Balança comercial favorável

28/10/2010

Inspirado no balanço do último trimestre da Vale publicado nesta semana, resolvi fazer o meu balanço, oras. Não são cifrões que acumulei nesses dois meses que acabo de completar, mas há sim um grande lucro, um saldo extremamente positivo.

Por mais desprendida que seja a pessoa, todos têm uma corrente, uma corda, amarrando os pés à sua origem ou passado recente. Ela faz a ligação com a memória, é a ligação com bons momentos de alegria, e também de tristeza, e que te liga para fazer reflexões sobre as decisões tomadas.

Mudar de vida não é fácil, mas também não é nenhum bicho de sete cabeças. Sempre disse, aos que me chamavam de corajoso, que “corajosos são os que passam a vida inteira fazendo as mesmas coisas, mesmo trabalho, mesma casa, e que não arriscam sabores e sensações novas com medo de uma possível derrota ou decepção”.

Essa coragem de passar a vida inteira trabalhando com dúvidas sobre o que escolheu, sob estresse, se desgastando, para no final dela (nem sempre) somar patrimônios e algumas viagens quando aposentado, sinceramente, estou fora.

Falo, também, em tom de brincadeira (mas com uma verdade implícita), que a sociedade inverteu a ordem da vida. Aposentado tem que ser quando é jovem, quando tem saúde, para correr, vibrar, sonhar, viajar, dormir em barraca e em rodoviária. Aposentado tem que ser jovem para vivenciar, transpirar realizações e frustrações. Deve-se aproveitar a vida quanto há saúde para mergulhar fundo e escalar arranha-céus. Depois, no final quando velho, perceberá que qualquer trabalho, qualquer emprego, é o suficiente para se satisfazer, pois sua bagagem, sua experiência, ninguém e nenhuma doença irá apagar.

Por isso brinco, digo que sou bon vivant, pois deve-se aproveitar a vida quando se tem, propriamente, a vida. Deve-se dar o valor ao suor em algo que realmente significa para você. Um amigo espanhol, Juan, me disse algo que nunca esquecerei: “Não tenho medo de ser pobre, afinal, nunca fui rico.”

É por isso que incentivo pessoas à mudança, incentivo em viajar, incentivo em mudar de profissão, casa, cidade, etc. Se não der certo, não esquente a cabeça, afinal, você seguiu seus sonhos, que é algo que poucos fazem, acredite. A dificuldade fortalece.

E, sob essa perspectiva, decidi uma mudança para a Suíça. Não conhecia ninguém na cidade, no país, não falo o idioma, não tinha conhecidos nem casa para ficar. Decidi porque é aqui que estão alguns antigos sonhos, os quais resolvi tirar da gaveta e arriscar: ter a oportunidade de estudar e trabalhar dentro de organizações que defendem causas humanitárias, ambientais, e que defendem um mundo internacionalista, sem fronteiras separando ricos dos pobres, brancos dos negros, etnias, religiões, opções sexuais, etc.

Não escolhi um país, escolhi um objetivo. Se fosse o Camboja, Belize ou Somália o país com tais organizações, iria dar um jeito de ir pra lá porque é isso que quero tentar.

Se vou conseguir ou não é outra questão longe ainda de uma resposta pois dois meses não são nada. Se vou aguentar morar num quarto sem janela que só o relógio me orienta saber se é dia ou noite, se vou aguentar a saudade dos sobrinhos, da família, dos amigos, se vou aguentar o frio da Europa e frieza dos europeus, se vou aguentar minha alimentação de sobrevivência, etc. e tal, isso tudo ainda não sei.  Mas vim pra tentar.

O relógio, por enquanto, caminha em marcha lenta, onde a falta de atividades estimula reflexões. Alguns dias me pego com nuvens pensativas rondando minha cabeça, mas que em nenhum momento causaram arrependimento das minhas decisões.

Assim, nos gráficos deste bimestre, minha balança comercial apresenta um superavit enriquecedor, de altíssimo lucro. A minha Bolsa de Mercados e Futuros registra recorde em valorização de títulos futuros, pois sei que toda essa experiência e os muitos sacrifícios passados serão benéficos para mim lá na frente. Mas, se der qualquer problema nessa trajetória, se uma crise mundial estourar, eu tenho uma boa bagagem que ninguém me tira.

Com 28 anos eu não tenho um puto no bolso, mas posso contar, ao menos, histórias para os meus sobrinhos. São escolhas, não sei se fiz as certas ou erradas, mas escolhi com a melhor das intenções.

Àqueles que focam dinheiro em primeiro lugar, para depois viver, eis um conselho: não relacionem sonhos com dinheiro. Eles não percorrem a mesma estrada. Dinheiro traz satisfação, felicidade é muito além disso.

Não incentivo rasgarem seus ternos, seus diplomas e venderem seus carros. O que incentivo é dar importância ao que realmente desejam na vida. Para todo o resto, dá-se um jeito.

Tempere sua vida sem esquentar a cabeça.

Marcio Vieira


Incoerente país

27/10/2010

Estranha comoção,

antes picareta ou ladrão,

agora choram ao redor de um caixão.

Enquanto milhões esqueceram seu passado,

que não é tão obscuro, é sanguinário.

Aproveitam os Poderes para escárnio,

porque morreu um ex-ordinário.

Mas se é ex, então morreu um santo?

Não, como esse eu não me engano,

caneta em uma mão, na outra tem um cano.

Pensam que borracha apaga chumbo,

brotam falsas lágrimas em todo mundo,

principalmente naqueles que vivem de eleições

maltratando, desrespeitando multidões.

Pau de arara e choque elétrico,

não importa qual o método

contra aqueles que lutaram pelo certo,

e o torturador levou todo o mérito.

Direitos Humanos foram rasgados,

foi o enviado do Diabo!

que parou lá no Senado

sem deixar nenhum legado.

Incoerente esse país,

que mais de trinta anos depois

onde torturado e torturador,

para mesma foto dizem x.

Se é a força do perdão?

Não, é porque estamos em eleição.

Marcio Vieira


Verde não é transparente

25/10/2010

"Não sejamos neutros", Elie Wiesel

Semana passada tive a oportunidade de assistir uma palestra de Elie Wiesel, Nobel da Paz em 1986. A palestra na Universidade de Genebra contava também com José Manuel Durão Barroso, ex-presidente de Portugal, e ambos falaram sobre Direitos Humanos.

O ponto que mais me chamou atenção foi a crítica que o escritor romeno fez à tradicional neutralidade da Suíça com relação às guerras, invasões, e destruições que marcaram toda Europa no último século.

Ele disse que, quando o objetivo é a paz e o desenvolvimento por uma igualdade social, não se deve ficar calado ao ver mortes, ao ver crimes, ao ver desrespeito às leis e desrespeito ao próprio ser humano.

Logo após o evento, criei um paralelo com a decisão do Partido Verde no segundo turno das eleições presidenciais, que divulgou sua independência em relação aos presidenciáveis.

20 milhões querem mudança

Marina Silva conquistou quase vinte milhões de eleitores, cerca de 1/5 do total. É muita gente que acredita numa terceira via diante dessa incoerente polarização partidária que vive o Brasil nos últimos anos. É muita gente que acredita que o Brasil pode avançar mais com pessoas engajadas e atualizadas. É muita gente que está de saco cheio de tantos escândalos e corrupções.

A impunidade desestimula eleitores, e a obrigatoriedade do voto dá mais forças ao continuísmo da sujeira que se formou em Planaltos, Palácios e Poderes.

Mensalões do PT e DEM, compra de votos para reeleição, dinheiro na cueca, propinas em privatizações, hidrelétrica mal projetada, pedágios, empresa do filho do presidente, absolvição de Renan Calheiros, os 40 petistas, Sudam/Sudene, etc etc etc…

Foram dezesseis anos de incontáveis escândalos que resultaram em nada: Genuíno, Palocci, Eduardo Jorge, Zé Dirceu, Renan Calheiros, e outras dezenas de políticos continuam saboreando suas pizzas, enquanto a população, apática, pouco reclama.

E são em momentos de crise que realmente transparece a índole de cada indivíduo. A debandada de alguns ex-petistas como Marina Silva e Eloísa Helena mostrou que caráter não se compra. Mercadante, se mantivesse sua posição de sair do PT quando estourou a crise no partido, estaria nesse seleto rol de honestos, mas sua covardia e seus escusos interesses mostraram que também faz parte da velha corja de políticos.

Dois ciclos de oito anos repletos de corrupção se passaram, e cá estamos, faltando poucas semanas para decidir qual fantoche será empossado. Se a luz verde diante de tanta lama não foi suficiente para este ano, sua decisão de independência foi aquém das expectativas.

Calar-se  é, de certa forma, abaixar a cabeça para a gravidade de ter dois partidos com comprovadas administrações corruptas que tomarão conta de centenas de bilhões de reais nos próximos anos.  E nisso, a lúcida mente de Plínio de Arruda Sampaio foi mais convicta que o Partido Verde ao dizer que vai anular o voto. É a forma que ele encontrou de mostrar toda sua insatisfação e raiva com o atual sistema político brasileiro.

Ao invés de pregar uma apática independência, Marina Silva poderia ter sido mais incisiva e mais agressiva. Ultrapassam vinte milhões de votos (PV e PSOL somados) àqueles que querem uma mudança significativa.

A neutralidade do PV foi semelhante à secular neutralidade suíça que Elie Wiesel criticou. Não se pode ficar quieto, independente, dentro de um mundo de injustiças e corrupções. É preciso protestar de forma contundente e ser mais agressivo ao expressar sua insatisfação.

Há uma enorme diferença entre dizer “não” e ficar calado. Verdes, se realmente desejam ficar maduros dentro da política nacional, não sejam incolores ou transparentes.

Marcio Vieira


Senhores zuriquenses

25/10/2010

Em uma rapidíssima viagem para Zurique (que será tema de um futuro post), registrei o que achei mais interessante.

Assim como idosos que têm preferência em filas e acentos, existem carros clássicos (em perfeito estado de conservação) que deveriam ser isentos ao pagamento de estacionamento. Questão de respeito ao passado.


Consumidor exigente, propaganda consciente

23/10/2010

Mais informações para um consumidor mais exigente

Uma das grandes diferenças entre as propagandas de automóveis na Europa e Brasil é, sem dúvidas, a quantidade de informações que acompanham a foto do veículo dos anúncios europeus.

O velho continente tem as mais rigorosas leis ambientais que regulamentam as emissões de gases poluentes no mundo, forçando montadoras  ao desenvolvimento de novas tecnologias “limpas”. Mas o grande motivador vai além da consciência ecológica do consumidor: atinge o bolso.

As normas europeias atrelaram, inteligentemente, o consumo de combustível e emissão de CO2 ao tributo que o consumidor deve pagar anualmente referente ao carro. Assim, o imposto equivalente ao nosso IPVA vai muito além de um percentual do valor de tabela do carro, atingindo também o quão danoso ao meio ambiente é tal veículo.

Além do combate à poluição, esta é uma forma de ativar ainda mais a indústria automobilística porque, com o passar dos anos, um carro velho tende a pagar mais impostos que um veículo novo.

Etiqueta de energia e valor do imposto anual (Reino Unido)

Com tal regulamentação, o consumidor necessita de informações complementares para comprar um carro, e todas as montadoras desenvolveram uma etiqueta de energia semelhante à encontrada nas geladeiras, mencionando a quantidade de CO2 que o veículo emite e quanto pagará anualmente.

Mas o ponto mais curioso  é que tais informações ecológicas de cada carro vão além das lojas e da boca do vendedor: vão para as ruas e, no acirrado mercado automobilístico, a etiqueta de energia torna-se uma importante arma publicitária na decisão de qual carro comprar.

Os consumidores europeus sabem que tais informações não são apenas dados técnicos, elas resultam também em economia financeira. Com isso, as propagandas de automóveis na Europa acrescentam cada vez mais informações referentes ao carro, como resultado no crash test, consumo e quantidade de CO2.

Bem menos exigente, o consumidor brasileiro, quando muito, pergunta ao vendedor da concessionária qual é a média de consumo que tal veículo faz. Incentivo todos, quando procurarem um carro para comprar, que perguntem também ao vendedor qual é o nível de segurança que ele atingiu nos testes e quantas toneladas de CO2 o carro emite. Tenho sérias dúvidas se o vendedor saberá responder.

Marcio Vieira


A preconceituosa burguesia

20/10/2010

Multidão, feliz, comprando

Gostaria de fazer algumas perguntas para todos acerca de um grupo determinado que chamarei aqui de “rico idiota”.  Tais ricos, que pregam o elitismo com prepotência, são milhões que se misturam entre as classes A e B do Brasil e expõe um preconceituoso entendimento das classes mais humildes, ou de pessoas vindas de regiões mais pobres, e à eles faço algumas perguntas para reflexão:

É tão ruim ver milhões de pobres subirem para classe média? É tão ruim ver outras dezenas de milhões de miseráveis subir para a classe C?

Mais, é tão ruim ver o zelador do seu prédio com uma televisão “das fininhas” igual à sua? É tão ruim saber que o faxineiro comprou uma scooter zero quilômetro?

“Ah, mas é financiada em 5, 10 anos”, dirão alguns! “Para a televisão ele fez carnê que terminará de ser pago na Copa do Mundo do Brasil. O carro, só em 2018, quando não custará nem metade do preço atual! “

Existem centenas de desculpas para cutucar a felicidade do pobre que nos últimos anos ganhou espaço, ganhou respeito e condições de não só ter o mesmo celular, mas também comprar a mesma televisão e até o mesmo carro de milhões de pessoas que estão na classe média.

Então, vem tais idiotas da burguesia justificar a facilidade de financiamento, dizer que o pobre vai “casar” com o carnê de prestações e só assim conseguiu entrar no mesmo mundo de consumo que tais pessoas já estavam. Pergunto: e daí? Se o crédito foi aceito, qual é o problema dele comprar? Está triste porque a piadinha deles consumirem um CCE acabou?

O problema é que muita gente se sente incomodada ao voar de Gol para o nordeste e ter que dividir o vôo com vários retirantes que visitarão suas famílias. Há ainda um enorme grupo que acha que avião é transporte de rico e pobre tem que se perpetuar dentro de ônibus pinga-pinga.

É problema seu que pobres quitarão o carro em 10 anos?

O mesmo pobre vai tirar o carro zero quilômetro não tem vergonha de dizer que o carro é financiado em 80 vezes. Mas o suposto rico estufa o peito, faz pose e esconde um carnê de três anos. E depois tais burgueses reclamam da quantidade de carros, do trânsito por causa que pobres estão comprando carro. Pessoas que não se olham primeiro no espelho são as primeiras a reclamar.

É muito constrangedor saber que o motoboy está na universidade? Que a menina que te serve café também está na universidade? “Ah, mas são as ‘universidades de esquina’ que rifam o ensino brasileiro“, tais ricos de pensamento responderão.

O fato é que existe um incômodo enorme, principalmente de tradicionais paulistas e sulistas, com o avanço e desenvolvimento de regiões mais pobres, como norte e nordeste.

Se alguma consumidora com sotaque nordestino entrar na Daslu ou Oscar Freire já pensarão, algumas paulistanas, que tal mulher vai deixar o salário inteiro para comprar uma simples carteira. “Que petulância! Onde já se viu um nordestino comprar na Oscar Freire?“, elas pensarão, desconhecendo o crescimento econômico do Nordeste.

Existe, implícita na sociedade brasileira, uma preocupante segregação racial e econômica, principalmente vindo dos eternos frequentadores da classe média, que não admitem novos integrantes que saíram da pobreza. E tais pessoas criticam programas sociais, rotulando alguns como “bolsa-vagabundo”.

Nordestinos, felizes, com suas novas motos

São pensamentos preconceituosos contra programas sociais às classes D e E, e contra as novas aquisições da classe C, como a primeira moto, primeiro carro, primeira viagem de avião, primeira faculdade e primeira casa que milhões de pobres estão adquirindo. Mexeram no queijo do rico (Para quem leu “quem mexeu no meu queijo?”), deixando transparecer em tempos de eleição toda sua insatisfação em ter que dividir o mesmo espaço.

E muita gente com esse pensamento hitleriano perde oportunidades de crescimento do próprio negócio por desconfiar do pobre e de sua condição financeira. O atual governo permitiu que os beneficiários de auxílios consumam, fazendo a economia regional de rincões crescer. Em outras palavras: o dinheiro gira.

Para mudar a vista, precisa mudar de pensamentos

Tais ultrapassados burgueses criticam até as eleições, dizendo que pobre não tem consciência do voto. Ora, o que eles querem, a volta do voto censitário?

A alta elite se dá o luxo de aumentar seus preços para selecionar seu público, deixando a classe média vulverável à invasão dos pobres em ascensão. Está na hora de jogar essa arrogância e prepotência fora, no lixo, e aceitar dividir lojas, bares, aviões, avenidas, hotéis, boates, praia com todos, só assim será possível desenvolver uma sociedade justa.

Para começar uma justiça social e acabar com a desigualdade tem que aceitar dividir o mesmo espaço, mas isso muita gente não está disposta a fazer, infelizmente.

Há, claro, muita gente que está nas classes A e B que não pactuam do mesmo pensamento discriminatório, e que estão dispostos a ajudar ou, na pior das hipóteses, não restringir o acesso e desenvolvimento das classes menos abastadas. Porém, há um grande e triste grupo de pessoas que receberam ótima educação, mas que têm atitudes preconceituosas, seja com uma simples e “inocente” piadinha, ou seja mesmo com tons mais incisivos contra programas de assistência social.

À estes elitistas, um conselho:  Não se preocupem tanto com a vida alheia e não se preocupem com o espaço que nunca foi só de vocês.

Don’t worry, be happy.

Marcio Vieira


Entre os Invisíveis

18/10/2010

Por mais laranja que seja seu uniforme, é um invisível

Nas últimas semanas tive experiências bem impactantes para mim, onde fiquei próximo das pessoas invisíveis.  Invisíveis são muitos, milhões em todo mundo. São garis, entregadores de jornal, lavadores de banheiros e pratos, e tantas outras pessoas excluídas, de alguma forma, da sociedade.

Fiz, num sábado, limpeza de escritórios. Sabe aquele lixo que deixou no cesto debaixo de sua mesa? Sabe aquele clip que você deixou cair mas não pegou do chão? Sabe aquela xícara de café suja que ficou na copa? Sabe o cesto de lixo que acumula no banheiro? Sabe o que acontece com tudo isso?

São os invisíveis em ação que trabalham enquanto outros descansam,  na madrugada antes de você entrar ou quando você já saiu do trabalho. São aqueles que fazem o serviço no silêncio, não escutam elogios por fazer um serviço bem feito mas, quando o contrário acontece, a crítica chega com extrema velocidade. Você já ouviu algum cliente de restaurante elogiar o prato extremamente limpo?  Não, pois é a “obrigação” de alguém que está lá atrás, nos fundos de uma cozinha.

E você já ouviu algum empregado de gravata elogiar a limpeza do vidro espelhado do escritório o qual trabalha, ou ainda retirar as centenas de bitucas o cinzeiro que fica na porta do prédio? Você já ouviu alguém dizer “obrigado” para o gari que limpa a sarjeta das ruas? Pois bem, esses são alguns exemplos de pessoas que são tratadas como objetos, robôs, as quais nunca perguntaram sobre seus sentimentos e ressentimentos.

Quando entregava jornal, em 2005.

Minha primeira experiência entre os invisíveis foi na Inglaterra, quando entregava jornais no centro de Birmingham. No começo foi bem difícil tomar ciência da minha própria inexistência para milhares de pessoas. Todos os dias as pessoas se esquivavam, não olhavam nos meus olhos, fingiam pressa e, na maioria dos casos, só enxergavam o jornal, focando a visão em uma única direção semelhante aos antolhos usados em cavalos. O entregador, o ser humano e sentimentos que estão ali são de menos.

A falta de um simples “bom dia” para quem fica horas em pé com braço esticado, sorrindo, oferencendo um gratuito jornal, é um soco no queixo da honra do “coitado” que está ali. É querer demais desejar que tal pessoa receba um “bom dia” ou um “obrigado” olhando nos olhos? Mas nos dias que eu recebia um “obrigado” ou uma sincera troca de olhares de uma fração de segundo, todo aquele momento era guardado, dando energia para as milhares de recusas e desrespeito durante todo o dia de trabalho.

A partir de então, por mais que seja um “lixo” a mais no carro, nunca deixei de recusar folhetos em semáforos, e sempre agradeci olhando nos olhos do entregador. Pode ser mais um papel de um consumo desordenado, mas do outro lado do vidro do seu carro há uma pessoa, e dentro dela há sentimentos iguais aos seus. Mas, voltando às experiências desta semana, além limpar escritórios, almoçei por diversas oportunidades num restaurante gratuito para mendigos, desempregados, e outras pessoas sem poder aquisitivo algum. Logo quando se entra é perceptível o clima mais pesado, um ar de tristeza, melancolia, frustração e decepção que se espalha entre todos. Pobres famintos, imigrantes ilegais, viciados em drogas, desempregados, loucos e aqueles que não querem nada na vida aproveitam um simples almoço. À tarde vão para outro posto fazer um lanche, e a noite em outro.

Assim vão vivendo, ou melhor, sobrevivendo. Mendigos que toda sociedade sonha que desapareçam (tem até os que desejam a morte deles), que não sujam ou atrapalhem quando dormem em calçadas ou praças de qualquer cidade do mundo. Muitos deles já perderam o respeito que tinham pela própria vida, não conseguem mais distinguir alguns sentimentos e vivem apenas como animais, como cães de rua, apenas com os sentidos de fome, frio e sede.

Já fiz diversos trabalhos voluntários, há muita gente que atua em maravilhosas causas sociais, mas tenho certeza que a maioria absoluta não sabe o real sentimento de estar do outro lado da moeda. Moeda essa que eles não têm (ou não sabem usar), moeda que divide em classes bilhões de indivíduos. Lá, mesma mesa e comida dividíamos por alguns instantes, que tais momentos me fizeram refletir muito sobre uma injusta sociedade. Me fez pensar o quanto sou privilegiado no mundo, mas me fez mais: abrir o corpo para sentimentos e sensações novas que recomendo à todos.

Sim, fui pra tal restaurante porque estou desempregado e preciso economizar dinheiro num dos países mais caros do mundo. Fui para lá porque, momentaneamente, sou um deles, mas tenho a sorte de não ter aquelas refeições gratuitas como último recurso para viver. No encontro de invisíveis, por algum momento, fiz parte deles.

Pessoas às margens da sociedade, mas que são, assim como eu e você, pessoas merecedoras de respeito e cordialidade. Um sorriso, um “obrigado”, um “bom dia”, por mais que você não seja obrigado, não dói nada na hora de dizer. Mas, para quem recebe, é estimulante, capaz de mudar não só o dia, mas quem sabe, o futuro.

Uma sugestão: que tal deixar, propositalmente, em sua mesa do escritório, um recado e uma lembrança para a pessoa que limpar na madrugada, mais ou menos assim: “Moça da limpeza, não te conheço, mas este sonho de valsa é uma forma simples de agradecimento por limpar minha mesa e meu cesto de lixo todos os dias.”

Marcio Vieira


Insurgentes saudados na terra dos tucanos

11/10/2010

Quando tocava a sirene e uma estrela vermelha subia no telão no fundo do palco, cerca de 50 mil pessoas que foram ao primeiro dia do Festival SWU, no interior de São Paulo, entraram em euforia. E não era para menos, afinal, era a primeira vez que o Rage Against the Machine se apresentava no Brasil.

A banda californiana com enorme engajamento sociopolítico voltou aos palcos no mundo todo para uma grande turnê, que incluiu pela primeira vez a América do Sul.

Todos os integrantes da banda, principalmente Zack de la Rocha de Tom Morello, atravessaram as últimas duas décadas defendendo diversas causas em todo mundo. Já perderam a conta de quantas vezes foram detidos por policiais de todo mundo, mas não se cansaram. Muito pelo contrário, a repressão deu energia para lutar mais.

A inspiração surge da raiva de um sistema desigual, lutam pelos imigrantes latinos, pelos negros, lutam pelos direitos trabalhistas, direitos indígenas, lutam contra a tirania, lutam contra uma elite dominante, lutam pela libertação de presos políticos, lutam contra repressão, lutam contra a miséria e lutam por terra.

Quando Zack dedicou a música “People of the Sun” para o MST – Movimento dos Sem Terra, a multidão foi à loucura por mais uma grande música da banda, que faz menção à luta de milhões de indígenas mexicanos (maioria deles vivem da agricultura) contra a tirania de espanhóis colonizadores e, posteriormente, ao Partido Revolucionário Institucional (que de revolucionário só tem o nome).

Lá também são mais de 500 anos de exploração e desigualdade, trazendo uma consequência muito semelhante: a miséria regionalizada. Se os governos brasileiros deixaram na miséria o interior do nordeste brasileiro, no México, esqueceram de cuidar e investir de Chiapas, um pobre estado no sul daquele país.

Para protestar, o sangue Maya foi mais forte que o Tupiniquim: movimentos separatistas e pró reforma agrária ganharam muita força e repercussão desde os anos 70, culminando, em 1994, na tomada de diversas cidades de Chiapas pelo Exército Zapatista de Liberação Nacional.

Até hoje há cidades autônomas no sul mexicano  que vivem da agricultura e turismo. Em 2005, no Fórum Mundial Social, tive a oportunidade de conhecer um grupo da cidade autônoma de Lucio Cabañas (nome dado em homenagem à um importante membro da Revolução Mexicana de 1910, que tinha como líderes Emiliano Zapata e Pancho Villa). Na palavra deles, o isolamento de interferência federal foi um grande avanço para o desenvolvimento agrário e econômico da região.

Zapatistas e a luta por justiça social

Movimentos favoráveis à reforma agrária são amplamente defendidos pela banda, e penso que eles tocaram no SWU por causa do anúncio de ser um evento em defesa da sustentabilidade (à procurar notícias de ações na área após os shows), mas diante da enorme incoerência do show de Itú, ficou na minha mente a pergunta:

– Com ingressos caríssimos, certamente a ampla maioria que foi ao show é de classes média e alta, as quais concentram a maioria dos votos do PSDB. Será que as pessoas que foram ao show da banda apoiam o MST?

Brasil é um país o qual, até hoje, tentam manipular notícias e informações para toda população, fazendo acreditar que Rocky Balboa e mocinho e Ivan Drago é mau, que vermelho é infernal, que estrela vermelha é símbolo satânico, que barba é coisa de revolucionário que vai tomar sua empresa, seu salário, etc.

E se aparecerem tais barbudos com  uma enxada na mão querendo plantar em terras improdutivas, a mídia vai dizer que são espertalhões querendo algo fácil. Sim, é inegável que nos últimos anos os líderes do MST praticaram algumas ações desastrosas e invasões irracionais, mas está longe, muito longe, de motivos para desmoralizar a causa.

A causa do MST é nobre, é para acabar com um domínio secular de poucas famílias sobre o território brasileiro que, de geração em geração, muitos perderam o interesse pelo cultivo em terras, mas não abrem mão de perdê-las para a Reforma Agrária. Esta reforma, por sinal, teve no governo Lula seu maior avanço, dando possibilidades de crescimento econômico para milhares de famílias no país.

Sim, há o lado podre da história, pessoas que entram no programa para repassar terras, pessoas que sonegam suas rendas para tentar conseguir uma terra de graça, laranjas, etc. São essas pessoas que viram notícia, mas são notícias, muitas delas, distorcidas pela mídia que generaliza, que vende uma imagem satânica das lutas sociais.

E é a causa da reforma agrária que a maravilhosa banda Rage Against the Machine levantou a bandeira. É a mesma causa que milhões de paulistas tucanos repudiam, mas que no show, milhares deles saudaram. Talvez nem pensaram na incoerência, se tentaram pensar, não conseguiram pois muitos dos que foram ao evento só enxergam um lado da moeda, aquela derivada da Veja e afins.

Outros símbolos de lutas sociais presentes no show, como a sirene da fábrica que acorda proletários, metalúrgicos, homens que vestem macacões sujos de graxa, trechos d’A Internacional, e a fatídica estrela vermelha no telão não foram, em sequer momento, temas de críticas dos eleitores do PSBD.

Aos menos informados, entendo que a banda não fez coro ao PT em tempo de eleição, que, assim como o PSDB, tem seus dois lados (o bom e o podre). A estrela vermelha socialista não é partidária, é ideológica. O Rage Against the Machine fez menção às causas sociais de um mundo de injustiças.

Aos que associam a imagem comunista do Hugo Chavez com problemas administrativos, censura, estatização, cortina de ferro, etc. e fazem duras críticas ao modelo venezuelano (e com razão), os mesmos endinheirados tucanos esquecem que, quando vão passear no Chile, tal país foi presidido por uma mulher com ideais socialistas, Michelle Bachelet, e é o país latinoamericano com melhor qualidade de vida. Ou seja, cuidado com generalizações.

Desde seu início, RATM é uma banda que protesta, que luta por oportunidades iguais à todos.  Assim como eles pediram que tirassem a barreira vip antes do show, motivo de interrupções ao longo da apresentação, porque eles não querem enxergar diferenças sociais/financeiras quando tocam, isso faz perder o sentido das lutas às quais eles entram, apanham e são presos.

Aos que foram ao show, parabéns. Que a semente que tal quarteto plantou em vossas cabeças produza e reflita as situações do mundo, e que tenhamos mais pessoas caminhando nesta marcha que direciona por um mundo mais justo.


A Santa eleição aborta a liberdade

08/10/2010

 

Que tal discutir temas mais importantes?

 

Novamente, quando finalmente esperamos por um confronto de ideias, de projetos e de planos de governo, ambos candidatos finalistas esquivam-se e gastam suas atenções com problemas de menor importância, como o aborto.

A discussão sobre o aborto pode ser ampla, mas a funcionalidade e relevância dentro das eleições é mínima. Porém, nesse jogo de xadrez terrivelmente jogado por Dilma e Serra, ambos pensam mais nas consequências das opiniões, ao invés de promover um debate sobre o tema. Brasil é um país grande, mas com pensamentos pequenos e provincianos.

Sobre a proibição do aborto, este é mais um tema de uma boa parte da população com mentalidade limitada e preconceituosa foge, mas o qual, no mundo inteiro, a tendência é a discriminação da prática.

Na esfera jurídica, é do entendimento de todos os tribunais a liberação do aborto em casos de violência sexual. Ora, será que o deuses das religiões que abominam o aborto conseguem distinguir entre casos de violência ou casos de ignorância, por exemplo? Afinal, na mente dos mais fanáticos religiosos, não foi Deus quem quis tal criança?

A situação dos jovens no Brasil é extremamente delicada pois crianças são influenciadas por danças com conotações sexuais as quais os próprios pais permitem e a televisão e rádio as promovem. As consequências disso, todo mundo já sabe, inclusive no refrão de tais músicas apelativas: “depois de nove meses você vê o resultado”.

Pais que acham bonitinho ver suas filhas de 10, 12 anos dançando tais músicas são os primeiros a abominar o abordo da filha de 15 anos por sabe lá quais motivos religiosos ou que afrontam a moral familiar.

O mais incoerente de tudo é a questão da liberdade de opiniões e decisões de cada indivíduo da sociedade. Se eu não interfiro no short enfiado que uma menina de 13 anos utiliza com extrema vulgaridade, se eu não interfiro nas músicas com conotações sexuais e apelativas, por que a mesma sociedade tem que interferir na minha decisão acerca ao aborto de um eventual filho meu?

O provincianismo brasileiro se dá ao fato da sociedade estar acostumada a fofocar sobre a vida alheia, querer discutir a vida dos outros, e com isso perdem a noção do se que passa debaixo do próprio teto. O medo de enfrentar temas bíblicos e discordar deles, e o medo de discutir assuntos de uma vida moderna travam, bloqueiam milhares de pessoas.

É muito simples dizer “eu sou contra o aborto” em relação à vida dos outros. Ora, somos livres para decidir nosso caminho! Cada um que tome a sua decisão. Se o Brasil é um país laico (sem uma religião oficial), por que tais religiosos influenciam decisões políticas?

A discriminação do aborto não quer dizer que a sua filha de 14 anos que dança ao som de “dako é bom” será obrigada a prática do aborto. A permissão do aborto não significa que a universitária de 20 anos que “vacilou” com o namorado será obrigada a interromper a gestação.

Poderão gerar seus filhos tranquilamente. A questão religiosa, familiar, o lado da educação, a brusca mudança entre adolescente e adulto e outros temas, que fiquem restritos aos envolvidos na gravidez.

Agora, proibir aqueles que não estão preparados financeiramente e psicologicamente, ou, na última das hipóteses, não querem mesmo criar e formar a criança que está na barriga, comprova mais uma vez que a sociedade brasileira, no geral, é preconceituosa e quer cuidar da vida dos outros.

O Código Civil garante direitos apenas aos filhos nascidos com vida. Por mais dolorido que seja dizer “a criança não tem culpa”, será muito pior por um filho nesse mundo estando despreparado, precisando do apoio de avós, tios, interrompendo carreiras profissionais, etc.

Posso estar errado por não saber o real sentimento de saber a notícia de uma gravidez não desejada. Mas se o termo já é “não desejado”, certamente as dificuldades para uma formação sadia com uma estrutura familiar sólida serão bem mais problemáticas e difíceis frente à uma gravidez projetada.

É muito importante distinguir a diferença entre permissão e obrigatoriedade. O que se discute é a permissão, que é algo facultativo para cada indivíduo e sua crença.

É preocupante a influência religiosa dentro da política. Sejamos livres para tomar decisões fáceis e difíceis, respeitando opiniões contrárias.


I-phode com a vida

07/10/2010

Há tempos penso em escrever algo sobre os efeitos da tecnologia na vida. Até que ponto ela oferece mais benefícios que prejuízos? Até que ponto ela é saudável?

Desde que cheguei na Suíça, minha primeira percepção é de uma população feliz… mas isolada. Não entendo nada dos critérios de avaliação que usam para elaboração do ranking de melhores cidades para se viver, há anos, Zurique e Genebra frequentam listas das dez melhores cidades do mundo.

São felizes porque a Suíça permite, dá condições de ter uma vida boa, com salário mínimo digno, férias, estudos acessíveis, transporte eficaz, segurança e saúde. De fato, motivos não faltam para o país ter níveis altíssimos de qualidade, mas a questão é: os prejuízos do excesso de qualidade.

É bom ter condições de comprar de tudo, mas é muito pior comprar sem precisar usar, ou sem saber usar. E, em se tratando de produtos eletrônicos, os prejuízos do mau uso são devastadores na vida de uma pessoa.

Durante as últimas semanas, fiz uma estimativa: de cada dez pessoas que entram diariamente nos trens e ônibus de Genebra, 4 estão com fones no ouvido. O pior é entre jovens (aparência entre 16 e 30 anos): de cada dez que vejo, 7 ou 8 estão “isolados” à sua música.

À sua música, ao seu mundo, jovens de hoje perdem a chance de desfrutar daquilo que seus pais lutaram um dia: a liberdade!, em troca do individualismo infinito fornecido pela internet. A grande rede permitiu aos jovens do mundo todo encontrar suas respectivas “tribos”, estilos distintos de música, de roupas, de aparência e de referência.

E a indústria eletrônica acompanhou isso. Acredito que o primeiro pontapé disso tudo foi o saudoso Walkman, da Sony, para escutar seus k-7 em qualquer lugar.

 

O pioneiro

 

No final dos anos 80, ser portátil era o que faltava. Mas, depois de vinte anos de uma chuva de lançamentos, novos produtos, novas tecnologias e novas dependências, vivenciamos uma vida estranha e artificial.

Criam-se todos os anos novas necessidades desnecessárias: celulares ultra modernos “all in one” são as coqueluches da vida high-tech. A cada dia, a principal função de um celular, que é telefonar, perde eficácia diante dos novos apelos consumistas: TV digital, acesso à internet, e-mail, blog, facebook, msn, mp3, mp4, mp18, 20 gigas, 50 gigas, video-conferência, Ipod,  Imac, Iphone, Iphode!

Tudo isso é legal ter, mas cuidado com a dependência que traz. Em excesso, faz mal. Tudo tem seu momento de uso. Existem momentos sociáveis do dia, como transporte público onde há oportunidade de conhecer gente nova, dar bom dia, receber bom dia, conversar, etc., mas o consumo exagerado de produtos e o isolamento que isso traz causa, também, isolamento às outras pessoas “offline” da modernidade.

Mais alguns anos, é capaz de você conversar com a pessoa do seu lado via torpedo. Vai dar  desespero no dia que você esquecer seu celular em casa, vai achar que seu dia será uma tragédia. Calma, isso é só uma algema eletrônica: a vida é muito além de seus contatos do msn e dos amigos do orkut.

E esse isolamento não é só aqui na Europa. Em Hong Kong a coisa é bem pior, e toda população asiática é completamente fechada no mundo cibernético. Nova Iorque, quem não abrir a caixa de e-mails via blackberry em pleno  horário de almoço não será eleito o funcionário do mês.

E no Brasil não será diferente, pois só precisam duas coisas: o povo ter condições de comprar (o que já está acontecendo) e a diminuição do risco de roubo, que vai diminuir, não por eficácia da segurança pública, e sim pela avalanche de produtos: todo mundo estará plugado, o que dificultará o ladrão saber qual é um original e qual é chinês mequetrefe.

Toda essa tecnologia trouxe dependências e novas horas de trabalho, de atenção. Mas o dia mantém com 24 horas, então, recomendo buscar um equilíbrio entre a vida real e a vida eletrônica.

Do contrário, repetindo a bíblica história de Adão, Eva e o fruto proibido, Steve Jobs e cia. vão I-phoder com sua vida.

 

A vida artificial de um mundo que Iphode