O que é Justiça?

13/12/2013

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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) julgará, na próxima segunda-feira, o caso do jogador Héverton, da Portuguesa.

Qualquer que seja a decisão da Corte, tanto haverá críticas, como elogios. A decisão deixa de ser uma simples aplicação de sentença porque haverá reflexos econômicos de grande impacto pelo fato da possibilidade de alteração do clube que disputará a segunda divisão  do campeonato nacional.

Cumprir regulamento é simples (ou deveria ser), desde que o regulamento esteja escrito de forma simples. E ele não é nada bem redigido, facilitando a subjetividade na análise do texto e, consequentemente, subjetividade na aplicação de penas.

Porém, tal tribunal, assim como qualquer outro órgão julgador, tem uma árdua responsabilidade: ser justo.

Então pergunto: o que é justiça?

Aplicar o texto legal não resultará em cumprimento da justiça. A aplicação da lei, na Inquisição, levou à fogueira pessoas que tentavam apresentar novos estudos e novas percepções acerca daquela sociedade, completamente rígida e repressora.

Pode-se dizer que os Inquisitores cometeram “justiça” (sim, justiça entre aspas mesmo) ao aplicar o texto legal, no entanto, estiveram milhas de serem justos.

Em outros tempos e em diversos países, a lei permitia escravizar negros. A lei já proibiu negros e brancos andarem no mesmo ônibus, frequentar a mesma escola, a mesma igreja, etc. O texto de lei proíbe em dezenas de países relacionamento homoafetivo, e adoção de crianças por casais gays.  Leis pelo mundo todo condicionaram a mulher à submissão por séculos, e ainda há culturas que permitem, em Leis, a repressão aos direitos das mulheres

Para os exemplos citados, será que cumprir lei é fazer justiça?  Não!

Nos dias atuais, Tribunais têm o dever de eliminar todas aspas da subjetividade, principalmente de uma palavra tão importante como é a palavra Justiça. Ser justo não significa aplicar o texto legal. Ser justo é mais que o cumprimento de regras, ser justo é mais que obedecer normas.

Para ser justo, é preciso ser e estar correto. Estar correto diante da sociedade, estar correto diante do tempo, do espaço, da cultura, sempre atualizado porque muito do que é considerado justo hoje, não será no futuro.

E sobre o julgamento da próxima segunda-feira, se eu pudesse fazer um pedido ao membros Tribunal Desportivo, pediria para considerar todos os meios que possibilitem a maior aproximação da essência e senso de Justiça.

Analisar friamente o texto de lei é uma forma perigosa e superficial de exercer opinião, e Julgadores não podem limitar suas atividades ao entendimento de normas jurídicas. Aliás, tais julgadores poderiam se inspirarem algo que, recentemente, jogadores de futebol trouxeram um bom sinônimo para a palavra justiça: O Bom Senso.

Quem, de fato, foi prejudicado com a entrada do jogador aos 33 minutos do segundo tempo num jogo “de pouca importância”? Ao meu ver, o único prejudicado foi o adversário da Portuguesa na famigerada partida, o Grêmio.

O Grêmio reclamou? O Grêmio cobrou justiça? O Grêmio se sentiu prejudicado?  Não, e é este o ponto que o Tribunal deve considerar: a interferência do jogador no resultado daquela partida.

A tabela do campeonato é secundária, assim, o justo é aplicar de forma pontual e cirúrgica a punição na esfera esportiva para que não traga efeitos para o resto dos competidores. Em outras palavras, caso o STJD considere culpada a Portuguesa, deve esta perder o ponto conquistado naquele empate, transformando o jogo em vitória do Grêmio.

E pronto! É simples aplicar a Justiça num campo onde atletas transformam praticam a justiça a cada jogo: normalmente, o melhor vence, tirando sempre as não tão raras exceções causadas por má arbitragem.

E é a má arbitragem que altera resultados no esporte. Uma má arbitragem na sua mais alta esfera, o STJD, alterará o que foi definido em campos de futebol, e interferências que vão além da pontuação de um jogo de futebol é errônea pois fere, e muito!, a disputa esportiva que envolve 20 clubes de futebol.

Punições com mais perda de pontos interfere no que foi realizado em outros jogos, e repito: quem faz a justiça no esporte não são os magistrados, mas sim os atletas.

São os jogadores de futebol os principais atores que empregam milhares de pessoas e levam milhões de pessoas aos estádios no Brasil. São eles que justificam centenas de milhões de reais investidos em publicidade, são eles que empregam uma infinidade de profissionais, como jornalistas e, porque não, são os jogadores de futebol que justificam, em boa parte, a existência do Superior Tribunal da Justiça Desportiva.

São tais jogadores de futebol os responsáveis em decidir quem é melhor, quem é pior, numa sadia disputa esportiva, e a transferência da responsabilidade dos jogadores para os Tribunais é um insulto à quem quer o Bom Senso, a boa prática esportiva e a Justiça.

Sejamos todos justos na vida, mesmo que para isso seja necessário ultrapassar os limites da lei.

A verdadeira Justiça pode aprisionar o corpo, mas libertará para sempre a consciência.

Marcio Vieira


Cartão Vermelho, vermelho de vergonha

22/02/2013

vermelho

Morreu Kevin aos 14. Quando morre uma criança, um adolescente, morre também o futuro e os sonhos que jovens carregam nos olhos e no coração.

Adultos são pessoas chatas, mal-amadas, cheias de ressentimentos e moldadas pelo socialmente correto, coisas que as crianças não sabem ainda o que é, por isso os sonhos são mais belos e puros. Em resumo, com o passar dos anos é estragada a essência das pessoas.

Alguns desses adultos estragados, infelizmente, carregam ódio no coração por uma infinidade de justificativas: falta de educação, falta de emprego, problemas estruturais na família, desigualdade social, racial, etc etc etc.

E tais pessoas, em determinados momentos, viram selvagens truculentos. Estádio é o destino, ingresso é a carta de alforria para poder gritar, xingar, afinal, se pagam ingresso tem direito de xingar!  Isso já escutei da boca de renomados jornalistas esportivos.

A ignorância perdeu o controle…

Não, meu caro!! Se eu pago a lavagem do meu carro, não tenho direito de xingar o lavador. Se eu pago meu almoço, não tenho direito de xingar o cozinheiro, se eu assisto teatro, não tenho direito de xingar o ator,  se eu pago meu ingresso para o futebol, isso não dá direito de ofender outras pessoas, sejam jogadores ou juízes.

Futebol é um zoológico invertido em ficam na plateia os animais. E são animais selvagens.

Mas Kevin morreu, e vem torcidas rivais culpar o Corinthians, o time dos maloqueiros, desdentados e presidiários. Sim, Corinthians tem mais presidiários, mais desdentados e maloqueiros que todos os outros. Assim como tem mais advogados, médicos, policiais, padres incluindo os pedófilos, hare-khrisnas, cozinheiros, prostitutas, políticos corruptos, etc. Tem mais porque é maior, a conta é simples de fazer.

O Juventus da Moóca tem seus bandidos violentos e desdentados, mas infinitamente menos que o Corinthians, que o Flamengo ou Palmeiras. É proporcional a questão da violência no futebol porque é um problema social que transcende o estádio.

Ser humano é um animal domesticado assim como outros, como cães e gatos. Se for mal treinado, mal-amado e não for educado, só vai dar problema. A diferença é que os quadrúpedes domésticos, no máximo, mordem ou fazem xixi no sofá por rebeldia. O ser humano é pior, capaz de matar, apertar o gatilho, estourar o fogo de artifício na cabeça de um inocente.

O problema não é o torcedor maloqueiro do Corinthians, o problema está no brasileiro que não foi treinado, educado, capacitado para conviver com semelhantes. O problema é crônico e a primeira pedra desse efeito-dominó se chama “Educação”. Sem ela, dá merda, dá caos, dá tristeza.

Sem educação não se desenvolve uma economia, muito menos uma sociedade. E o Brasil é comprovadamente um país sem educação, afinal, suas riquezas não são produzidas, apenas extraídas há 500 anos, desde o pau-brasil, ouro, até o… Neymar!

É o povo errado no país certo, e assim as divindades equilibram o mundo.

A falta de educação no Brasil resulta, em larga escala, a existência de mendigos, pedintes, drogados, prostitutas, corruptos, ladrões, assassinos. Suíça também tem os seus bandidos, Coreia do Sul também tem seus mendigos, mas não é proporcional à diferença de habitantes com Brasil, e esse é o “X da questão”.

Suíça, Alemanha, Coreia do Sul e tantos outros “desproporcionalizaram” Violência x Habitantes porque investiram em educação, tiveram paciência, e com educação conseguiram gerar empregos, capacitaram pessoas para poder consumir e viver de forma mais justa, e assim diminuíram justificativas para violência. Eles produziram a riqueza, ao invés de extrair a riqueza.

Precisa uma morte em outro país para demonstrar que o torcedor brasileiro é primitivo?  E as centenas de vidas perdidas em brigas estúpidas entre torcidas rivais no Brasil?  O jovem boliviano não é mais importante que os Joãos e Josés que morreram no Brasil por causa do futebol. O jovem Kevin é, na verdade, a tradução dos precários valores morais, éticos e sociais que existem na “terra do futebol”.  Quanta contradição!

Enjaular 12 selvagens corinthianos na Bolívia não é a solução. Proibir a torcida do Corinthians de frequentar estádio não é a solução. Isso apenas remedia um problema e tapa apenas um dos furos do barco, que continua cheio de água e naufragando.

O problema vai além do Parque São Jorge e de Itaquera. É um problema nacional que, sendo assim, deveria o futebol brasileiro ser suspenso até que se crie condições minimamente humanas para convívio com semelhantes.  O Brasil merece cartão vermelho. Vermelho de vergonha.

É preciso ir atrás da causa de pessoas violentas existirem, assim, quem sabe daqui uns 30 anos, outros Kevins não terão seus sonhos interrompidos por rojões e poderão viver a infância como ela deve ser: pura e sonhadora.

Marcio Vieira


Lições coreanas ao Brasil

06/08/2012

Estão na metade os Jogos Olímpicos de Londres, mas já dá para antecipar algumas conclusões. E o que mais destaca aos olhos é o desempenho da Coreia do Sul, disputando com os principais países as melhores posições no quadro de medalhas, e cabe, aqui, uma pequena comparação com o desempenho brasileiro.

A Coreia do Sul é um pequeno país de 100 mil km(o equivalente à Santa Catarina, 40% do estado de São Paulo, ou, ainda, 1,5% do território brasileiro), e possui 49 milhões de habitantes, enquanto o Brasil tem seus 8.500.000 Km2 com quase 200 milhões de habitantes.

O ponto de partida desta comparação entre as duas nações tem quase seis décadas, e os rumos que cada país fez a partir de então. Em 1953, a Guerra da Coreia (1950-53) terminara com cerca de 3 milhões de mortos, uma terra completamente devastada separada entre dois países com regimes políticos completamente distintos.

Por aqui, há 60 anos, era a segunda passagem de Getúlio Vargas na presidência do Brasil, e iniciava, neste período, o Plano de Metas (intitulado como 50 anos em 5), acelerando e economia brasileira que, se por um lado desencadeou um enorme endividamento, do outro foi o início de um dos maiores crescimentos econômicos registrados no mundo durante as décadas de 50, 60 e 70.

Enfim, o Brasil se apresentava como eternizada expressão “nação do futuro”, enquanto a Coreia do Sul só via um caminho para ser reconstruída: investir na educação. E foi o que os asitáticos fizeram, e muito bem feito.

A única forma de produzir riqueza à uma nação é investir maciçamente em educação. O Brasil, rico em recursos naturais, sempre extraiu suas riquezas do solo, sem demonstrar interesse em formar uma educação de qualidade, o que, com o passar das décadas, os resultados em medalhas numa olimpíadas transparecem a política social que cada país conquistou: segundo a ONU, é a Coreia do Sul o país com maior carga de estudos até os 25 anos de idade no mundo.

Os frutos desse investimento estão em todas as principais áreas que formam uma cadeia industrial grande e sustentável, as quais cito apenas duas, resumidamente:

1. Setor automotivo: a Coreia do Sul tem como principais marcas a Kia Motors e Hyundai (mesmo grupo econômico), além da SsangYoung, da Samsung Motors (Grupo Renault) e Daewoo (Grupo Chevrolet) que produziram, juntas, aproximadamente 8 milhões de veículos em 2011. Pergunto: qual marca genuinamente brasileira de veículos há? Existiu a Gurgel até o início dos anos 90 e, depois disso, a maior marca brasileira é a Troller (hoje pertencente à Ford) que produziu ano passado cerca de 1.300 veículos, o que equivale à 0,015% do que a Coreia do Sul fez no mesmo período. Repito: 0,015%

A indústria de automóveis brasileira está, há anos, nas mãos de grandes grupos internacionais que, além de produzir carros com péssima segurança e qualidade no Brasil, têm, neste mercado, seu maior lucro mundial. Só em 2011, remeteram às matrizes europeias, americanas e japonesas mais de cinco bilhões de dólares obtidos no Brasil. Ou seja, continua a riqueza sendo extraída no Brasil e aplicada no exterior.

2. Outro setor, de tecnologia: enquanto o Brasil tem as medianas Itautec e Positivo para informática, e CCE para televisores como principais marcas brasileiras, todas com baixo índice de nacionalização dos componentes, sobrevivendo, praticamente, como montadoras de produtos eletrônicos, os sul-coreanos têm Samsung,  que tem um faturamento anual equivalente ao PIB da Argentina, além de outra gigante global do setor, a LG, empresas, inclusive, com mais de dez mil funcionários só nas fábricas e escritórios que possuem no Brasil.

Esses dois exemplos, automotivo e tecnológico, foram construídos do zero, porque o governo coreano se propôs a criar riquezas a partir da capacitação de seus habitantes. É demorado, é preciso ter paciência pois são pelo menos 25 anos, o tempo de uma geração acadêmica, o período mínimo para o investimento profissional colher seus primeiros frutos.

Basta lembrar os primeiros carros importados da Coreia do Sul, a partir da abertura das importações (199o). Além do preconceito por vir da Coreia do Sul, eram produtos de qualidade duvidosa, mas bem superiores às carroças de Collor. Porém, vinte anos depois, novos profissionais, com mais ensino e mais qualificados que os primeiros, desenvolveram a indústria coreana, tanto que hoje são carros de ótima qualidade por preços competitivos, precisando, inclusive, o governo brasileiro criar mecanismos tributários emergenciais de proteção à indústria brasileira para controlar as importações com a desculpa de proteger o caríssimo trabalhador brasileiro.

Na esfera esportiva, viajaram para Londres 258 atletas brasileiros enquanto a Coreia do Sul enviou 245 atletas, praticamente o mesmo número, só que a competência técnica do sul coreano é infinitamente superior à do brasileiro que se mostra no quadro de medalhas. Isso se deve à um investimento de cinquenta anos em educação, algo que o Brasil não fez pois ficou limitado à extrair recursos ao invés de produzir novas riquezas.

Enquanto os coreanos investem no ser humano para, a partir daí, ele ter qualificações para crescer social e economicamente, o Brasil continua enxergando na contra-mão ao dizer que investe no esporte para tirar pessoas da marginalidade. Com este pensamento engessado do governo brasileiro há décadas, o Brasil sempre remediará uma situação e nunca vai combater a causa do problema. O barco está furado, e o governo brasileiro tira água com a caneca ao invés de consertar o furo, assim se pode resumir.

Atletas brasileiros brotam, surgem ao acaso e as medalhas olímpicas mascaram o descaso social existente. Culturalmente falando, o atleta brasileiro está muito despreparado. Psicologicamente, o precipício é ainda maior porque os atletas brasileiros não sabem lidar com pressão, onde a própria população brasileira encara a derrota como fracasso. Outras nações recuperam o ser humano na derrota, motivando o atleta para o próximo desafio.

A Coreia do Sul entrou na sua terceira geração acadêmica altamente capacitada, o pequeno país asiático vai continuar crescendo, construindo novas tecnologias rentáveis, qualificando seres humanos para nas mais diversificadas profissões, inclusive a de atleta, enquanto resta ao Brasil torcer para cair do céu novos Pelés, Scheidts e Cielos, para cegar mais a população, fingindo que o país é um celeiro de craques.

Marcio Vieira


A maior invenção da humanidade

25/04/2012

Até ontem eu considerava o vaso sanitário como a maior invenção da humanidade. A privada é incrível, basta apertar um botão e, num passe de mágica, fazer sumir, literalmente, toda merda que acumulamos. Destaco também a invenção do elevador e do lacinho lateral que amarra a parte de baixo dos bikinis como as grandes invenções. Até ontem…

Até ontem, quando dez Davis enfrentaram onze Golias numa arena com cem mil pessoas na expectativa de ver o tão costumeiro massacre dos anfitriões. O cara que inventou o futebol é um grandíssimo filho da puta! (Em tempo: grandíssimo filho da puta é um elogio supremo, dado à poucos, no meu humilde e contraditório vocabulário)

Como pode o futebol permitir que os gigantes, do possível melhor time da história, amargar a derrota dentro de casa?  Como pode o Barcelona, o ápice do futebol arte, ser eliminado?  Que incrível é o futebol, que permite a injustiça, e muitos comemorar sua existência!!

O espetáculo ontem, não foi ver o futebol-pimball de toques rápidos e envolventes do esquadrão de Guardiola. O espetáculo foi ver que gigantes são, porque não, humanos. Ontem ficou comprovado, embora milhares ainda teimam, que Messi é terráqueo.

A arte sempre será arte. Não vi Hungria de Puskas sucumbir, não presenciei a Laranja Mecânica, e não vi o selecionado tupiniquim de Telê Santana, mas vi o time do Barcelona jogar. O palco é de todos, no futebol, dando espaço para injustiças serem justas.

Essa é a graça do esporte bretão de 150 anos. Essa é a paixão que justifica um pequeno clube paulistano chamado Juventus se vestir em cores da rival Torino. Essa é a paixão que permite ter um River Plate no nordeste, um Santos no México, um Corinthians no Brasil.

Futebol deveria ser uma palavra feminina, pois tanta beleza, tanta paixão, provocação, amor, raiva, choros, sorrisos, só grandes mulheres inflam tais sentimentos no coração dos homens, pobres e cegos apaixonados seres limitados. É por isso que muitas mulheres (as pequenas) insistem em rivalizar com o futebol, em crises de ciúme por ter a atenção dividida por causa de uma bola.

Injustificável sentimento de uma paixão não correspondida. O futebol é sacana, engana e, quando acha que a previsibilidade atuará, que o Barcelona goleará, vem os Deuses da bola e mudam o curso da história.

Até ateus acreditam na divindade futebolística. Foram eles que desviaram o chute do melhor do mundo no pênalti perdido! Malditos que não permitem a eternidade da arte!

Mas como toda arte, o futebol também é subjetivo, de interpretações múltiplas, e a arte de ontem foi um time sem zagueiros (um expulso e outro machucado, logo no início do jogo) eliminar o time das goleadas e da beleza plástica. Se Michelangelo fez arte a partir de uma não bela Gioconda, o Chelsea pode construir uma obra prima, não bela, na terra de Gaudí. O mundo não é feito apenas de Gisele Bündchen. Pelo contrário. Ainda bem!

O Anti-jogo é arte, Arte da Guerra que Sun Tzu explicou. Cada um luta com as armas que possui. Encenar é arte, e Drogba pode fingir suas dores num grande palco. É o máximo que alguns Davis poderiam fazer, pois se lutassem de igual para igual, o time londrino seria engolido pelo Barcelona.

Cruel, o futebol, que permite gols em contra-ataques. Apaixonante futebol, que encobre a razão e a superioridade num toque sutil de Ramires. Futebol que alimenta as minorias, os pequenos Davis, na esperança do impossível, do imprevisível e do injusto, acontecer. E às vezes ele acontece, e a graça está nisso: se a injustiça for frequente, o futebol deixará de existir.

É por isso que existirão dias de Paysandú no La Bombonera, de Chelsea no Camp Nou ou do Uruguai no Maracanã.

Há dias que eu odeio amar o futebol, e outros dias que amo odiar o futebol. Mais raros são os dias, como ontem, em que amo amar o futebol, a maior invenção da humanidade.


A ganância contra o povo

19/04/2012

Corinthians é o time que mais arrecada em jogos. Embora sua média de público não esteja muito acima dos rivais, o que destaca é o valor do ingresso que é o mais caro do Brasil.

Arrecadar 1.6 milhão de reais, como no último jogo, é um rendimento considerável que ajuda os cofres do alvinegro. No entanto, há de se destacar alguns pontos deficitários que, em três jogos de Copa Libertadores no Pacaembu, não foi resolvida: a taxa de ocupação.

No jogo contra o Deportivo Táchira, da Venezuela, o público total foi de 29 mil espectadores, num estádio que abriga quarenta mil torcedores. Ou seja, foram 72% de ocupação, muito aquém dos números de times medianos do futebol europeu, o que dirá dos gigantes do velho continente.

O principal fator de mais de dez mil lugares vazios no estádio é o custo do ingresso. Quase que a totalidade desses ingressos está nos setores das cadeiras, em que o Corinthians cobra valores astronômicos. Assim, o Corinthians deixa de arrecadar CENTENAS de milhões de reais por… ganância.

Ganância?!? Sim. Incompetência e falta de inteligência são perfeitamente somáveis à ganância dos administradores do clube.

O Corinthians não encontrou ainda a curva de consumo do seu torcedor em todas as áreas: não sabe cobrar o valor pelo uniforme que dê um lucro sustentável, assim como não sabe cobrar pelo ingresso, que deixa o estádio cada dia mais vazio. O aumento abusivo no preço dos ingressos afasta a grande maioria, deixando o evento elitizado. Uma completa contradição, quando se trata do “time do povo”.

Povo rico, esse, que não aparece no estádio. São pessoas que preferem o conforto da poltrona e o pay-per-view, que não tem o costume de ir ao Pacaembu, deixar carro longe sob a guarda de um flanelinha que cobra quinze reais, que não se dispõe a andar um quilômetro até o estádio desviando de barraquinhas de sanduíches de pernil, espetinhos de churrasco ou vendedores de cerveja.

Todo clube tem sua torcida de almofadinhas, e o Corinthians, contrariando a imensa maioria dos brasileiros que acha que é o clube dos desdentados e favelados, é o time que mais tem torcedores, proporcionalmente, às classes A e B em todo o Brasil.

Porém, àqueles que costumavam sentar na cadeira coberta do Pacaembu não estão mais lá: ou hoje vão para o bar assistir pela TV, ou mudaram de setor do estádio e foram para as cadeiras descobertas (Setor Laranja). Em efeito dominó, os que assistiam na Laranja mudaram de área também porque não aguentam pagar o preço atual, assim superlotaram a sempre lotada arquibancada, o “setor popular”.

Setor popular este que cobra 35 reais por jogo, e que não tem nada de popular no perfil dos ocupantes. Se fizerem uma pesquisa em frente ao portão principal do Pacaembu, aposto que mais de 50% já têm ou está cursando ensino superior. Aposto ainda que pelo menos dois terços da ocupação da arquibancada tem torcedores com rendimentos mensais acima dos mil reais mensais.

Esqueceram que aqui é o Brasil. E clubes como o Corinthians aproveitam a paixão e fidelidade de milhares de torcedores para que tais comprometam sensivelmente a renda familiar, direcionando o valor para ver o time no estádio.

Não apenas o desrespeito à massa corintiana, há ainda uma falta de inteligência tremenda da diretoria do Corinthians não otimizar o potencial que o Estádio do Pacaembu tem em fazer dele um verdadeiro inferno para os adversários, com uma multidão enlouquecida gritando o nome Corinthians.

Foram, no jogo de ontem, 28% a menos de vozes, de gritos, de impulso que dá energia ao Corinthians. Foram pelo menos quinhentos mil reais a menos de arrecadação ao clube.  E o que a diretoria faz para mudar?  Nada!

Tive a oportunidade, ano passado, de assistir um jogo na tribuna. Sabe aquelas cadeiras pretas separando da amarela? Então, para quem não sabe, a tribuna é onde, praticamente, ninguém compra ingresso.

São ex-jogadores, familiares de jogadores, filhos de diretores ou outros componentes da direção, empregados, etc. São pessoas que pegam seus ingressos no Parque São Jorge, gratuitamente, e vão para o estádio, entram num portão com um segurança de terno e gravata, e, no intervalo do jogo, vão para os comes e bebes naquele salão que é um viaduto de quem vê pela rua.  Tudo de graça, salvo raríssimas (e põe raríssimas mesmo) exceções que pagam os 300, 400 reais de ingresso para ter esse tipo de serviço.

E o mais absurdo do jogo de ontem é a falta de comunicação com a direção da equipe adversária. Já eliminado, o Deportivo Táchira não tinha expectativa positiva nenhuma no jogo, assim, não foram nem uma dúzia para apoiar o time venezuelano.

Ora, Direção do Corinthians, vocês não poderiam entrar em contato com o adversário, e oferecer aos tais torcedores as cadeiras pretas e os quitutes, cafezinho e sanduíche de metro, como anfitriões do espetáculo?

Pior que isso foi o pensamento engessado da Policia Militar em fazer aquele cordão de isolamento bizarro no Tobogã, diminuindo a capacidade deste setor, sendo que seria impossível qualquer tipo de ataque de sacolas cheias de urina. Enfiam mais uns trezentos corintianos naquele canto baixo do Tobogã para gritar pelo clube, que será de grande ajuda.

Resolvendo a questão dos doze torcedores do visitante, liberaria quase cinco mil lugares, àqueles destinados aos visitantes, para a torcida do Corinthians lotar um setor que poderia ter o mesmo preço da arquibancada, já que ambos os setores tem como conforto o cimento duro.

Ora, por 35 reais (preço aproximado do Fiel Torcedor), multiplicado por cinco mil, somariam R$ 175.000,00 à renda. Porém, mais que o valor no caixa do clube, seriam outras cinco mil vozes no jogo, que fazem diferença.

O Corinthians tem a obrigação de colocar pelo menos 90% da carga máxima de torcedores no estádio para jogos da Libertadores. E não é culpa da torcida não lotar o estádio, e sim é a ganância e mesquinharia da direção do clube, achando que o Pacaembu tem estrutura que valem a cobrança de ingressos acima dos cem reais. Ora, o Corinthians tem torcedores ricos, muito ricos, só que a maioria deles não vai se enfiar num estádio que não tem estacionamento, que não dá dignidade ao torcedor.

Daqui a pouco, o cachorro morde o próprio rabo. Basta ver a média fraquíssima de torcedores do time nos jogos do campeonato estadual. A torcida não tem condições de pagar esse absurdo de ingresso, sendo que há todo um ritual dos torcedores: são cervejas (3 reais por lata), são churrasquinhos, sanduíches de porta de estádio, ônibus, etc., que encarecem o custo de ir para o jogo. É praticamente impossível, somando os valores, um torcedor gastar menos de cinquenta reais num jogo.

Multiplique isso por, na média, seis jogos por mês.  São trezentos reais para os torcedores de arquibancada ficar no sol e na chuva pelo time. Hoje, embora cante com a mesma força e vibre com a mesma energia, quem está lá não é o povo histórico que carrega esse time há um século. Hoje é a classe média (da média baixa à média alta) que ocupa esses lugares, deixando socioeconomicamente povo em casa.

A gestão do clube é deficitária e a cada dia que passa se distancia dos torcedores. São camisas custando 199 reais, algo que estimula a pirataria, que encontra um campo vasto para vender as “réplicas” por 20, 30 reais. Se a camisa original, no lançamento, custasse 80, 90 reais, será que os produtos piratas sobreviveriam? Aposto que não sobreviveriam porque haveria um esforço do torcedor em pagar, duas ou três vezes mais, pelo produto original. Mas hoje, a diferença chega a dez vezes mais caro, distanciando o torcedor do clube.

O mesmo se trata com ingressos. Se há dez mil lugares vazios, que vendam esses ingressos horas antes do jogo por dez reais. É um investimento importante e necessário, que fortalece muito os jogadores. Competente seriam se colocassem ingresso por preços mais justos, lotando o estádio em respeito ao próprio Corinthians.

Cobrar mais de cem reais num ingresso é um absurdo, em se tratando de Corinthians. Soma-se tal exploração aos quinze reais do flanelinha, os vinte reais das cervejas, o sanduíche, etc., impossibilitando para a maioria dos Brasileiros.

A diretoria do Corinthians está silenciando o principal jogador que o time teve, e sempre vai ter: a sua torcida.

Grandes marketeiros da República Popular do Corinthians… Aonde é Popular, mesmo?


As duas torcidas brasileiras

06/12/2010

Terminado mais um campeonato brasileiro e, consequentemente, o ano calendário do futebol brasileiro, o qual Fluminense conquistou seu segundo título por méritos, principalmente, do competente treinador e de um excelente jogador: o argentino Conca.

Depois de 37 rodadas, apenas três equipes tinham condições de levantar a taça, e os tricolores do Rio de Janeiro, na frente, não deram margens ao azar, deixando Cruzeiro e Corinthians ficarem com o vice e terceiro lugar, respectivamente. As outras ficaram pra trás, muito pra trás.

Mas o motivo principal para eu tecer algumas linhas não é a glória fluminense, mas sim a alegria da imensa maioria no Brasil. Hoje amanheceram com sorrisos abertos mais de uma centena de milhões de pessoas motivadas principalmente não pela conquista, mas sim pelo insucesso do Sport Club Corinthians Paulista.

Fogos nas ruas, notícias destacadas em jornais, e chuva de mensagens em redes de relacionamento reforçaram, mais uma vez, uma tese que já defendi em conversas de botequim: O Brasil só tem duas torcidas, e ambas são reflexos do que o Corinthians faz ou deixa de fazer: Corinthianos e Anti-Corinthianos.

Já ouvi, e não foram poucas vezes, que a maior alegria de muitos no futebol é ver o fracasso Corinthiano. Tais pessoas dizem ser sãopaulinas, palmeirenses, colorados, gremistas, cruzeirenses, flamenguistas, vascaínos, santistas, atleticanos, etc., mas no fundo, no fundo, para tantos, salvo algumas exceções, tais clubes são secundários porque o que eles gostam mesmo é de ver a derrocada do Corinthians.

Foi assim no rebaixamento em 2007, foi assim nas várias tentativas dos paulistas na Libertadores e, ontem, novas festas e alegrias emanaram com o troféu erguido pelos jogadores do Fluminense.

É uma maneira triste e depressiva de expor sentimentos, quando se torce pelo fracasso do rival. Prova-se isso, ainda mais, com os incoerentes anti-corinthianos que zombam contundentemente o atacante Ronaldo, esquecendo-se que tal jogador foi determinante para todos comemorarem Copa do Mundo, proporcionando felicidade para vocês, brasileiros anti e pró Corinthians.

É ridícula a falta de respeito à um dos maiores jogadores da história do Brasil e do mundo. E isso acontece só porque ele joga no Corinthians. “Eu tenho raiva do Corinthians”, “eu odeio o Cúrintia”, são frases automáticas e corriqueiras faladas em todo o país, que extrapolam os limites de uma saudável consciência esportiva, do reconhecimento da superioridade e/ou inferioridade de rivais em uma competição.

As brincadeiras com derrotas são normais com todos, mas é impressionante, quando envolvem o Corinthians, o transparecimento de ódio, rancor e aversão ao clube alvinegro. À estes tristes indivíduos que buscam felicidade a partir do fracasso do oponente, juro tentar compreendê-los, mas é difícil.

Só o Corinthians, de fato, vai além do significado de ‘torcer’. São seguidores apaixonados que empurram com vozes, suor, sangue, coração e pulmão durante toda vida. Só o Corinthians tem fiéis, numa fidelidade clara ao clube, à história de lutas, mesmo sabendo que pertence à uma minoria, afinal são só trinta milhões contra 160 milhões pertencentes à outra torcida.

Aos rivais sempre insatisfeitos pelo espaço reservado ao Corinthians na mídia, entendam que a conta não está errada, afinal, o espaço Anti-Corinthians sempre foi maior porque precisa subdividí-lo em pequenas cotas temporais para divulgar alguma informação dos outros clubes.

Corinthians é sempre o mais comentado, quer vocês tenham mais títulos ou não. Recorda-se, também, que um dia após um título do São Paulo, o assunto mais falado não era tal título, mas sim a contratação de um jogador pelo Corinthians, no caso, o atacante Ronaldo.

Num singelo paralelo, anti-Corinthiano tem a mesma felicidade de, quando você está com uma mulher bonita, você se sente bem porque a mulher do seu amigo é feia. Oras, seja feliz pelo que você é ou faz, não por motivos externos.

Quer rivalizar, disputar, que seja para demonstrar sua superioridade, afinal, “o bom competidor deseja sempre que o seu oponente esteja na melhor forma”, assim sua vitória será mais doce pois sua força será determinante à glória, e não o insucesso do rival.

À maioria, os anti-Corinthians, peço um favor: contabilize as horas da vida de vocês as quais vocês pensam no Corinthians. Eu faço uma aposta que será, no mínimo, 5 vezes maior o tempo que os Corinthianos gastam para comentar seus clubes, afinal, não damos mais atenção do que realmente merecem.

Há uma diferença abismal entre dizer ‘eu te amo’ e ‘eu não te odeio’. Ontem, mais uma vez, isso ficou claro. Se sua felicidade é condicionada no momento que se diz “centenada” e “chupa gambá”, está provado que falta amor à sua vida.

Corinthians, amo-te!

Marcio Vieira


Fair Play, não no Brasil

04/11/2010

Na 33a. rodada do Campeonato Brasileiro, o pênalti marcado contra o Cruzeiro na derrota frente ao São Paulo foi um dos mais grosseiros erros da arbitragem brasileira nos últimos anos.

Errar, dependendo da dificuldade do lance, é aceitável, mas o que me deixou mais indignado foi, nas entrevistas após o jogo, tanto o atacante Ricardo Oliveira (que sofreu suposta falta) como o goleiro Rogério Ceni, autor do gol, disseram que o lance ocorreu fora da área.

“Vendo de longe, eu achei que foi falta, mas fora da área”, disse Rogério e, “não foi pênalti”, admitiu Ricardo Oliveira aos microfones. Oras, se o lance escancarou tanto um erro, maior erro ainda foi o rompimento ao que chamam dentro das quatro linhas de Fair Play.

Em sua simples tradução, Jogo Justo (ou Limpo) não se limita apenas às jogadas violentas e carrinhos criminosos, ou combate ao racismo e trabalho infantil, campanhas essas levadas por jogadores de futebol de boa parte do mundo. O jogo limpo é, também, ser ético para incentivar toda uma sociedade a ser ética.

E ética foi algo que não existiu em nenhum jogador do São Paulo em relação ao lance, nem mesmo seu maior ídolo, Rogério Ceni. Decepcionante aos amantes do futebol que um atleta raro como ele, que articula bem as palavras e que demonstra liderança, tenha pactuado com o erro da arbitragem, sabendo que o lance não ocorreu dentro da área.

Não é utópico, não é no mundo fantasioso que atletas que seriam beneficiados pela marcação avisam a arbitragem sobre o erro, renunciando a possibilidade do gol, e da vitória.

Na Inglaterra o Flair Play é levado muito à sério. Há inúmeros casos de jogadores que discordaram de alguma marcação ao próprio favor. E quando ocorre o contrário, toda a sociedade, inclusive torcedores do próprio time, criticam o “atleta-ator”, como aconteceu com Eduardo da Silva, ex-Arsenal, que foi à Corte da FIFA por causa de simular um pênalti.

Jogadores “cai-cai” perdem cada vez mais espaço no futebol europeu, pois além de não demonstrar o Jogo Limpo, acabam manchando a imagem do próprio clube que, inevitavelmente, tem seu nome associado ao jogador-ator.

Por outro lado, quando um jogador pára um lance propositalmente ou discorda da marcação, é ovacionado por ambas as torcidas. E são jogadores assim que faltam dentro do futebol brasileiro, comprovado mais uma vez na última quarta-feira, e perpetuando a “Lei de Gerson”.

São por essas e por outras que grandes clubes europeus se preocupam com a índole dos jogadores brasileiros que lhes interessam, onde a teoria maquiavélica dos fins justificarem os meios não é bem quista no velho continente.

Rogério Ceni, no alto de sua suposta sabedoria, poderia ter garantido sua estátua no futebol brasileiro ao recusar o pênalti ou chutar a cobrança na lateral. Faltam Martins Luther Kings de chuteiras para estimularem uma justa consciência coletiva dentro do campo e também nas ruas.

E tais atletas esquecem nessas horas que eles são as referências para milhões de jovens num Brasil com raras oportunidades. Rogério e Ricardo Oliveira, infelizmente, mostraram que precisa ser malandro pra vencer.

E não culpo só o São Paulo ou Rogério. Já aconteceram tantos outros lances semelhantes no Brasil e nenhum deles fez diferente, ninguém foi justo, independentemente do escudo que defendem.

A FIFA prega o Flair Play porque sabe que o futebol está completamente inserido na sociedade, fazendo do esporte uma das principais ferramentas no desenvolvimento de valores sociais.

Uma pena que as cinco estrelas do Brasil não condizem com a posição do país dentro da ética e moral no futebol. Nesses quesitos o Brasil não está nem na terceira divisão, está na várzea.

Marcio Vieira