Mais gerúndio, por favor

28/12/2013

pegadaspraia

Ano acabando, ano começando. Olhar pra frente, olhar para trás. Lembrar, planejar.

Final de ano é a época de fazer um balanço de tudo que aconteceu, o que não aconteceu, o que não era para acontecer, o que deveria ter acontecido e o principal: o que está acontecendo.

Está acontecendo a vida, e ela é divina. E um dos planos que tenho para 2014 é viver no gerúndio. Tem gente que odeia o gerundismo, principalmente àquele vindo de operadores de telemarketing, mas o Gerúndio é sensacional porque ele é uma ação contínua no presente, e ano que vem quero muito gerúndio!

Quero mais vivendo, aprendendo, ensinando, realizando, sonhando, criando, lendo, ouvindo, falando, entendendo, respeitando, viajando, desenvolvendo, melhorando, transformando!

Evoluindo! Ter a consciência que há muito ainda para descobrir, aperfeiçoar e melhorar.

Amando! Porque é o amor um sentimento tão nobre, tão forte, que deve ser espalhado de forma universal, sem olhar. Amar quem gosta é fácil, agora amar quem é diferente, amar quem não gosta, este é o desafio.

E que mais verbos sejam conjugados na terminação +NDO, afinal, são as ações do Presente que lembraremos no Futuro no momento que elas forem o Passado.

O Momento presente é inevitável! O que está acontecendo agora é inevitável, já que foi o passado que nos fez chegar até aqui, e passado, também, não se evita.  Aliás, passado deve ser feito para sorrir, independentemente de quais sentimentos tal passado provocou.

E é exatamente isso que recomendo para todo mundo: dar mais atenção ao que está acontecendo.  Dar mais atenção ao momento de agora pois esse momento é lindo e único.

O presente não vai se repetir. A folha que caiu árvore, não cairá mais. Nascerão outras no seu lugar. O ar que respirou, não será mais respirado, aquele oxigênio virou gás carbônico porque tudo se transforma no agora.

Meu 2014 será no gerúndio, atentando-se ao momento que ocorre, que se sente,  que se quer, que se vive.

É o Presente que me transforma, que te transforma, que nos transforma.  E o momento Presente foi dado, como presente, para nós, e devemos ser gratos. Agora é aproveitar a oportunidade.

Não ficar preso ao passado, nem criar expectativas demais sobre o futuro porque o futuro, sempre!, é o resultado das incríveis experiências do presente.

Costumo dizer que sou a minha própria cobaia, é assim que caminho, e é assim que faço minhas pegadas no chão, porém, o chão também me marca.

Mais cuidado com as ações contínuas, mais carinho aos momentos. Que 2014 tenha mais gerúndio, por favor.

Marcio Vieira


O que é Justiça?

13/12/2013

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O STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva) julgará, na próxima segunda-feira, o caso do jogador Héverton, da Portuguesa.

Qualquer que seja a decisão da Corte, tanto haverá críticas, como elogios. A decisão deixa de ser uma simples aplicação de sentença porque haverá reflexos econômicos de grande impacto pelo fato da possibilidade de alteração do clube que disputará a segunda divisão  do campeonato nacional.

Cumprir regulamento é simples (ou deveria ser), desde que o regulamento esteja escrito de forma simples. E ele não é nada bem redigido, facilitando a subjetividade na análise do texto e, consequentemente, subjetividade na aplicação de penas.

Porém, tal tribunal, assim como qualquer outro órgão julgador, tem uma árdua responsabilidade: ser justo.

Então pergunto: o que é justiça?

Aplicar o texto legal não resultará em cumprimento da justiça. A aplicação da lei, na Inquisição, levou à fogueira pessoas que tentavam apresentar novos estudos e novas percepções acerca daquela sociedade, completamente rígida e repressora.

Pode-se dizer que os Inquisitores cometeram “justiça” (sim, justiça entre aspas mesmo) ao aplicar o texto legal, no entanto, estiveram milhas de serem justos.

Em outros tempos e em diversos países, a lei permitia escravizar negros. A lei já proibiu negros e brancos andarem no mesmo ônibus, frequentar a mesma escola, a mesma igreja, etc. O texto de lei proíbe em dezenas de países relacionamento homoafetivo, e adoção de crianças por casais gays.  Leis pelo mundo todo condicionaram a mulher à submissão por séculos, e ainda há culturas que permitem, em Leis, a repressão aos direitos das mulheres

Para os exemplos citados, será que cumprir lei é fazer justiça?  Não!

Nos dias atuais, Tribunais têm o dever de eliminar todas aspas da subjetividade, principalmente de uma palavra tão importante como é a palavra Justiça. Ser justo não significa aplicar o texto legal. Ser justo é mais que o cumprimento de regras, ser justo é mais que obedecer normas.

Para ser justo, é preciso ser e estar correto. Estar correto diante da sociedade, estar correto diante do tempo, do espaço, da cultura, sempre atualizado porque muito do que é considerado justo hoje, não será no futuro.

E sobre o julgamento da próxima segunda-feira, se eu pudesse fazer um pedido ao membros Tribunal Desportivo, pediria para considerar todos os meios que possibilitem a maior aproximação da essência e senso de Justiça.

Analisar friamente o texto de lei é uma forma perigosa e superficial de exercer opinião, e Julgadores não podem limitar suas atividades ao entendimento de normas jurídicas. Aliás, tais julgadores poderiam se inspirarem algo que, recentemente, jogadores de futebol trouxeram um bom sinônimo para a palavra justiça: O Bom Senso.

Quem, de fato, foi prejudicado com a entrada do jogador aos 33 minutos do segundo tempo num jogo “de pouca importância”? Ao meu ver, o único prejudicado foi o adversário da Portuguesa na famigerada partida, o Grêmio.

O Grêmio reclamou? O Grêmio cobrou justiça? O Grêmio se sentiu prejudicado?  Não, e é este o ponto que o Tribunal deve considerar: a interferência do jogador no resultado daquela partida.

A tabela do campeonato é secundária, assim, o justo é aplicar de forma pontual e cirúrgica a punição na esfera esportiva para que não traga efeitos para o resto dos competidores. Em outras palavras, caso o STJD considere culpada a Portuguesa, deve esta perder o ponto conquistado naquele empate, transformando o jogo em vitória do Grêmio.

E pronto! É simples aplicar a Justiça num campo onde atletas transformam praticam a justiça a cada jogo: normalmente, o melhor vence, tirando sempre as não tão raras exceções causadas por má arbitragem.

E é a má arbitragem que altera resultados no esporte. Uma má arbitragem na sua mais alta esfera, o STJD, alterará o que foi definido em campos de futebol, e interferências que vão além da pontuação de um jogo de futebol é errônea pois fere, e muito!, a disputa esportiva que envolve 20 clubes de futebol.

Punições com mais perda de pontos interfere no que foi realizado em outros jogos, e repito: quem faz a justiça no esporte não são os magistrados, mas sim os atletas.

São os jogadores de futebol os principais atores que empregam milhares de pessoas e levam milhões de pessoas aos estádios no Brasil. São eles que justificam centenas de milhões de reais investidos em publicidade, são eles que empregam uma infinidade de profissionais, como jornalistas e, porque não, são os jogadores de futebol que justificam, em boa parte, a existência do Superior Tribunal da Justiça Desportiva.

São tais jogadores de futebol os responsáveis em decidir quem é melhor, quem é pior, numa sadia disputa esportiva, e a transferência da responsabilidade dos jogadores para os Tribunais é um insulto à quem quer o Bom Senso, a boa prática esportiva e a Justiça.

Sejamos todos justos na vida, mesmo que para isso seja necessário ultrapassar os limites da lei.

A verdadeira Justiça pode aprisionar o corpo, mas libertará para sempre a consciência.

Marcio Vieira