Quem se cala, não peca

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Passaram-se duas semanas da posse do Deputado Marco Feliciano na Comissão dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados. Duas semanas é muito tempo para ficar em silêncio.

Não das minorias, que muitas foram às ruas, revoltadas com a nomeação ridícula de alguém que mostra completo desconhecimento com a “pasta” que vai cuidar.

O silêncio é decepcionante quando vem que quem menos se espera. Uma mulher não pode ficar em silêncio. Uma mãe. Uma mulher filha de imigrante. Uma mulher que lutou por espaço em um ambiente masculino. Uma mulher que lutou contra ditadura não pode ficar calada. Uma mulher Presidente da República não pode fingir que o problema não é dela.

Dilma Rousseff é minoria, também. Todos, os que demonstram opinião, fazem parte da minoria em algum tema, e quem se sente minoria transpira indignação pela nomeação do Pastor Feliciano, que já explicitou inúmeras vezes preconceito contra quem deveria proteger.

Aonde está a indignação da Dilma? Ou da oposição ao governo, aonde está tal indignação?

Mas o silêncio da presidente é justificado pelo medo. Medo de segurar uma bandeira, medo de escolher um lado. Medo de perder eleitores. E não foi só ela que ficou calada. A grande maioria dos políticos ficou calada. Todos têm opiniões, mas quando o assunto é religião, quem se cala, não peca.

Foi assim nas últimas eleições presidenciais quando o assunto foi aborto. Dilma quase “escorregou” ao defender o aborto em casos específicos, mas teve que engolir sua opinião para não perder votos dos cristãos. E o José Serra, no seu costumeiro desespero, tentou aproveitar a situação para ganhar aqueles votos religiosos. Em vão.

Fernando Henrique Cardoso perdeu, para Jânio Quadros, uma eleição praticamente ganha a prefeitura de São Paulo por causa do mesmo tema: crença religiosa. Se tem, qualquer que seja, ou se não tem crença, não interessa! Se é gay, se é bissexual, não interessa para ninguém! A pessoa deve ser eleita por motivos além de escolhas de vida individualizada.

Religião nunca deveria ter influência na política, seja ela qual for e do tamanho que for. Deveria ser proibido partidos políticos sustentados, em boa parte, por Igrejas. Fica claro que tais partidos vão defender primeiro seus interesses específicos antes de representar a coletividade.

E este caminho, o de Cristãos no poder, demonstra ser um caminho sem volta. O problema não é um cristão (seja católico ou evangélico) estar no poder, a preocupação está em saber analisar as necessidades de um povo que vai além de uma crença e, ainda mais podendo ser contrária ao que a religião prega, como a questão do casamento entre pessoas do mesmo sexo, a adoção de crianças por tais casais, a questão de liberar o aborto, a discriminação aos negros, aos retirantes, aos imigrantes ilegais, respeitar e ouvir as mais infinitas diversidades, etc.

Acreditar que Deus, seja ele em qual forma, é quem direciona uma nação, é de uma cegueira monumental. É primordial respeitar as diferenças, quando existentes, e a política surgiu como forma “civilizada” de diálogo entre as diferenças, onde deve-se presumir que a coletividade sobrepõe ao individual.

Crença ou a falta dela, por milhões de devotos que possam existir, é uma questão individual que não pode ter tanto espaço na política como é dado no Brasil no atual momento, a ponto das lideranças, seja a Presidente Dilma, seja os aliados do governo, ou seja da oposição, terem medo de manifestar repúdio à infeliz indicação e eleição do Dep. Marco Feliciano.

Marcio Vieira

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