Um carro a menos

Dia Mundial Sem Carro, você fez sua parte? (Não fez, não deu. Se quiser mudar a data, não vale deixar para o final de semana!)

Eu, no caso, não tenho carro, então tudo facilita, ainda mais dentro de uma cidade que todos os meios de transporte estão completamente integrados, mas não é só isso. Este é apenas o resultado de décadas e décadas inserindo a bicicleta na sociedade.

Em Genebra, bicicletas têm seu espaço

Mas e São Paulo, dá pra mudar? Uma cidade com quase sete milhões de automóveis (e 800 novos carros emplacados por dia) é um desafio um tanto quanto complicado, mas não impossível.  A questão principal, vejo, é a mudança de atitude da população.

E tudo começa, ao meu ver, da aceitação da sociedade (postos de trabalho, comércio, etc.) que as pessoas utilizem roupas menos formais. Brasil é um país tropical, quente, e é totalmente incoerente o uso de ternos, gravatas, dentre outras roupas pesadas de origem europeia. Se na Europa já é perceptível a diminuição de tamanha formalidade, por que o Brasil insiste?

Se a sociedade começar a se acostumar com roupas mais leves, e disponibilizar boas guardarias e vestiários para ciclistas, o uso de bicicletas poderá ser uma solução para enfrentar as ruas.

Em São Paulo morre-se mais de doenças causadas por problemas cardíacos decorrentes de sedentarismo e má alimentação do que em acidentes de bicicleta. Ou seja, gastos hospitalares seriam amenizados, ainda, se o número de ciclistas aumentar, aumentará a consciência e atenção dos motoristas.

Bicicleta Fantasma, mais uma vítima.

Quando morava em São Paulo, por diversas vezes saí em horários de rush para confirmar que a bicicleta vai mais rápido. Entre outras saídas, fazia um percurso de 12 quilômetros até chegar na Av. Paulista x Av. Consolação para o encontro com o grupo Bicicletada (www.bicicletada.org). Percurso esse feito em 45-55 minutos. De carro, leva-se mais de uma hora.

Outros testes foram feitos comprovando a maior velocidade da bicicleta frente aos outros meios de transporte. Ora, por que então só utilizá-la aos finais de semana?

Ainda, por que o governo federal concedeu isenção de IPI para automóveis e motos, e não para bicicletas. Por que bicicleta dá prejuízo. Imagine toda a cadeia de produção que leva um automóvel, e ainda perpetuar a utilização de combustíveis.

Agora pense se um determinado grupo (18-40 anos) iniciar o uso de bicicletas como principal veículo, quantos milhares de automóveis deixarão de ser utilizados? Quanto diminuirá a arrecadação fiscal?

O comércio/indústria segue a forma de consumo da população: se continuar o fomento ao consumo desenfreado, desequilibrado e irracional, o estresse e problemas de saúde acompanharão tal curva de crescimento.

12 Vagas?!?

Está provado que o rodízio de veículos em São Paulo atingiu, por determinado momento, somente as clásses B e C, mas hoje, com as facilidades de financiamento e compra de automóveis, ficou ineficaz a restrição, de nada serve porque compram-se novos carros para não ficar à pé.

Por mais que tenhamos ambições na vida de conquistar e comprar mais e melhor, cabe à todos pensar de forma coletiva. Se não quiser pedalar, convoque vizinhos e conhecidos, dividam um carro, promovam a carona, mas evite usar sozinho um carro, sendo que cabem outras quatro pessoas.

Não se resolve um problema coletivo tomando uma medida individualizada.

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