Nós corruptos

20/06/2012

Ontem chovia, levei 1h15 para dirigir 20km, num horário (20h00), teoricamente, fora do caos. Encontrei amigos, bebi, minha parte em cervejas foi de  três garrafas de 600ml, e voltei para casa tranquilo, sem medo. É que, com chuva, não há blitz, para felicidade da nação.

Quando bebo, dirijo bem devagar, pois, se der merda, será uma merdinha. Viva o jeitinho, os “inhos” dos brasileirinhos que adoram diminuir as responsabilidades.

Acredito que exista alguns milhões de brasileiros que pensam como eu: são pessoas que tem medo da multa, da apreensão do automóvel, da dor de cabeça econômica que isso vai custar. Autoconfiança achando que dirige bem. O medo de causar acidente, matar e morrer, ficou secundário. A vida é secundária no Brasil.

Algumas horas antes, por volta das 16h, comprei de um vendedor de rua quatro caixas de morango por dez reais. Desses que estacionam o caminhão em qualquer ponto para vender. Nota fiscal? Garantia que os morangos não estejam envenenados ou foram colhidos por trabalhadores semi-escravizados? Registro em carteira de trabalho do ajudante? Isso tudo é secundário. Brasileiro é secundário. O importante era ter os morangos.

Ontem dificultei um pouco mais o Brasil. Poderia ter comprado o morango no supermercado por 16 reais, poderia ter gasto mais de cem reais de taxi (ida e volta), ou 6 reais de transporte coletivo (mas que levaria, pelo menos, 2h30 para chegar).

Só que, se é para ficar 2h30 no trânsito, ou se é para gastar 100 reais de taxi, não vou. Fico em casa, e deixo de gastar 42 reais. Deixo de rever alguns amigos, e daí eu vou para o computador fazer o download de algumas discografias de bandas ou filmes clandestinamente.

Se eu fosse um brasileiro bonitinho, teria gasto, entre morangos e cervejas, uns 200 reais. Mas não sou bonitinho, tenho consciência da minha pegada destrutiva.

O quanto você, caro leitor, atrapalha o Brasil?

Discute-se na Rio+20 a pegada ecológica da população mundial, os desafios de uma economia sustentável, etc. Mas e a sua “pegada corruptiva”, qual o nível dela?

Qual o tamanho da sua corrupção, da sua sonegação, o quanto você contribui para o caos, o quanto você contribui para o Brasil ser o que ele é?

Foi para Miami e trouxe Ipad, Imac, Iphode e não declarou nada? Ultrapassou os U$ 500.00 de cota e ficou quietinho? Dirigiu bêbado? Não pediu nota fiscal para comprar pão ou cerveja? Foi na 25 de Março comprar um novo rádio para o carro? Comprou guarda-chuva do camelô? Pediu nota fiscal? Tem garantia? Esse produto chegou como? Molharam o bolso do fiscal no porto que verificou o container?

Arrombaram meu carro para furtar o estepe. A concessionária cobrava 350 reais. Fui num borracheiro e comprei um por 90 reais. Nota fiscal? Procedência? Esquece. Fui a vítima, tenho “direito” de comprar produto roubado porque fui roubado?

Comprou drogas? Sabe por quantas pessoas isso passou até fazer efeito na sua cabeça? Quantos crimes? Quantas mortes? Quantos policiais e tiveram seus silêncios comprados? Quantas famílias despedaçadas, uns presos, outros viciados.

Enrola no trabalho lendo essa besteirol que escrevi? Faz acordo com o chefe para receber parte do salário “por fora”? Comprou aparelho para desbloqueio de canais de televisão à cabo? Declarou a venda do seu apartamento por menos para não pagar tanto com lucros imobiliários?

Sua declaração de Imposto de Renda é 100% honesta? Existe 90% honesto? E parcialmente honesto?

Eu, tu, eles, nós financiamos a informalidade. Eu, tu, eles, nós contribuímos para essa quantidade monstra de impostos existir porque eu, tu, eles, nós buscamos brechas para pagar menos ou, melhor ainda, não pagar. Eu, tu, eles, nós atrapalhamos o desenvolvimento do país porque a maioria adora ser malandra.

Uns mais, outros menos, raros são os que estão fora disso. E ainda assim queremos reclamar. Eu, tu, ele, nós achamos no direito de reclamar da corrupção. Nós corruptos não desatados que emperram isso aqui de funcionar.

Apontar o dedo para os eleitos é fácil. Eles têm diversas responsabilidades pelo que se vê, menos uma: eles não são responsáveis por seus hábitos. Reflita sobre seus atos, e calcule o seu impacto.

Que exemplo é dado para o futuro? O que serão as crianças?

Mude os hábitos e, quem sabe, daqui 20, 30, 40 anos, eu, tu, eles, nós mudaremos o país.


A Mostarda Atômica

13/06/2012

A Super Mostarda Atômica!!

Poderia ser um desconhecido vilão de algum superherói de uma história em quadrinhos qualquer publicada no outono de 1941 que, agora, volta num filme 3D para aterrorizar com jatos de mostarda nucleares uma metrópole estadunidense. Passaria despercebida a Mostarda Atômica? Quem poderá detê-la? Quem salvará pobres gordinhos indefesos da junk food society?

Mas não, Mostarda Atômica não causa problema para ninguém, embora seja parente da Doce Loucura, além de ser vizinho do Plano Perfeito. Me belisca, caramba! Todos estes vivem em certa harmonia nas prateleiras das farmácias tupiniquins.

Quem em sã consciência batizou uma cor de esmalte de Ventinho Bom? Ventinho, desde quando, tem cor? E que tipo de drogas consumiram aqueles que, depois de exaustivas reuniões, decidiram dar o nome para outra cor de esmalte de Pirlimpimpim. Pirlimpimpim!?!? Não é à toa que Pirlimpimpim fica ao lado do Duende, tanto na prateleira, como no site do fabricante.

Uma ingênua ida à farmácia para comprar remédios de gripe se tornou em diversão pura!  Marketeiros dos esmaltes, realmente, se superam. Porém, pensando não tão distante, recentemente comprei um produto de limpeza multi-uso com a incrível fragância “Chuva de Alegria”.  Comprei mais para saber que raios de cheiro tem uma chuva de alegria. E tão contraditório, aqui mesmo na República do Kassabestão, quando qualquer chuva causa uma desgraça assustadora no trânsito da pauliceia.

Mas se for com Chuva de Alegria, as pessoas ficaram felizes, ora!  Ainda mais se as mulheres utilizarem a incrível cor de esmalte Divirta-se! Cacete, Divirta-se prejudica a imagem da mulher, vão achar que a guria é “facinha”. Não, não, para mulheres mais suscetíveis, existe a cor Deixa Beijar!

Alguém sabe se existe algum curso para identificação das cores de esmaltes? Olha que essa será uma grande vantagem na hora do cabra analisar sua parceira para acasalamento. Vai ficar mais fácil associar o nome da cor do esmalte com a personalidade da fulana.

Porém, cuidado com os marketeiros desses produtos de consumo rápido. Tem muito produto que engana o consumidor! Eu, por exemplo, usava, até pouco tempo, shampoo para cabelos rebeldes. A rebeldia deles era tamanha que foram todos embora, catzo!  Antes, tinha tentado gordurosos para eles emagrecerem e ficarem saudáveis, tentei para quebradiços, também para ralos, porque estavam acumulando no ralo. Fui até de shampoo para cabelos danificados, e nada de resolver meu problema!!

Eu me arrependo de não ter experimentado o shampoo para cabelos blindados!  Blindados, meu Deus!!! Pra quem vai para guerra nas baladas, shampoo para cabelos blindados é o que há de melhor!! Só o shampoo para cabelo normal eu nunca tentei. Afinal, com tanta opção, só compra shampoo para cabelos normais quem tem autoestima suficientemente elevada.

Em resumo, o batismo de novas fragâncias, novas cores, novos sabores, etc., estão deixando cada vez mais confuso o consumidor. É igual pedir pizza: hoje o cardápio tem tantos sabores que você acaba pedindo a pizza “tanto faz”. Enfiaram pizza de hot-dog no cardápio, e tem louco que se arrisca a comer esse troço!

Com tanta esculhambação dos últimos anos, bateu uma saudade do Henry Ford, que dizia: “você pode escolher a cor do carro, desde que seja preto”.