quem é melhor, quem é pior, numa sadia disputa esportiva, e a transferência da responsabilidade dos jogadores para os Tribunais é um insulto à quem quer o Bom Senso, a boa prática esportiva e a Justiça.

Sejamos todos justos na vida, mesmo que para isso seja necessário ultrapassar os limites da lei.

A verdadeira Justiça pode aprisionar o corpo, mas libertará para sempre a consciência.

Marcio Vieira


Tragédia nada virtual

27/11/2013

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Duas jovens perderam a vida de forma trágica nos últimos dias que, embora de formas completamente diferentes, há um grande paralelo entre as duas o qual deve ser muito bem discutido: a exposição em redes sociais.

No Piauí, Júlia Rebeca, de 17 anos, cometeu suicídio motivada pela divulgação na internet de um vídeo íntimo, o qual foi espalhado via Whatsapp sem seu consentimento.

Ontem, em Itanhaém, litoral paulista, Giovanna Alves, de 19 anos, morreu ao colidir seu carro em uma coluna de um viaduto quando dirigia. O detalhe: instantes antes de morrer, a jovem tirou uma foto do velocímetro do carro, o qual marcava 170km/h que provavelmente seria publicada no Instagram, como ela já tinha feito em outra oportunidade.

A grande maioria das mortes de pessoas com menos de 20 anos está diretamente ligada ao crime e, embora sejam dois exemplos claros de exceção à regra, é de suma importância começar a analisar as consequências que redes sociais podem causar em usuários.

Nos últimos anos, o computador deixou de ser uma ferramenta de trabalho e se tornou uma janela social que possibilitou mihões de pessoas se conectarem, se conhecerem, sendo que o ambiente virtual é facilmente manipulado, afinal, eu posso colocar minhas informações, minhas características, meus gostos, minhas opiniões, etc., da forma como eu achar melhor, deixando os “pontos negativos” escondidos.

Em muitos casos, o usuário da internet é um personagem do próprio indivíduo porque existe a necessidade de auto-afirmação num mundo virtual paralelo à realidade em que a manifestação da própria felicidade é o grande objetivo.

Assim, ultrapassar a quantidade de mil pessoas nos contatos o faz “popular”, mostra ser “bem relacionado”, mostrar o corpo saudável o faz “desejável”, expor fotos de viagens, do que se come, do que se veste, do que se tem, do que se usa, de onde vai, pra onde foi, e outra infinidade de atividades o faz “ser presente na virtualidade”.

Auto-exposição é instintivo e está em todo reino animal: o pavão abre suas virtuosas asas para conquistar a fêmea, o leão ruge mais alto para dominar suas leoas, assim como gorilas, hipopótamos, rinocerontes e uma infinidade de animais que, no momento da “concorrência”, exploram suas potencialidades físicas. E age assim o ser humano, dentro das redes sociais, demonstrando ser apenas outro animal.

No entanto, a tal concorrência é que motiva pessoas a tentarem uma superação, e é aí pode iniciar um grande problema, que resultou nas duas mortes citadas: a busca incansável para demonstrar o sucesso, consequentemente a felicidade, está presente tanto no suicídio quanto no acidente automobilístico.

Bem possível que o jovem que se relacionou com Rebeca compartilhou seu vídeo com amigos para mostrar seu lado conquistador Don Juan pra dizer: “olha como eu sou foda”, e certamente que, enquanto dirigia à 170km/h, Giovanna pensou o mesmo, na sua condição fodástica.

Ambos fizeram isso porque há uma expectativa de retorno, o famoso “like”, ou “joinha”, “curti”, etc. É o que tanta gente, eu diria que a grande maioria das pessoas na internet espera acontecer. Receber um feedback positivo, além de mostrar-se vivo num mundo virtual, o desejo maior é mostrar ser feliz.

E para atingir a felicidade nas redes sociais, não há mais limite. Riscos de vida tornam-se frequentes, assim como ultrapassar os limites legais, muito menos morais, afinal, o importante é chamar atenção, como rachas em estradas, beber de forma exagerada, tirar fotos rodeados de mulheres, tirar foto do carro luxuoso, da vida luxuosa, até culminar no grande vômito da música atual: funk da ostentação!

Para ter sucesso nas redes sociais, as exigências estão cada vez maiores e natural que o fracasso seja proporcional, visto que as conquistas ficam cada vez mais difíceis de serem atingidas, como gastar “de 5 mil reais ao infinito” em uma noite.

E toda moeda tem dois lados, tudo é muito perigoso porque causa consequências graves, quando a exposição na internet é negativa. Suicídio, depressão, e outros problemas serão cada dia mais comuns na realidade por causa de problemas origem de virtual, afinal, é a reputação que está em jogo.

Tal reputação, aliás, teve um capítulo muito importante iniciado recentemente: o Lulu, em que a reputação de homens é divulgada sem controle algum, sendo que são covardemente realizadas de forma anônima.  Informações falsas (ou mesmo reais, mas íntimas, confidenciais) poderão causar separações, brigas, desemprego, depressões… suicídios, depende de como será absorvido pelo usuário.

E quando inventarem o aplicativo Lulu na versão masculina, como será que as mulheres reagirão? Aspectos físicos aparentes não são mais motivos de julgamento porque será possível julgar o comportamento, comentar do desempenho, expor intimidades, etc. Isso não é certo!

Júlia Rebeca não foi a primeira e nem será a última a cometer suicídio por causa de uma má reputação na internet. É preciso ficar atento e começar a respeitar as individualidades dos usuários para evitar novas tragédias.

É livre a exposição da vida na internet, no entanto, é preciso refletir sobre quais são as motivações de cada um e qual é o limite da razoabilidade, afinal, muita gente já considera a vida virtual mais importante que a real. Por exemplo, já tentei sair já com pessoas que “conversam” com você, mas não tiram os olhos  do celular. É decepcionante! Tem gente que surta se esquecer o telefone em casa. Tem gente que só falta compartilhar “fiz um cocozinho lindo hoje”, e tirar uma foto do elemento boiante.

O mundo está cada vez mais pervertido, mentiroso, descartável e irreal, e tudo isso é reflexo da busca pelo sucesso no ambiente virtual, algo que a falta de limites das redes sociais permite.

As consequências do uso exagerado, não são apenas um “encerrar conta” ou um “bloquear”.  Pode ser um log off da vida real, e isso não tem volta.

Marcio Vieira


Luluzinhas, tão bobinhas

25/11/2013

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Este final de semana, em conversa com um amigo, ele comentou comigo sobre um aplicativo para celular chamado Lulu, o qual, na hora, fiquei em estado de choque. Foram tantos sentimentos negativos sucessivos que ainda não consegui digerir, o que motivou escrever este texto.

Para quem não conhece, Lulu é um aplicativo exclusivo para mulheres, que avaliam comportamento de homens sem que estes saibam de tais avaliações porque o acesso pelos homens é proibido! Ou seja, sem consentimento/autorização do homem, a mulherada escreve o que quiser, o homem não fica sabendo e muito menos tem chance de se defender.

Após o momento de choque, só consigo resumir minhas sensações desta forma: decepção com a humanidade.

Antes que venham com piadinhas do “quem não deve, não teme”, ou “está com medinho” do que escreverão sobre você, já digo que estou cagando para tais opiniões e, provavelmente, cagarei para as pessoas que gastam tempo nisso, pelo simples fato de que eu preservo e respeito meu passado, além de procurar entender os motivos que alguns relacionamentos não foram pra frente e, a partir de então, procurar evoluir como pessoa.

Um aplicativo para escrever feedback de como os homens são, fazem, ou não são ou deixam de fazer, é um suicídio social para qualquer mulher que entra em tal “brincadeira”, afinal, é como se ela falasse: “vai lá, eu saí com ele. Pega esse cara que ele manda bem”, ou “fuja, é fria”, ou qualquer outro comentário sobre a intimidade de tais homens.

Não consigo enxergar como brincadeira um programa em que as participantes colocam homens como se fossem objetos para uso e desuso num claro sentido materialista e que, ainda conseguem extrair prazer ao publicar anonimamente informações sobre a vida íntima.

Ser humano não pode ser tratado dessa forma, e é de dar pena pois, ao meu ver, quem trata pessoas como objeto e considera isso normal provavelmente já foram (ou são) tratadas como objeto.  E mulheres não estão num nível de superioridade em relação aos homens, nem o inverso.  São serem que devem ser tratados de forma igual!

(Tive a oportunidade de realizar um estágio na ONU em Genebra, Suíça, em que eu presenciei o quão difícil e inferiorizada é a vida da mulher em diversas culturas, a forma submissa com que vive mesmo em países desenvolvidos, e a árdua luta para equiparação com o homem em direitos e deveres)

É decepcionante o ponto que as pessoas estão chegando em que não conseguem preservar sentimentos e individualidades, a ponto de ter que expor intimidade para o mundo, e agora de forma vulgar, demonstrando que quantidade é mais importante que qualidade e, mais grave ainda, publicar a vida íntima para qualquer pessoa ver, ler e julgar.

As redes sociais não têm limites, afinal, quem cria tais limites são os próprios usuários, porém, a falta de autoestima de milhares de mulheres que aderiram ao Clube das Luluzinhas demonstra a quantidade de respeito elas mesmo se dão: zero.

Homens e Mulheres não são objetos para receberem feedback de relacionamentos na internet, a menos que você seja uma Garota de Programa (mais conhecida como p…), visto que existem sites especializados em que esse tipo troca de informação existe por se tratar de uma prestação de serviço onerosa, suponho.

Agora, se tais Luluzinhas consideram relacionamento como prestação de serviço, provavelmente essas mulheres, quando se arrumam para sair com alguém, ao olhar para o espelho podem estar vendo uma garota de programa.  Afinal, relacionamento é bilateral, há uma troca!

Eu não me vendi para ninguém para ser tratado como prestador de serviço e muito menos considero ex-namoradas como prestadoras de serviço para terem na internet um feedback meu. É decepcionante ver o quão baixo está o nível de humanidade das pessoas a ponto de acharam graça nisso.

Podem me chamar de chato, arcaico, velho, carrancudo, ultrapassado, idiota, mas é minha opinião. Pelo menos eu tenho respeito por mim mesmo, dou valor à minha intimidade e respeito meu passado (o qual inclui todas as pessoas que passaram na minha vida de alguma forma), afinal, meu passado não muda e eu não tenho prepotência para me achar superior às mulheres com que me relacionei, a ponto de não enxergar meus próprios atos e simplesmente apontar o dedo para Elas e dizer que são as responsáveis pelo insucesso do relacionamento.

Relacionamentos, minhas queridas Luluzinhas, nunca são iguais. O que funcionou comigo pode não funcionar com outra pessoa, ou o inverso, pelo simples fato de serem pessoas, e não robôs/objetos. Aliás, se querem um relacionamento que será sempre igual, vão até um sex shop e comprem o que mais satisfazer: com certeza tal objeto fará sempre o mesmo para você.

Se vocês acreditam em tais feedbacks anônimos como referência para julgar uma pessoa, além de demonstrar ansiedade em querer saber como são tais homens ao invés de tentar conhecer o fulano e tirar a própria opinião, vocês acabam transparecendo outra característica bem negativa: são pessoas frustradas.

Como se pode desejar ser respeitada se não há nem respeito por si mesma? Valorize-se!

A única boa notícia vai para os advogados, afinal, vai chover processos por calúnia, injúria e difamação, que poderão atingir o bolso das usuárias do aplicativo Lulu, ou elas acham que, na esfera judicial, será mantido o anonimato de tais declarações?  Luluzinhas, tão bobinhas…

Marcio Vieira


A Gaiola

24/09/2013

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Escrevi, há uns dois meses, e preguei no meu quadro de recados a principal pergunta que existe, e todo dia, desde então, olho para a pergunta. O intuito não é apenas olhar, é também refletir.

Qual é o seu projeto de vida?

Pesada, tal pergunta.

Os últimos dois anos, desde que voltei pra São Paulo, tento vencer os meus próprios questionamentos, insistindo num modelo em que a maioria das pessoas daqui (e qualquer outro lugar) segue, o qual apelidei de “Projeto Gaiola”.

Uma das maiores sacanagens que considero é alguém “cuidar” de passarinhos em gaiolas. Fazem isso, talvez, porque não perceberam que vivem dentro de grandes gaiolas e assim querem que outros animais sigam o mesmo modelo de vida.

A Gaiola consiste, basicamente, em entrar num círculo vicioso com vários subprojetos onde o ponto de partida é sempre o mesmo: a insatisfação.

A insatisfação pode ser vista de diversos ângulos, mas vou destacar o lado positivo: a busca por melhorar. É benéfico o sentimento da insatisfação positiva de, todo dia, querer algo novo: uma roupa nova, um celular novo, um carro novo, um imóvel novo. É uma forma de lutar e realizar vitórias.

No entanto, é perigoso esse sentimento porque a conquista momentânea é apenas um anestésico aos indivíduos que aderiram ao Projeto Gaiola. O prazer, com o passar do tempo, perde eficácia e, em pouco tempo, existirão novas roupas, novos telefones e novos carros.  E, de repente, o seu apartamento ficou pequeno porque sua sala ficou pequena… porque sua televisão aumentou de tamanho.

Porque na sua cozinha ficou pequena: lá tem novos utensílios, panelas elétricas, cafeteira de cartucho, churrasqueiras elétricas, máquina de pão, descascadores, “mixer”, George Foreman, Máquina de suco para nove tipos de frutas, sendo que, para cada fruta, utiliza-se um acessório diferente.

Porque seu armário ficou pequeno:  novas camisas, novos vestidos, novas cores, novas estampas, novos casacos, tênis de corrida, tênis de montanha, sapato, sandália, rasteira, salto alto, médio, baixo, sapatênis, roupa da academia, roupa de ficar em casa, roupa de trabalho, roupa de trabalho às sextas-feira, roupa de sábado de sol, roupa de friozinho, friozão, chuvinha, chuvão, calorzinho, calorzão.

Em resumo, novas necessidades!

O mundo está mais dinâmico, as pessoas estão mais aceleradas, mais conectadas, mais informadas. A mente é mais rápida que os olhos e que as mãos, e o que você segura hoje não será o que você vai desejar amanhã. É aí que surge a primeira frustração, causando insatisfação.

Troca-se!

Para que você não desacelere, para que você continue alimentando sua própria insatisfação, ficou mais fácil trocar tudo. Roupa, carro, emprego, telefone, cidade, casa, amigos, marido.

E tudo isso atingiu essa velocidade de desejos porque está mais fácil se endividar. Quando alguém termina de quitar um bem, tal pessoa sente a obrigação de contrair novas prestações. É como se a conta bancária não permitisse sobrar um dinheiro. Se sobrar, não é feliz.

E ainda tem muita gente que nem espera quitar, já vai atrás de um novo celular, um novo carro, uma nova casa, tudo para anestesiar a insatisfação.  Refinanciamento, e resolve-se tudo.

Não digo para as pessoas se acomodarem com o que tem. Não é isso! O que quero, em resumo, é refletir sobre o Projeto de Vida e ajudar a a responder tal pergunta, então fui atrás de uma palavra: “Necessidade”

Será que é necessário eu me enforcar em prestações para estar satisfeito? Será que é realmente necessário atualizar meus bens? Será que é Necessário precisar de algo ou de alguém para atingir a felicidade?

Na minha opinião, seria muito injusto (sacanagem mesmo!) estabelecer condições para a felicidade. Condicionar a alegria, a satisfação, impor critérios, regulamentar condições, regras, limites para ser feliz.

Porém, entrar nesse carrossel para querer melhorar a gaiola é o propósito mais aceito para justificar a felicidade. A sociedade está condicionada à esse modelo de vida, que gira no mesmo sentido sobre os mesmos trilhos, mudando apenas os bens e pessoas, mantendo as mesmas sensações, mesmas angústias e mesmas frustrações.

O sonho pode parecer diferente aos olhos, mas o que movimentou aquele pensamento são os mesmos sentimentos de outrora.

Seu projeto de vida pode não ser uma gaiola, mas sim um viveiro, lindo, confortável, com churrasqueira na varanda e piscina aquecida.  Mas  é bom lembrar que todo viveiro sempre será gaiola.

São gaiolas e carrosséis espalhados e empilhados por toda cidade, e para sair de mecanismo de vida não precisa rasgar tudo, não precisa vender tudo, sair da cidade, largar tudo, comprar uma kombi e virar hippie, chutar o balde, mandar chefe para “aquele lugar”, etc.

Para sair do Projeto Gaiola, basta identificar as próprias necessidades, olhando para dentro, para o coração. Tem muita gente que está fora da Gaiola, mesmo vivendo na caótica São Paulo. Viver livre independe de locais caóticos ou praias paradisíacas.  Sua mente pode estar presa em qualquer lugar.

A solução, veja bem, não é trocar de gaiola.

O desafio começa pela auto-avaliação do modelo de vida que decidiu seguir. É analisar as influências do consumismo desenfreado, a real necessidade de novos comprometimentos da renda por objetos, imóveis, bens, serviços que não são realmente necessários.

É saber dizer não. Ou sim, onde a prática do desapego é o exercício a ser realizado.

De forma resumida, A Gaiola é o limite do seu vôo. Limite da sua mente.  Não ter gaiola, definitivamente, é o maior desafio da vida, já que ela foi montada dentro das pessoas, porém, cabe somente à você a manutenção do modelo de vida que te traz mais felicidade.

Afinal, qual é o seu projeto de vida?

Marcio Vieira


Elitizar soluções

29/07/2013

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Como forma de responder (novamente de forma errada) aos protestos, a Prefeitura de São Paulo ampliará a área de restrição ao automóvel (o famoso rodízio de carros), agregando novos bairros ao famigerado “Centro Expandido”.

A justificativa sempre é a mesma: melhorar a circulação, diminuindo o trânsito da caótica cidade, porém, há várias questões que devem ser analisadas antes de tomar qualquer medida restritiva ao cidadão.

O rodízio de carros em São Paulo, há tempos, deixou de ser a razão para diminuição dos gases poluentes na cidade, esta, por sinal, era a primeira desculpa pela imposição do sistema. Hoje o problema é lento deslocamento, em uma cidade que deixa de faturar, por causa do trânsito catastrófico, mais de 20 bilhões de reais todos os anos.

Ao impor o rodízio, a cidade não compensou o cidadão com transporte público eficiente e/ou barato, o que resultou em novos gastos para boa parte da população para adquirir um segundo automóvel. E a medida gerou impactos sucessivos como, por exemplo, inflacionar o valor dos imóveis com duas ou mais vagas de garagem.

Uma vaga de garagem adicional em imóveis residenciais pode ultrapassar 50 mil reais em diversos bairros da capital, o que ajudou a contribuir, também, na especulação imobiliária promovida por grandes construtoras que oferecem lançamentos, na sua grande maioria, com um mínimo de duas vagas por unidade.

O resultado é trágico para o trânsito: são emplacados diariamente em São Paulo 1.000 novos veículos, que farão parte à uma frota que já ultrapassou a barreira dos 6 milhões.  É um número insustentável para a cidade, e as soluções para restringir o carro são completamente ineficazes e desastrosas.

Como na maioria das decisões políticas, a cidade de São Paulo elitiza a solução para um problema de âmbito geral, que forçará os residentes de bairros de alto padrão (na Zona Sul, por exemplo, Av. Berrini, Brooklin e Campo Belo entrarão na “zona do rodízio”) adquirirem um outro carro, visto que a maioria dos habitantes de tais regiões têm fôlego financeiro para comprar um carro que, no caso, pode já ser até o terceiro carro da família.

O efeito-dominó dessa decisão proibitiva é gigantesco: a disputa por vagas nas ruas secundárias às grandes avenidas prejudicará, e muito, o fluxo. Aliás, é o fluxo, o escoamento, a principal finalidade de uma rua/avenida. Ruas não são locais para se estacionar. No entanto, prefeituras (novamente elas) enxergam oportunidade com Carão Zona Azul, além dos oportunistas flanelinhas, nunca coibidos da exploração ilegal de algo público.

12 Vagas?!?

Morador preocupado com rodízio

E quem sofre? Não será o morador do Campo Belo. Muito menos os engravatados da Berrini.  Quem sofre, como sempre, é o povo. O dependente de transporte público.

Quem não é dependente de transporte público arruma uma solução rapidamente. Negocia novos horários na empresa ou entra numa concessionária qualquer e com 10 reais por dia é capaz de sair de carro zero km. O segundo carro.

O rodízio de carros em São Paulo não foi, e nunca será, a melhor medida para combater o trânsito porque se trata de uma medida superficial e elitista.

Diversas cidades no mundo pactuam com o mesmo problema paulistano, porém, há várias formas de se combater a crescente individualização do deslocamento urbano sem estimular aquisição de um novo veículo.

Hong Kong, por exemplo, exige que o cidadão que desejar comprar um automóvel tenha, comprovadamente, uma garagem para não deixar o carro na rua. Seja com contrato anual com estacionamentos ou no próprio imóvel do cidadão. Pode até ter dinheiro para uma Ferrari, mas se não tiver garagem, não vai comprar. Simples assim.

Inúmeras cidades têm tributação diferenciada para o contribuinte que adquirir um segundo automóvel. Aumento de 20, 30 chegando até 50% no valor do IPVA para o segundo carro.  Assim, a conta é mais justa socialmente: cidadão que tem mais, paga mais.

O IPVA é um tributo estadual, então cabe ao Governo e a Prefeitura se entenderem para praticar tal ação restritiva à elitização do trânsito.

O prejudicado, da forma com que tratam a questão da mobilidade urbana, sempre será quem vive na periferia, longe do “Centro Expandido”. Tal sistema é completamente injusto àquele que mora na Estrada do M’Boi Mirim (ou qualquer outra região periférica) que perde 4 horas do dia no trânsito paulistano.

Deve-se estimular a consciência coletiva de toda população, com programas incentivos fiscais para adoção de novos horários para jornada de trabalho, além de evitar um grave erro que é cometido em São Paulo:  o deslocamento (e especulação imobiliária) de centros econômicos. É muito fácil comprar um enorme galpão industrial e construir diversas torres residenciais e comerciais, mas deve-se estudar o impacto no trânsito local e, principalmente, rever a necessidade de empreendimentos desse porte.

Hoje sou terminantemente contra o rodízio de carros em São Paulo como solução ao trânsito. Mais contra ainda ao aumento do Centro Expandido porque são medidas pouco estimulantes à troca do automóvel pelo transporte público. Hoje, quem tem dinheiro, comprará um segundo carro. E quem não tem, financiará, ainda mais com IPI e outros incoerentes incentivos fiscais.

O trânsito caótico continuará o mesmo. Quer dizer, com 1.000 novos carros todos os dias, só vai piorar.

O Movimento Passe Livre é uma pequena luz para discutir uma forma de restabelecer uma ordem social e economicamente justa. Se incentivar que transporte público, embora hoje completamente trágico, seja gratuito (ou, ao menos, que seja realmente barato), haverá demanda por mais ônibus e mais trem.

E é com demanda que se muda prioridades.

Marcio Vieira


Mulher de Fusca

23/07/2013

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Em tempos de administrar um carro antigo, minhas atenções triplicaram nas ruas para ver outros antigos. E se tem alguma coisa que me tira de sintonia, instantaneamente, é ver uma mulher dirigindo um Fusca.

Não esses modelos novos, cheios de tecnologia que custam uma fortuna.  Fusca mesmo, o original, verdadeiro e único: o Fusquinha. E comecei a imaginar como são tais mulheres, o que elas fazem, o que elas pensam…

Mulher que dirige Fusca antigo atingiu um nível superior na evolução da espécie humana. Ela demonstra segurança, bom gosto, educação e peculiar sofisticação. Se falar francês, então, é um verdadeiro xeque-mate em qualquer homem.

Mulheres são sensoriais, e todas transmitem com gestos parte de suas personalidades, mas a mulher que dirige Fusca e fala francês é de uma inteligência ímpar que, ao entrar no mundo masculino do automóvel, foi sutil e elegante ao escolher o que há de mais charmoso: o Fusca.

girlfusca1Ele não é rápido, não é seguro, muito menos econômico. Mas é gracioso! Tem áurea! Ele quebra, nele se passa calor, mas seus parachoques e calotas cromadas fazem o carro brilhar, e que mulher não gosta de brilhar?  Pois então, sábias estas que dirigem Fusca.

Mas é um brilho diferente e único. Mulheres que dirigem Fusca e falam francês não buscam destaque: buscam “Ser” ao invés de “Estar” e, sem intenção, acabam dando um tapa de luva de pelica no consumismo feminino e na ambição desenfreada que só causa ansiedade.

Mulher que dirige Fusca e fala francês possui valores próprios, sólidos e impenetráveis, e que não adianta você, pobre homem, tentar mudar.  Deve-se apreciar. Elas são raras.

Mulher que dirige Fusca e fala francês é culta. Comentará de bons livros e das melhores uvas. De queijos e viagens, mas também vai ter aquele toque especial de descobrir pechinchas e oportunidades, assim como apreciará convites para comer ceviche no centro da cidade ou andar de bicicleta num domingo qualquer.

Ao abastecer o pequeno besouro, além de receber merecidos elogios pelo carro, trocará figurinhas, dicas com o frentista que tem (ou teve) também um Fusca.  Empatia aguçada tem as mulheres que dirigem Fusca e falam francês. Conversa de tudo e com todos, tratando o porteiro do prédio ao presidente da empresa da mesma forma atenciosa e simpática.

É como água, de fácil adaptação. Entra no botequim para pedir um pão com queijo-minas com a mesma discrição e humildade ao entrar numa reunião de negócios. Espalhafatosa, isso, elas não são.

No entanto, ela não vai te chamar para ir num pagode, muito menos sertanejo. Nada contra esses estilos de música, mas é que mulher que dirige Fusca e fala francês gosta de música boa, rapaz! Se você gosta de barulheiras, traga algo diferente que certamente ela terá curiosidade em querer escutar e, mais ainda, terá uma sinceridade incrível de opinar sobre aquilo que escutou.

Porque mulher que dirige Fusca e fala francês tem sede, insaciável, de aprender. A feira dos imigrantes bolivianos à meditação indiana, assim como a Sala São Paulo e qualquer importante exposição, ela vai querer estar lá.

DSC_0443Essas mulheres que dirigem Fuscas e falam francês são custosas, mas o investimento compensa. Esqueça Los Angeles, esqueça Miami. A viagem com ela será para Estocolmo com uma esticada até Moscou, mas não será surpresa se ela vier com a ideia de mochilar na Patagônia ou alimentar gorilas no Quênia.

Porém, serão muitas as vezes que a balada será no supermercado para preparar algo bom e barato, e assistir um filme. Mulheres que dirigem Fusca e falam francês dão muito valor ao dinheiro que tem, guardam para gastar bem. Elas sabem qual vinho está com bom preço mas, entre legumes e produtos de limpeza nas sacolinhas do supermercado, sempre terá também aquele pedacinho de queijo Maasdam.

Surpreender é o que a mulher que dirige Fusca e fala francês sabe mais fazer, mas ela não faz isso artificialmente. É algo da personalidade que transparece em tudo que faz. É precisa, cirúrgica e sutil nas escolhas e no jeito de levar à vida, e o resto da sociedade tem que entender a superioridade delas, aceitar e, se for inteligente, apreciar o que elas são.

São cheias de personalidade, as mulheres que dirigem Fusca e falam francês. São seguras até para dizer, de forma pura e objetiva, que estão inseguras por alguma coisa ao requisitar um colo.

E gostam de participar da vida de seus carros que, obviamente, tem nome e assim são tratados. Em pouco tempo aprenderão o que é um carburador e como deixa-lo regulado. Saberão guardar aquela lixa de unha para limpar o platinado e terão uma delicada caixa de ferramentas, que raramente serão utilizadas porque essas mulheres sabem conservar seus Fuscas de forma exemplar.

girlbeetleConservar, aliás, é palavra-chave na vida das mulheres que dirigem Fusca e falam francês. Querem (e conseguem!) ter tudo e todos em sintonia, porque o tempo, para elas, é fundamental. O tempo determinará escolhas, já que essas mulheres que dirigem Fusca e falam francês têm coisas e opções incríveis para aproveitar tal tempo.

Elas demorarão 10 minutinhos a mais por causa do Fusca. Mas são sábias porque esses dez minutos, na verdade, elas estão ganhando. Em viver e apreciar cada momento que o Fusca proporcionou.

O Fusca, ou qualquer outro carro antigo que esteja nas mãos de uma mulher, o que para as pessoas próximas foi um ato de rebelião, de nadar contra a correnteza da mesmice, foi a forma encontrada de expressar o Poder de Escolha, principalmente às mulheres, historicamente reprimidas.

A escolha Fusca está longe de ser porque é o  mais caro ou o mais luxuoso. Mulheres que dirigem Fusca e falam francês não estão preocupadas com o que os outros vão pensar, pois só querem, mesmo, é realizar aquilo que sempre desejaram, mas que a sociedade, por muitas vezes, empurrou para ser mais uma dentre milhares.

E ser só mais uma, as mulheres que dirigem Fusca e falam francês, é algo que elas nunca serão.

Ainda bem.

Marcio Vieira


Coxinhismo

04/07/2013

coxinhas

As redes socias (ahhh, sempre elas!!) borbulham nas últimas semanas! Bandeira e hino nacional fizeram hora-extra e foram, finalmente, usados fora dos estádios.

Mas algo estranho surgiu em meio à multidão.  E não foi só um, foram centenas, milhares, e talvez milhões que, de uma uma hora para outra, apareceram nas avenidas de todo o Brasil.

O barulho de fritura denunciava, não restando mais dúvidas: eram as Coxinhas!!

Não aquelas que residem ao lado da empadinha e do croissant, e no andar de baixo fica o Torresmo e o Hamburgão. São outras coxinhas, organizadas em movimentos libertários:  Abaixo o sistema, gritavam!

“Não é esquerda, nem direita, é para frente”, clamavam!

Algumas coxinhas, talvez com mais catupiry no cérebro que o normal, tomaram as rédeas do anonimato e, de máscaras, afinal, hoje é “in” e “cult” vestir a armadura Annonymous. Está na moda, e não “pega bem” demonstrar, nesta altura do campeonato, ser um ignorante político. Se não tiver a máscara, basta pintar o rosto de verde-amarelo.

Então lá vão elas, as Super-Coxinhas, fazer um city-tour no centro de São Paulo, esticando um pouco até a 25 de Março para comprar uma máscara do Anonimato. E negociar com o camelô é uma aventura digna de Indiana Jones ou irmãos Villas-Boas: o homem branco de Moema e Jardins comprando do indígena pobre ambulante que vive de “rolo”.

Mais tarde, rumo aos protestos!

As coxinhas, quando isoladas, não sabem muito o que fazer e ficam mais preocupados com a foto do Instagram, por isso elas têm grande necessidade de se reunirem. O pior é a incoerência de milhares delas: enquanto engrossam o coro por desenvolvimento social, tais Coxinhas criticam, a plenos pulmões, programas de inclusão social.

Chega de “Bolsa-Esmola”, “Bolsa-Vagabundo”, Bolsa-Família ou qualquer raio de nome que isso tenha!!, protestam.

Dentro disso, há algo para ser entendido: É impossível equilibrar a sociedade quando o começo é desiquilibrado.  Não há igualdade social quando o ponto de partida de cada indivíduo é desigual.

Para combater desigualdade, os programas assistenciais são fundamentais para a inclusão de todos na cadeia de consumo, e isso está longe de ser assistencialismo. E foi assim que milhões saíram da Classe D e E, em que a renda familiar é de 1 dólar por dia, e pularam para C.  Foi assim que mais de 10 milhões de famílias perderam o benefício porque subiram de classe social.

1 dólar não paga nem a sua…. Coxinha!, Seu Coxinha. Apesar que Coxinha só come coxinha se for da padaria chique.  Em botecos, os Coxinhas não entram. Eles não se misturam com a gentalha, diria Dona Florinda.

Mas não se preocupe, cada um de nós, em algum momento, foi Coxinha. Atire a primeira Coxinha quem nunca deu uma coxinhada na vida!!

Coxinha é desconhecer. Falar o que não sabe ou o que nunca viu e sentiu. Coxinha é ser reaça. Coxinha é ser chato. É ser intransigente. É ser mala. Coxinha é ser Coxinha!

Coxinha quer Joaquim Barbosa para Presidente da República.  Coxinha não sabe nem o que significa STF, mas sabe o que é Mensalão do PT (e desconhece do PSDB). Sabe o que é PEC 33.  Ou, ao menos, pensa que sabe.

Afinal, O Coxinhismo cultua as aparências na Comunidade Facebookiana. O Twitter está meio “over” nos últimos tempos, serve só para pesquisar Blitz da Lei-Seca.

Marcio Vieira