Compartilhar Mimimis

26/10/2012

“A ignorância não fica tão distante da verdade quanto o preconceito.”

(Denis Diderot)

As Redes Sociais estão inseridas na vida de milhões de pessoas. Twitter e Facebook são as prediletas para muita gente demonstrar que “existe” para o mundo. É uma forma fácil de participar, mesmo calçando pantufas e tomando leite com sucrilhos, muita gente se acha socialmente responsável e politicamente correto, bastando apenas comentar ou, mais ainda, clicar em compartilhar.

É preciso prestar muita atenção no que se compartilha, qual bandeira é levantada, qual ideia é curtida porque há muita baboseira, principalmente quando o assunto são eleições.

No último mês foi possível ver coisas bizarras sendo espalhadas, só pra citar um como exemplo, o ex-presidente Lula estar na lista da Forbes de bilionários.  Ora, a internet está aí para todos, basta gastar menos de dois minutos e entrar no próprio site da revista estadunidense e consultar tal lista para mostrar que aquilo que se espalhou no Facebook é uma notícia mentirosa.

Acontece que há uma preguiça sociopolítica na classe alta, e o descontentamento com a possível derrota tucana faz pessoas ultrapassarem o limite do bom senso, espalhando notícias falsas e transparecendo um preconceito doentio contra a opinião daquele mais pobres.

Infelizmente, Serristas, a cidade de São Paulo tem mais pobre que rico. E essa é uma desigualdade secular que alguns tentam diminuir. Quando o crime é por uma bolsa em Higienópolis, boa parte dos Compartilhadores de Mimimis percebe que há violência.  Agora, quem desses viu o preto morto em mais uma chacina? E se te falar que não foi só um, são centenas, milhares por ano, e ninguém compartilha o problema.

E a favela que pega fogo, quem viu, mas quem sofreu? E o hospital lotado? E a enchente? E a miséria? E o desemprego? E a fome? E o frio? E a dignidade?

Recomendo olhar para a periferia não no dia que você acha que vai fazer um safari no Capão, na Zeéle ou qualquer outro lugar mais pobre. Olhar para periferia, basta olhar para sua empregada doméstica, para o porteiro do seu prédio, para o pizzaiolo que fez e o motoboy que entregou pizza quentinha às 11 da noite na sua casa.

A periferia não está no malabarismo do semáforo.  A periferia está na cozinha do self-service da Berrini, a periferia está na “tiazinha da limpeza”  do seu escritório, a periferia está no cara que passa a madrugada no supermercado deixando os produtos todos bonitinhos nas gôndolas para você achar com mais facilidade.

Ou você acha que é mágica? Plim e o lixo sumiu! Plim e a chão ficou limpo!  Abra Cadabra e a roupa suada da academia, depois de 1 dia, reapareceu limpinha, cheirosa, e dobrada na sua gaveta.

Vem da periferia, tucanada, quem faz isso pra você. É o “p” de pobre, de preto, de peão, de pedreiro, pintor, puta, pedinte, é o “p” de periferia, mano!

E vieram daí as pessoas que conseguiram 13o. salário pra você. FGTS. Hora extra. Tornar-se mãe com emprego.  São os “p”s de periferia que permitiram que você sair de férias, e ir para Miami trazer 60 quilos de bugiganga sem você correr risco de ficar desemprego.

Ou você acha que a classe dominante, àqueles que se tratam pelos sobrenomes pomposos que possuem que, num momento de iluminação budista, decidiram repartir melhor os ganhos?  Que nada! Morreram alguns Silvas, Santos, Barbosas, Alves e outros sobrenomes populares para isso acontecer.

Daí vem os Compartilhadores de Mimimis reclamarem de cota racial na universidade pública. Cacete, a guria vai pra Disney com 7, 10, 15 anos, estuda em colégio particular a vida inteira, ganhou carro do papis, e fica toda indignada que tem um pobre preto intelectualmente mais limitado (óbvio, olha a estrutura socioeconômica do coitado) dividindo a mesma sala de aula.

Domingo é dia de lutar contra desigualdades de séculos. Se você reclama de pagar 22 reais de pedágio na Imigrantes, procure saber quem vendeu permitindo tais condições. Do contrário, continue reclamando da “orkutização do facebook”.

Tem muita gente, milhões, com necessidades muito maiores que as suas. E são emergenciais.

E não seja tão ingênuo de achar que quem vai votar por mais igualdade social está torcendo para absolvição dos Mensaleiros.

Ah, quanta ignorância!

Marcio Vieira

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Vermelha de Raiva

10/10/2012

Seu jornal com termos preconceituosos, “antipetista”, ao invés de simplesmente PSDB e PT

Você que for este texto, sinto muito em lhe dizer, mas ele não é endereçado para você. Não me leve a mal, mas é que você não precisa perder seu precioso tempo lendo algo que provavelmente você não vai concordar, então é melhor parar por aqui.

Afinal, você que acessa diariamente redes sociais, tanto pelo seu laptop como pelo telefone celular, você que assina revistas semanais de péssima qualidade, e que tem em sua confortável estação de trabalho climatizada às margens de uma vistosa avenida paulistana, sinto muito, mas esse texto não é para você.

Este texto vai para quem acorda pelo menos duas horas antes de você, que está no mínimo duas vezes mais distante da famigerada avenida. Este texto vai para quem é responsável pelo mágica que limpou sua mesa e que você não faz ideia qual rosto e qual nome possui, pois faz isso na madrugada.

Este texto também vai para as pessoas que, quando trabalham mesmo horário que o seu, não tem livre acesso as mesmas informações que você recebe. É que o trabalho dessas pessoas, normalmente, não são em frente de um computador, muito menos tem cadeira giratória regulável. O trabalho delas é vestindo macacão sujo de graxa ou com um uniforme da terceirizada.

Serve esta mensagem para aquela senhora que pede licença para retirar os papéis do seu cesto de lixo debaixo da sua mesa. Serve para aquele rapaz que você vê todos os dias ao lado da catraca aonde você passa o crachá, mas nunca falou nada mais aprofundado que um “Hoje é Coringão!”

Este texto serve para aquele cara que passa a madrugada escutando radinho de pilha para esquecer a solidão, e abrindo portão da garagem do seu prédio. Ou para o entregador de pizza, fazendo hora extra depois de 8 horas arriscando a vida para facilitar sua vida e entregar suas coisas com mais rapidez.

E tantas outras pessoas que, embora hoje tenham mais de 70 milhões de brasileiros conectados na internet, a imensa maioria entra bem a noite, quando chega do trabalho, ou quando chega da aula daquela faculdade mixuruca que você tanto reclama da existência, raramente vão ter saco para procurar algo mais conceituado para se informar na internet.

São pessoas criadas no ritmo vida loka, tá ligado? E que, apesar de tudo, estão suaves, bem diferente de você, que adora reclamar da merda do trânsito, mas que necessita sentir-se vivo nas redes sociais, e para isso vale tudo, até comentar repetitivamente sobre o tempo.

Você que tem acesso à este blog e, mesmo com avisos insistiu em continuar a leitura, precisa entender uma coisa fundamental das eleições: você é minoria.

Você que vai em rodízio de comida japonesa é minoria, você que leva 1 hora de trânsito para chegar ao trabalho, é minoria também. Você que tem a possibilidade de viajar de avião com frequência, de ir em baladas, de comprar iphone e outros produtos da maçã mordida, é minoria.

Você que reclama que está lotado o Parque do Ibirapuera aos domingos de sol, você é minoria. Pois a maioria está feliz, lá, e está cagando para seu nojinho com o pobre. Você que reclama de rodovias congestionadas, você é minoria, pois a maioria vai ficar sem viajar, e vai curtir o Shopping Interlagos ou Center Norte lotado, pegar uma fila de 15 minutos no McDonald’s e, depois disso, sorrir.

E o espantoso de tudo é que o centro rico e poderoso de São Paulo não consegue entender que suas necessidades não menores, afinal, sua vida em Moema, Pinheiros e Jardins é sempre uma maravilha, apesar do pedinte no farol e do medo de assalto.

A maioria mora longe de você, nos arredores, basta ver os mapas coloridos publicados após a eleição. É a periferia, mano! Amontoados, vivem espremidos, mas que na hora de votar, o peso dele é igual ao seu, e daí não vale reclamar.

E não adianta reclamar em conversas nos bares de happy hour ou, principalmente, com comentários preconceituosos no twitter e facebook. Expor a opinião é algo livre na sociedade, mas recomendo valorizar sua própria inteligência, afinal, quem foi pra Miami e Paris foi você, que deveria compreender que você é o historicamente privilegiado.

Só que acontece que você é a minoria que acha lindo incendiarem uma favela em pontos nobres, afinal, não é você que nasceu nela, e que das pessoas dela, o máximo que você sente é ignorância e medo.

É preciso entender que a maioria está cansada de uma política elitista, com seus eleitores, incrédulos, xenófobos, preconceituosos com pobre, com preto, com nordestino, com favelado, que vão votar por quem acredita que, no mínimo, darão mais dignidade.

Pobre quer espaço pra respirar. Fique tranquilo que ele não vai entrar na balada da Vila Olímpia. Fique tranquilo que ele não quer conhecer o Shopping JK. O Pobre, a maioria, só quer espaço para viver, e está cansado de políticos que ignoram a periferia, vermelha de raiva.

Eu sou do mesmo lugar de você, leitor. Eu sou da minoria, porém, eu tenho a consciência que São Paulo precisa priorizar a maioria, que está no subúrbio, na periferia. Dane-se se serão anos ruins para o lado azul. Meus problemas não passam de um asfalto esburacado, de uma calçada suja, da falta de um semáforo.

O problema da maioria é ter medo de enchente, de incêndio, de ter ônibus perto (lotado ou não, o importante é ter), de ter escola pública perto, etc.

Afinal, qual o tamanho da sua prioridade?

Marcio Vieira


Quem paga a conta na família?

08/10/2012

Dona Angela, kebab ou churrasquinho grego?

Escrito por Thiago Cagna, do Portal Ecohospedagem

Você daria seu dinheiro para livrar aquele primo folgado da cadeia?

Imagine você, um pai de família, com esposa e filhos para cuidar. Já no avançar da idade, com uns 50 anos talvez, mas nem por isso deixou de trabalhar duro e economizar seu dinheiro para criar seus filhos e garantir um futuro tranquilo para eles, para sua esposa e para você mesmo!

Sim você é bem sucedido, ganha bem, mas trabalhou e trabalha duro para isso e quando se aposentar vai querer manter o mesmo padrão de vida… sem  falar nos filhos, que nesse mundo de crises, talvez precisem de sua ajuda em algum momento.

Eis que um belo dia aquele seu primo, que sempre enrolou, nunca quis saber de trabalhar e sempre gastou o pouco dinheiro que tinha com besteiras, aprontou (como já era de se esperar) e foi preso! Para ele sair teria que ser paga uma fiança astronômica e o único da família que teria esse dinheiro era você… e agora o que fazer?

Azar o dele! Quem mandou ser um vagabundo e nunca trabalhar, sempre empurrou as coisas com a barriga e sempre esteve metido em encrenca… Agora que se vire!

Uma escolha bem razoável não? Mas e os filhos do seu primo, os seus sobrinhos? Eles têm culpa nisso? E o resto da família? Os avós, outros primos e sobrinhos o que dirão? Imagina o climão que ficará cada evento da família que acontecer. Com certeza a questão será levantada e alguns parentes acharão que você é o culpado dele estar preso. As chances de acontecerem brigas familiares e você e seus filhos e esposa se afastarem do restante da família é muito grande! Claro, alguns mais sensatos ficaram ao seu falo, mas outros não e a guerra na família está declarada!

Seus filhos não terão mais contato com os primos… sua mulher será mal falada por todos os familiares..e ai, como fica a decisão de não ajudar o primo preso?

Mas e se você pagar a fiança? O primo nunca lhe pagará de volta, isto está claro. E se acontecer um imprevisto e você ou algum familiar próximo precisar do dinheiro? Como fica? Tudo bem, você tem dinheiro, as chances de isso acontecer são pequenas, mas e se? Arriscar tudo o que você construiu durante uma vida para ajudar alguém que não merece apenas para evitar problemas futuros?

Decisão difícil não, o que você faria?

Agora faça uma substituição nos personagens dessa história. No seu lugar coloque a Alemanha, no lugar de sua mulher e filhos coloque o povo alemão, no lugar do primo preso coloque países como Grécia, Itália e Espanha, e no lugar dos familiares coloque os outros países europeus e até os outros países no mundo. Decisão difícil de tomar não?

Arriscar o dinheiro duramente conquistado por você e por seu povo, através do trabalho duro, do pagamento de impostos, da economia com coisas fúteis e dá-lo a países que nunca tiveram preocupações, onde a jornada de trabalho é menor, onde não se paga imposto e as pessoas ligam mais para o lazer do que para o trabalho…

É por isso que uma decisão como essa é tão difícil de ser tomada… Afinal tudo tem seu lado positivo e negativo e dependendo do ponto de vista um lado é sempre mais pesado q o outro.