Dividindo o Yakult

yakult

Andei refletindo sobre um tema após ir nas passeatas promovidas contra Marco Feliciano. Muitos protestam, mas poucos vão. Já participei de outros movimentos, mas sempre saio com dois sentimentos: um de “dever cumprido” e outro de “desânimo”.

Dever cumprido pois saí, apresentei minha indignação, atravessei a cidade para me juntar com outras pessoas que tiveram a mesma atitude. O Desânimo acompanha porque, com tanta barulheira na internet, a expectativa é sempre maior, de ver mais gente, de ver mais efeito, de ver mais resultado.

Confesso que poderia ir milhares de vezes mais, participar mais. Nunca será o suficiente quando tem tanta coisa errada que precisa de mudança imediata.

Infelizmente o brasileiro não cultivou a “cultura do protesto”. Muita gente não sabe que protestar é a forma mais contundente de demonstrar cidadania. Mostrar-se presente. Atuante. Transparecer que há uma opinião contrária, enfim, dizer nas ruas um sonoro “Não!”

Isso invejo muito dos nossos vizinhos. Argentinos batem suas panelas, lotam as ruas. No Chile, também vão, e muito, para as ruas. Uma das últimas manifestações dos chilenos foi para protestar contra a qualidade do ensino!  Oras, não é falta de professores, não é falta de carteiras, materiais escolares, escolas pichadas, falta de transporte escolar, etc. Eles protestaram contra a qualidade daquilo que se ensina! Daquilo que se aprende!

Protesto é feito para querer mudar algo que caminha de forma errada. Protestos são realizados para querer um futuro diferente daquilo que é pré-anunciado, daquilo que é projetado.

É preciso ir para as ruas, faz bem se sentir cidadão nessas horas. Mostrar que está preocupado com o que está sendo feito, sem apatia.  Se o brasileiro se acostumar a usar essa arma que tem, muita coisa vai ser mudada e, mais ainda, muita coisa vai ser evitada.

Governo corrupto é igual aquele amigo fdp que pede um gole de Yakult. Já é pouco, e assim querem pegar metade. É de se revoltar! Mostre, então, a revolta!

Mas o que não entendem é que quem está no poder é o reflexo do que está no povo. São apenas maus representantes de um povo composto de maus cidadãos. E ser mau cidadão não é culpa de escola, não é culpa de falta de saúde, falta de trabalho, falta de transporte.  Para diagnosticar um mau cidadão, basta um espelho.

O silêncio transmite indiferença. Achar que “ativismo de pantufas” em casa funcionará e o Brasil melhorará, sinto muito em desaponta-lo. Tem muita gente na rua que precisa ser encorajada, e isso depende de passos e decisões de cada indivíduo.

É preciso bater panelas, é preciso gritar, é preciso se indignar para, num primeiro momento, ter a oportunidade de discutir uma situação. Do contrário, tudo isso não passará de uma conversa de bar, de um “post” no Facebook.

E não fique com medo se serão só 10 pessoas, se só serão 1.000. Ao invés de enxergar esse número externo, enxergue e valorize os 100% de você na causa que for abraçar.

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