O teu passado te condena?

22/08/2011

Atualmente, de cada dez empresas, onze querem ser consideradas sustentáveis. A maioria delas porque entendem que precisam compensar suas pegadas para permitir uma exploração contínua de uma atividade, outras empresas, infelizmente, buscam a sustentabilidade para agregar valor ao seu produto e à sua marca.

Empresas sustentáveis são mais admiradas, assim como as empresas que valorizam seus colaboradores, que dão benefícios extras, empresas compromissadas com a Agenda do Trabalho Decente, empresas que incluem a sociedade do seu entorno em questões socioambientais, enfim, empresas que vão além da legislação reguladora acabam, por tais práticas, aumentando sua reputação no mercado e sendo escolhidas pelos consumidores na hora de adquirir um produto ou serviço.

Porém, uma questão importante para ser analisada é a relação da empresa com seu passivo. Considerando que a prática da sustentabilidade é mutável a cada dia com a inclusão de novas tecnologias limpas, com a inclusão de novos conceitos, novas leis trabalhistas, novas técnicas de exploração com menos impacto ambiental, novos parâmetros certificadores, etc., e o passivo acumulado de anos, décadas, às vezes séculos, quando foram utilizados procedimentos que hoje são inadequados, o que será feito com tal passivo?

A maioria esmagadora das empresas esconde essa preocupação, jogam para debaixo do tapete, perpetuando o esquecimento em uma gaveta empoeirada qualquer. Não tocam nesse tipo de assunto porque, por se tratar de uma questão muito vertical e aprofundada que poucas pessoas querem saber, tais empresas direcionam seus esforços na neutralização do impacto dos procedimentos atuais, visto que a cadeia de produção e consumo é atual, e não do passado.

Infelizmente é raríssimo encontrar nos departamentos de sustentabilidade ou que tratam de Direitos Humanos dessas empresas estudos que comparam as práticas e legislações do passado com as práticas e legislações do presente, com o intuito de identificar esse gap, às vezes de grandes proporções, que retratam um passivo de impactos que foi deixado de lado.

Não conheço nenhuma empresa que É sustentável, É verde ou É responsável socioambientalmente. No máximo, conheço empresas que ESTÃO sustentáveis e verdes. Existe uma profunda diferença entre o ser e o estar, um retrata desde o seu nascimento, outro retrata o momento, mas que na hora de divulgar em campanhas, muitas vezes milionárias, sobre as práticas socioambientais, utilizam-se o termo errado de ser, enganando o consumidor.

Entendo que, para ser considerado sustentável, para ser “amiga” da natureza e da sociedade, é preciso olhar para o passado. Concordo que é difícil pesquisar métodos em tempos de pouca tecnologia, baixos registros e poucos documentos ainda existentes, mas o termo sustentabilidade retrata a conscietização de uma situação dos impactos ao longo de toda uma existência.

É difícil mensurar as pegadas de gerações passadas mas, se o nome é o mesmo, se a empresa é a mesma, tais atividades fazem parte não só do passado, assim como do presente, visto que tudo está dentro da vida de tal empresa. Não se esquivar do passado e não ter vergonha dele é necessário para o desenvolvimento de um significado efetivamente mais próximo da sustentabilidade.

O atual momento do planeta e da sociedade reflete as ações do passado. Se novas leis e novos procedimentos são considerados vitais para o desenvolvimento socioambiental, muito se deve às práticas inadequadas e às consequências dessa exploração do passado. Portanto, ao invés de esquecer o passado, deve-se trazê-lo à tona para discutir, contabilizar, mensurar, enfim, auditar o passado para que tais empresas paguem pelo seu passado, fazendo sua compensação com a sociedade e com o meio ambiente conforme a atualização dos conceitos de Sustentabilidade.

Nesta linha de pensamento, forma-se uma ciranda, e nunca uma empresa será sustentável ou respeitará o trabalho decente. Direitos Humanos e Sustentabilidade são utópicos. É impossível atingir a plenitude dos Direitos Humanos e da Sustentabilidade, mas este assunto será tema de um próximo capítulo, aqui no Pegadas.

Marcio Vieira


Verde não é transparente

25/10/2010

"Não sejamos neutros", Elie Wiesel

Semana passada tive a oportunidade de assistir uma palestra de Elie Wiesel, Nobel da Paz em 1986. A palestra na Universidade de Genebra contava também com José Manuel Durão Barroso, ex-presidente de Portugal, e ambos falaram sobre Direitos Humanos.

O ponto que mais me chamou atenção foi a crítica que o escritor romeno fez à tradicional neutralidade da Suíça com relação às guerras, invasões, e destruições que marcaram toda Europa no último século.

Ele disse que, quando o objetivo é a paz e o desenvolvimento por uma igualdade social, não se deve ficar calado ao ver mortes, ao ver crimes, ao ver desrespeito às leis e desrespeito ao próprio ser humano.

Logo após o evento, criei um paralelo com a decisão do Partido Verde no segundo turno das eleições presidenciais, que divulgou sua independência em relação aos presidenciáveis.

20 milhões querem mudança

Marina Silva conquistou quase vinte milhões de eleitores, cerca de 1/5 do total. É muita gente que acredita numa terceira via diante dessa incoerente polarização partidária que vive o Brasil nos últimos anos. É muita gente que acredita que o Brasil pode avançar mais com pessoas engajadas e atualizadas. É muita gente que está de saco cheio de tantos escândalos e corrupções.

A impunidade desestimula eleitores, e a obrigatoriedade do voto dá mais forças ao continuísmo da sujeira que se formou em Planaltos, Palácios e Poderes.

Mensalões do PT e DEM, compra de votos para reeleição, dinheiro na cueca, propinas em privatizações, hidrelétrica mal projetada, pedágios, empresa do filho do presidente, absolvição de Renan Calheiros, os 40 petistas, Sudam/Sudene, etc etc etc…

Foram dezesseis anos de incontáveis escândalos que resultaram em nada: Genuíno, Palocci, Eduardo Jorge, Zé Dirceu, Renan Calheiros, e outras dezenas de políticos continuam saboreando suas pizzas, enquanto a população, apática, pouco reclama.

E são em momentos de crise que realmente transparece a índole de cada indivíduo. A debandada de alguns ex-petistas como Marina Silva e Eloísa Helena mostrou que caráter não se compra. Mercadante, se mantivesse sua posição de sair do PT quando estourou a crise no partido, estaria nesse seleto rol de honestos, mas sua covardia e seus escusos interesses mostraram que também faz parte da velha corja de políticos.

Dois ciclos de oito anos repletos de corrupção se passaram, e cá estamos, faltando poucas semanas para decidir qual fantoche será empossado. Se a luz verde diante de tanta lama não foi suficiente para este ano, sua decisão de independência foi aquém das expectativas.

Calar-se  é, de certa forma, abaixar a cabeça para a gravidade de ter dois partidos com comprovadas administrações corruptas que tomarão conta de centenas de bilhões de reais nos próximos anos.  E nisso, a lúcida mente de Plínio de Arruda Sampaio foi mais convicta que o Partido Verde ao dizer que vai anular o voto. É a forma que ele encontrou de mostrar toda sua insatisfação e raiva com o atual sistema político brasileiro.

Ao invés de pregar uma apática independência, Marina Silva poderia ter sido mais incisiva e mais agressiva. Ultrapassam vinte milhões de votos (PV e PSOL somados) àqueles que querem uma mudança significativa.

A neutralidade do PV foi semelhante à secular neutralidade suíça que Elie Wiesel criticou. Não se pode ficar quieto, independente, dentro de um mundo de injustiças e corrupções. É preciso protestar de forma contundente e ser mais agressivo ao expressar sua insatisfação.

Há uma enorme diferença entre dizer “não” e ficar calado. Verdes, se realmente desejam ficar maduros dentro da política nacional, não sejam incolores ou transparentes.

Marcio Vieira


Consumidor exigente, propaganda consciente

23/10/2010

Mais informações para um consumidor mais exigente

Uma das grandes diferenças entre as propagandas de automóveis na Europa e Brasil é, sem dúvidas, a quantidade de informações que acompanham a foto do veículo dos anúncios europeus.

O velho continente tem as mais rigorosas leis ambientais que regulamentam as emissões de gases poluentes no mundo, forçando montadoras  ao desenvolvimento de novas tecnologias “limpas”. Mas o grande motivador vai além da consciência ecológica do consumidor: atinge o bolso.

As normas europeias atrelaram, inteligentemente, o consumo de combustível e emissão de CO2 ao tributo que o consumidor deve pagar anualmente referente ao carro. Assim, o imposto equivalente ao nosso IPVA vai muito além de um percentual do valor de tabela do carro, atingindo também o quão danoso ao meio ambiente é tal veículo.

Além do combate à poluição, esta é uma forma de ativar ainda mais a indústria automobilística porque, com o passar dos anos, um carro velho tende a pagar mais impostos que um veículo novo.

Etiqueta de energia e valor do imposto anual (Reino Unido)

Com tal regulamentação, o consumidor necessita de informações complementares para comprar um carro, e todas as montadoras desenvolveram uma etiqueta de energia semelhante à encontrada nas geladeiras, mencionando a quantidade de CO2 que o veículo emite e quanto pagará anualmente.

Mas o ponto mais curioso  é que tais informações ecológicas de cada carro vão além das lojas e da boca do vendedor: vão para as ruas e, no acirrado mercado automobilístico, a etiqueta de energia torna-se uma importante arma publicitária na decisão de qual carro comprar.

Os consumidores europeus sabem que tais informações não são apenas dados técnicos, elas resultam também em economia financeira. Com isso, as propagandas de automóveis na Europa acrescentam cada vez mais informações referentes ao carro, como resultado no crash test, consumo e quantidade de CO2.

Bem menos exigente, o consumidor brasileiro, quando muito, pergunta ao vendedor da concessionária qual é a média de consumo que tal veículo faz. Incentivo todos, quando procurarem um carro para comprar, que perguntem também ao vendedor qual é o nível de segurança que ele atingiu nos testes e quantas toneladas de CO2 o carro emite. Tenho sérias dúvidas se o vendedor saberá responder.

Marcio Vieira


Insurgentes saudados na terra dos tucanos

11/10/2010

Quando tocava a sirene e uma estrela vermelha subia no telão no fundo do palco, cerca de 50 mil pessoas que foram ao primeiro dia do Festival SWU, no interior de São Paulo, entraram em euforia. E não era para menos, afinal, era a primeira vez que o Rage Against the Machine se apresentava no Brasil.

A banda californiana com enorme engajamento sociopolítico voltou aos palcos no mundo todo para uma grande turnê, que incluiu pela primeira vez a América do Sul.

Todos os integrantes da banda, principalmente Zack de la Rocha de Tom Morello, atravessaram as últimas duas décadas defendendo diversas causas em todo mundo. Já perderam a conta de quantas vezes foram detidos por policiais de todo mundo, mas não se cansaram. Muito pelo contrário, a repressão deu energia para lutar mais.

A inspiração surge da raiva de um sistema desigual, lutam pelos imigrantes latinos, pelos negros, lutam pelos direitos trabalhistas, direitos indígenas, lutam contra a tirania, lutam contra uma elite dominante, lutam pela libertação de presos políticos, lutam contra repressão, lutam contra a miséria e lutam por terra.

Quando Zack dedicou a música “People of the Sun” para o MST – Movimento dos Sem Terra, a multidão foi à loucura por mais uma grande música da banda, que faz menção à luta de milhões de indígenas mexicanos (maioria deles vivem da agricultura) contra a tirania de espanhóis colonizadores e, posteriormente, ao Partido Revolucionário Institucional (que de revolucionário só tem o nome).

Lá também são mais de 500 anos de exploração e desigualdade, trazendo uma consequência muito semelhante: a miséria regionalizada. Se os governos brasileiros deixaram na miséria o interior do nordeste brasileiro, no México, esqueceram de cuidar e investir de Chiapas, um pobre estado no sul daquele país.

Para protestar, o sangue Maya foi mais forte que o Tupiniquim: movimentos separatistas e pró reforma agrária ganharam muita força e repercussão desde os anos 70, culminando, em 1994, na tomada de diversas cidades de Chiapas pelo Exército Zapatista de Liberação Nacional.

Até hoje há cidades autônomas no sul mexicano  que vivem da agricultura e turismo. Em 2005, no Fórum Mundial Social, tive a oportunidade de conhecer um grupo da cidade autônoma de Lucio Cabañas (nome dado em homenagem à um importante membro da Revolução Mexicana de 1910, que tinha como líderes Emiliano Zapata e Pancho Villa). Na palavra deles, o isolamento de interferência federal foi um grande avanço para o desenvolvimento agrário e econômico da região.

Zapatistas e a luta por justiça social

Movimentos favoráveis à reforma agrária são amplamente defendidos pela banda, e penso que eles tocaram no SWU por causa do anúncio de ser um evento em defesa da sustentabilidade (à procurar notícias de ações na área após os shows), mas diante da enorme incoerência do show de Itú, ficou na minha mente a pergunta:

– Com ingressos caríssimos, certamente a ampla maioria que foi ao show é de classes média e alta, as quais concentram a maioria dos votos do PSDB. Será que as pessoas que foram ao show da banda apoiam o MST?

Brasil é um país o qual, até hoje, tentam manipular notícias e informações para toda população, fazendo acreditar que Rocky Balboa e mocinho e Ivan Drago é mau, que vermelho é infernal, que estrela vermelha é símbolo satânico, que barba é coisa de revolucionário que vai tomar sua empresa, seu salário, etc.

E se aparecerem tais barbudos com  uma enxada na mão querendo plantar em terras improdutivas, a mídia vai dizer que são espertalhões querendo algo fácil. Sim, é inegável que nos últimos anos os líderes do MST praticaram algumas ações desastrosas e invasões irracionais, mas está longe, muito longe, de motivos para desmoralizar a causa.

A causa do MST é nobre, é para acabar com um domínio secular de poucas famílias sobre o território brasileiro que, de geração em geração, muitos perderam o interesse pelo cultivo em terras, mas não abrem mão de perdê-las para a Reforma Agrária. Esta reforma, por sinal, teve no governo Lula seu maior avanço, dando possibilidades de crescimento econômico para milhares de famílias no país.

Sim, há o lado podre da história, pessoas que entram no programa para repassar terras, pessoas que sonegam suas rendas para tentar conseguir uma terra de graça, laranjas, etc. São essas pessoas que viram notícia, mas são notícias, muitas delas, distorcidas pela mídia que generaliza, que vende uma imagem satânica das lutas sociais.

E é a causa da reforma agrária que a maravilhosa banda Rage Against the Machine levantou a bandeira. É a mesma causa que milhões de paulistas tucanos repudiam, mas que no show, milhares deles saudaram. Talvez nem pensaram na incoerência, se tentaram pensar, não conseguiram pois muitos dos que foram ao evento só enxergam um lado da moeda, aquela derivada da Veja e afins.

Outros símbolos de lutas sociais presentes no show, como a sirene da fábrica que acorda proletários, metalúrgicos, homens que vestem macacões sujos de graxa, trechos d’A Internacional, e a fatídica estrela vermelha no telão não foram, em sequer momento, temas de críticas dos eleitores do PSBD.

Aos menos informados, entendo que a banda não fez coro ao PT em tempo de eleição, que, assim como o PSDB, tem seus dois lados (o bom e o podre). A estrela vermelha socialista não é partidária, é ideológica. O Rage Against the Machine fez menção às causas sociais de um mundo de injustiças.

Aos que associam a imagem comunista do Hugo Chavez com problemas administrativos, censura, estatização, cortina de ferro, etc. e fazem duras críticas ao modelo venezuelano (e com razão), os mesmos endinheirados tucanos esquecem que, quando vão passear no Chile, tal país foi presidido por uma mulher com ideais socialistas, Michelle Bachelet, e é o país latinoamericano com melhor qualidade de vida. Ou seja, cuidado com generalizações.

Desde seu início, RATM é uma banda que protesta, que luta por oportunidades iguais à todos.  Assim como eles pediram que tirassem a barreira vip antes do show, motivo de interrupções ao longo da apresentação, porque eles não querem enxergar diferenças sociais/financeiras quando tocam, isso faz perder o sentido das lutas às quais eles entram, apanham e são presos.

Aos que foram ao show, parabéns. Que a semente que tal quarteto plantou em vossas cabeças produza e reflita as situações do mundo, e que tenhamos mais pessoas caminhando nesta marcha que direciona por um mundo mais justo.


Um carro a menos

21/09/2010

Dia Mundial Sem Carro, você fez sua parte? (Não fez, não deu. Se quiser mudar a data, não vale deixar para o final de semana!)

Eu, no caso, não tenho carro, então tudo facilita, ainda mais dentro de uma cidade que todos os meios de transporte estão completamente integrados, mas não é só isso. Este é apenas o resultado de décadas e décadas inserindo a bicicleta na sociedade.

Em Genebra, bicicletas têm seu espaço

Mas e São Paulo, dá pra mudar? Uma cidade com quase sete milhões de automóveis (e 800 novos carros emplacados por dia) é um desafio um tanto quanto complicado, mas não impossível.  A questão principal, vejo, é a mudança de atitude da população.

E tudo começa, ao meu ver, da aceitação da sociedade (postos de trabalho, comércio, etc.) que as pessoas utilizem roupas menos formais. Brasil é um país tropical, quente, e é totalmente incoerente o uso de ternos, gravatas, dentre outras roupas pesadas de origem europeia. Se na Europa já é perceptível a diminuição de tamanha formalidade, por que o Brasil insiste?

Se a sociedade começar a se acostumar com roupas mais leves, e disponibilizar boas guardarias e vestiários para ciclistas, o uso de bicicletas poderá ser uma solução para enfrentar as ruas.

Em São Paulo morre-se mais de doenças causadas por problemas cardíacos decorrentes de sedentarismo e má alimentação do que em acidentes de bicicleta. Ou seja, gastos hospitalares seriam amenizados, ainda, se o número de ciclistas aumentar, aumentará a consciência e atenção dos motoristas.

Bicicleta Fantasma, mais uma vítima.

Quando morava em São Paulo, por diversas vezes saí em horários de rush para confirmar que a bicicleta vai mais rápido. Entre outras saídas, fazia um percurso de 12 quilômetros até chegar na Av. Paulista x Av. Consolação para o encontro com o grupo Bicicletada (www.bicicletada.org). Percurso esse feito em 45-55 minutos. De carro, leva-se mais de uma hora.

Outros testes foram feitos comprovando a maior velocidade da bicicleta frente aos outros meios de transporte. Ora, por que então só utilizá-la aos finais de semana?

Ainda, por que o governo federal concedeu isenção de IPI para automóveis e motos, e não para bicicletas. Por que bicicleta dá prejuízo. Imagine toda a cadeia de produção que leva um automóvel, e ainda perpetuar a utilização de combustíveis.

Agora pense se um determinado grupo (18-40 anos) iniciar o uso de bicicletas como principal veículo, quantos milhares de automóveis deixarão de ser utilizados? Quanto diminuirá a arrecadação fiscal?

O comércio/indústria segue a forma de consumo da população: se continuar o fomento ao consumo desenfreado, desequilibrado e irracional, o estresse e problemas de saúde acompanharão tal curva de crescimento.

12 Vagas?!?

Está provado que o rodízio de veículos em São Paulo atingiu, por determinado momento, somente as clásses B e C, mas hoje, com as facilidades de financiamento e compra de automóveis, ficou ineficaz a restrição, de nada serve porque compram-se novos carros para não ficar à pé.

Por mais que tenhamos ambições na vida de conquistar e comprar mais e melhor, cabe à todos pensar de forma coletiva. Se não quiser pedalar, convoque vizinhos e conhecidos, dividam um carro, promovam a carona, mas evite usar sozinho um carro, sendo que cabem outras quatro pessoas.

Não se resolve um problema coletivo tomando uma medida individualizada.


A Guarapiranga do futuro! Quando?

29/08/2010

(Genebra, Suíça) – 3 dias não são suficientes para conhecer um bairro, o que dirá de uma cidade. Mas é inevitável, nos primeiros dias, as comparações quando se está vendo novidades.

Inevitável, também, é não pensar na Guarapiranga quando se vê a cidade de Genebra, na Suíça. Calma! Não estou aqui para humilhar a represa paulistana. Tentarei, ao menos, motivar discussões e brainstorms entre todos que querem a Guarapiranga viva.

Antes de mais nada, conheço a represa de São Paulo muito bem desde quando praticava esportes à vela e posso dizer: ela é linda! Muitos, milhares, pensam que a represa é um esgoto aberto, como são os rios que cortam a cidade.  Mas não, ela está longe de ter a água podre das marginais, no entanto, infelizmente, está distante de ter águas limpas. Ela precisa que cuidem e a respeitem, só isso.

O potencial que a Guarapiranga tem para ser um excelente local para prática de esportes náuticos e lazer para toda população paulista é imensa: São Paulo tem o décimo maior PIB entre todas as cidades do mundo, dinheiro não falta. O que falta é vontade política e uma consciência coletiva para, quem sabe, ela ficar assim:

No momento que tirei essa foto do Lago Genebra limpo, lindo, pensei: São Paulo poderia ter um espaço semelhante, basta um gramadão, uma calçada, cestos de lixo, bancos, árvores.  Basta poucos funcionários para limpeza e conservação.

A atual prefeitura paulistana está investindo, mas é muito pouco e com muita lentidão pois ainda sobrevivem motéis e casas noturnas, restaurantes, etc. que escondem entradas dos poucos espaços de lazer da represa. Todo o comércio e propriedade privada que rodeia a represa deve sair, afinal, interesse coletivo sempre prevalece diante do interesse privado!

Faltam espaços de lazer em São Paulo, e os poucos espaços estão com superlotação nos finais de semana: é estresse para procurar uma porcaria de vaga na rua (com flanelinha pedinte, óbvio), é estresse para correr, e mais ainda para pedalar, achar um pedaço de grama para sentar, descansar.

São Paulo precisa, urgentemente, descentralizar o uso do Parque do Ibirapuera e Villa-Lobos e investir em outros locais, assim evitará grandes deslocamentos de pessoas, que é o principal problema da cidade.

Não basta o trânsito diário dos dias de trabalho, é necessário ainda passar nervoso aos sábados e domingos!  Até quando?