A Santa eleição aborta a liberdade

 

Que tal discutir temas mais importantes?

 

Novamente, quando finalmente esperamos por um confronto de ideias, de projetos e de planos de governo, ambos candidatos finalistas esquivam-se e gastam suas atenções com problemas de menor importância, como o aborto.

A discussão sobre o aborto pode ser ampla, mas a funcionalidade e relevância dentro das eleições é mínima. Porém, nesse jogo de xadrez terrivelmente jogado por Dilma e Serra, ambos pensam mais nas consequências das opiniões, ao invés de promover um debate sobre o tema. Brasil é um país grande, mas com pensamentos pequenos e provincianos.

Sobre a proibição do aborto, este é mais um tema de uma boa parte da população com mentalidade limitada e preconceituosa foge, mas o qual, no mundo inteiro, a tendência é a discriminação da prática.

Na esfera jurídica, é do entendimento de todos os tribunais a liberação do aborto em casos de violência sexual. Ora, será que o deuses das religiões que abominam o aborto conseguem distinguir entre casos de violência ou casos de ignorância, por exemplo? Afinal, na mente dos mais fanáticos religiosos, não foi Deus quem quis tal criança?

A situação dos jovens no Brasil é extremamente delicada pois crianças são influenciadas por danças com conotações sexuais as quais os próprios pais permitem e a televisão e rádio as promovem. As consequências disso, todo mundo já sabe, inclusive no refrão de tais músicas apelativas: “depois de nove meses você vê o resultado”.

Pais que acham bonitinho ver suas filhas de 10, 12 anos dançando tais músicas são os primeiros a abominar o abordo da filha de 15 anos por sabe lá quais motivos religiosos ou que afrontam a moral familiar.

O mais incoerente de tudo é a questão da liberdade de opiniões e decisões de cada indivíduo da sociedade. Se eu não interfiro no short enfiado que uma menina de 13 anos utiliza com extrema vulgaridade, se eu não interfiro nas músicas com conotações sexuais e apelativas, por que a mesma sociedade tem que interferir na minha decisão acerca ao aborto de um eventual filho meu?

O provincianismo brasileiro se dá ao fato da sociedade estar acostumada a fofocar sobre a vida alheia, querer discutir a vida dos outros, e com isso perdem a noção do se que passa debaixo do próprio teto. O medo de enfrentar temas bíblicos e discordar deles, e o medo de discutir assuntos de uma vida moderna travam, bloqueiam milhares de pessoas.

É muito simples dizer “eu sou contra o aborto” em relação à vida dos outros. Ora, somos livres para decidir nosso caminho! Cada um que tome a sua decisão. Se o Brasil é um país laico (sem uma religião oficial), por que tais religiosos influenciam decisões políticas?

A discriminação do aborto não quer dizer que a sua filha de 14 anos que dança ao som de “dako é bom” será obrigada a prática do aborto. A permissão do aborto não significa que a universitária de 20 anos que “vacilou” com o namorado será obrigada a interromper a gestação.

Poderão gerar seus filhos tranquilamente. A questão religiosa, familiar, o lado da educação, a brusca mudança entre adolescente e adulto e outros temas, que fiquem restritos aos envolvidos na gravidez.

Agora, proibir aqueles que não estão preparados financeiramente e psicologicamente, ou, na última das hipóteses, não querem mesmo criar e formar a criança que está na barriga, comprova mais uma vez que a sociedade brasileira, no geral, é preconceituosa e quer cuidar da vida dos outros.

O Código Civil garante direitos apenas aos filhos nascidos com vida. Por mais dolorido que seja dizer “a criança não tem culpa”, será muito pior por um filho nesse mundo estando despreparado, precisando do apoio de avós, tios, interrompendo carreiras profissionais, etc.

Posso estar errado por não saber o real sentimento de saber a notícia de uma gravidez não desejada. Mas se o termo já é “não desejado”, certamente as dificuldades para uma formação sadia com uma estrutura familiar sólida serão bem mais problemáticas e difíceis frente à uma gravidez projetada.

É muito importante distinguir a diferença entre permissão e obrigatoriedade. O que se discute é a permissão, que é algo facultativo para cada indivíduo e sua crença.

É preocupante a influência religiosa dentro da política. Sejamos livres para tomar decisões fáceis e difíceis, respeitando opiniões contrárias.

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One Response to A Santa eleição aborta a liberdade

  1. Yuri Teixeira disse:

    Perfeito!!!! Meu ponto de vista também – 100%. E acredite: isso não é fácil….; – )
    Concordo e ajudo a divulgar esses argumentos.

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