Luluzinhas, tão bobinhas

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Este final de semana, em conversa com um amigo, ele comentou comigo sobre um aplicativo para celular chamado Lulu, o qual, na hora, fiquei em estado de choque. Foram tantos sentimentos negativos sucessivos que ainda não consegui digerir, o que motivou escrever este texto.

Para quem não conhece, Lulu é um aplicativo exclusivo para mulheres, que avaliam comportamento de homens sem que estes saibam de tais avaliações porque o acesso pelos homens é proibido! Ou seja, sem consentimento/autorização do homem, a mulherada escreve o que quiser, o homem não fica sabendo e muito menos tem chance de se defender.

Após o momento de choque, só consigo resumir minhas sensações desta forma: decepção com a humanidade.

Antes que venham com piadinhas do “quem não deve, não teme”, ou “está com medinho” do que escreverão sobre você, já digo que estou cagando para tais opiniões e, provavelmente, cagarei para as pessoas que gastam tempo nisso, pelo simples fato de que eu preservo e respeito meu passado, além de procurar entender os motivos que alguns relacionamentos não foram pra frente e, a partir de então, procurar evoluir como pessoa.

Um aplicativo para escrever feedback de como os homens são, fazem, ou não são ou deixam de fazer, é um suicídio social para qualquer mulher que entra em tal “brincadeira”, afinal, é como se ela falasse: “vai lá, eu saí com ele. Pega esse cara que ele manda bem”, ou “fuja, é fria”, ou qualquer outro comentário sobre a intimidade de tais homens.

Não consigo enxergar como brincadeira um programa em que as participantes colocam homens como se fossem objetos para uso e desuso num claro sentido materialista e que, ainda conseguem extrair prazer ao publicar anonimamente informações sobre a vida íntima.

Ser humano não pode ser tratado dessa forma, e é de dar pena pois, ao meu ver, quem trata pessoas como objeto e considera isso normal provavelmente já foram (ou são) tratadas como objeto.  E mulheres não estão num nível de superioridade em relação aos homens, nem o inverso.  São serem que devem ser tratados de forma igual!

(Tive a oportunidade de realizar um estágio na ONU em Genebra, Suíça, em que eu presenciei o quão difícil e inferiorizada é a vida da mulher em diversas culturas, a forma submissa com que vive mesmo em países desenvolvidos, e a árdua luta para equiparação com o homem em direitos e deveres)

É decepcionante o ponto que as pessoas estão chegando em que não conseguem preservar sentimentos e individualidades, a ponto de ter que expor intimidade para o mundo, e agora de forma vulgar, demonstrando que quantidade é mais importante que qualidade e, mais grave ainda, publicar a vida íntima para qualquer pessoa ver, ler e julgar.

As redes sociais não têm limites, afinal, quem cria tais limites são os próprios usuários, porém, a falta de autoestima de milhares de mulheres que aderiram ao Clube das Luluzinhas demonstra a quantidade de respeito elas mesmo se dão: zero.

Homens e Mulheres não são objetos para receberem feedback de relacionamentos na internet, a menos que você seja uma Garota de Programa (mais conhecida como p…), visto que existem sites especializados em que esse tipo troca de informação existe por se tratar de uma prestação de serviço onerosa, suponho.

Agora, se tais Luluzinhas consideram relacionamento como prestação de serviço, provavelmente essas mulheres, quando se arrumam para sair com alguém, ao olhar para o espelho podem estar vendo uma garota de programa.  Afinal, relacionamento é bilateral, há uma troca!

Eu não me vendi para ninguém para ser tratado como prestador de serviço e muito menos considero ex-namoradas como prestadoras de serviço para terem na internet um feedback meu. É decepcionante ver o quão baixo está o nível de humanidade das pessoas a ponto de acharam graça nisso.

Podem me chamar de chato, arcaico, velho, carrancudo, ultrapassado, idiota, mas é minha opinião. Pelo menos eu tenho respeito por mim mesmo, dou valor à minha intimidade e respeito meu passado (o qual inclui todas as pessoas que passaram na minha vida de alguma forma), afinal, meu passado não muda e eu não tenho prepotência para me achar superior às mulheres com que me relacionei, a ponto de não enxergar meus próprios atos e simplesmente apontar o dedo para Elas e dizer que são as responsáveis pelo insucesso do relacionamento.

Relacionamentos, minhas queridas Luluzinhas, nunca são iguais. O que funcionou comigo pode não funcionar com outra pessoa, ou o inverso, pelo simples fato de serem pessoas, e não robôs/objetos. Aliás, se querem um relacionamento que será sempre igual, vão até um sex shop e comprem o que mais satisfazer: com certeza tal objeto fará sempre o mesmo para você.

Se vocês acreditam em tais feedbacks anônimos como referência para julgar uma pessoa, além de demonstrar ansiedade em querer saber como são tais homens ao invés de tentar conhecer o fulano e tirar a própria opinião, vocês acabam transparecendo outra característica bem negativa: são pessoas frustradas.

Como se pode desejar ser respeitada se não há nem respeito por si mesma? Valorize-se!

A única boa notícia vai para os advogados, afinal, vai chover processos por calúnia, injúria e difamação, que poderão atingir o bolso das usuárias do aplicativo Lulu, ou elas acham que, na esfera judicial, será mantido o anonimato de tais declarações?  Luluzinhas, tão bobinhas…

Marcio Vieira

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