Reflexões sobre roupas e pessoas

A primeira vez que morei sozinho, exorcizei o ferro de passar roupas: não sei passar, e não entendo o motivo de se vestir uma roupa lisa para ser amassada.

Então só lavava. Fiquei mais de um ano sem passar roupa. É chato, cansativo, difícil, e não há um fim: na outra semana, as mesmas roupas estarão lá para serem passadas.

Normalmente, quando mais se fica velho, ficamos mais viados (viado com “i” mesmo, da forma que falamos).  Viados, não no sentido da opção sexual, mas no sentido de frescos (existem muitos héteros mais viados que gays). São medos naturais, arriscamos menos, buscamos garantias, confortos, segurança e por aí vai.

Inclui-se, nisso, a reputação. Pensamos mais nos que os outros pensam sobre nós mesmo. Inseguros com medo de chamar atenção por ser quem realmente é, é comum entrar no “molde”, pensar e vestir-se de forma igual, seguir as tendências, e ser mais uma formiguinha da sociedade.

Quanto a sujeira, óbvio ser necessário ter higiene, mas a questão é porque cargas d’água a sociedade nos molda para usarmos roupas lisas, passadas? Ainda, com tanta tecnologia, por que não inventam camisas sociais com base nos tecidos dry-fit ou outros que amassam pouco?

Somos moldados ao ferro de passar roupa. Ele direciona toda a economia doméstica: se existem roupas complicadas de se passar, levamos à lavanderia ou contratamos uma diarista, ou perdemos horas e horas num domingo, suposto dia de descanso.

Gastamos muito dinheiro por causa do ferro de passar roupa. Usar roupa amassada diminui sua inteligência? Usar roupa amassada te deixa mais feio? Imaginamos num encontro: a roupa, que horas depois estará no chão de um motel toda abarrotada, precisa estar lisinha antes? Qual o sentido, já que o propósito é ficar pelado?

Protesto, enfim, contra o uso do ferro de passar roupas! Teremos mais tempo e dinheiro para aproveitar a vida, encontrar amigos, família, cachorro, sozinho, seja lá aonde.

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Ainda no tema, vou dar algumas dicas de sobrevivência aos mochileiros viajantes quanto ao que vestimos:

1- Toda roupa tem dois lados. Camisetas, meias, cuecas podem ser perfeitamente reaproveitadas numa viagem;

2- Se a temperatura está um pouco mais fria, evite blusas. É melhor um frio suportável e transpirar menos, do que colocar uma blusa e suar tanto a camiseta quanto a blusa;

3- Percebe-se roupa suja pelo cheiro mal. Use-as pela 3a, 4a. vez e não se preocupe: ou você está com nariz congestionado, ou a roupa está realmente utilizável;

4- Evite repetir a mesma roupa em dias seguidos. Roupas são que nem pessoas numa caminhada, numa subida: ela precisa parar, respirar, tomar um ar, para depois voltar à ativa;

4- Vai viajar? 10 dias ou 300 dias, a quantidade de roupas é a mesma;

5- Tenha diversos sacos de roupa suja, mas subdivida em muito sujas (sem condições de uso), sujas (No aperto, vai ela), pouco sujas (sem viadagem, vai até pra balada com ela), e utilizáveis (estão praticamente novas). Tudo isso porque roupas sujas são como batatas podres: elas passam, transmitem a podridão com muita rapidez;

6- Um bom desodorante  ocupa menos espaço e menos peso de que quatro ou cinco camisetas a mais.

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2 Responses to Reflexões sobre roupas e pessoas

  1. Rodrigo disse:

    Esqueceu de um detalhe, cueca tem 4 lados e não 2 apenas!! kkkk

  2. talita disse:

    isso de 10 dias ou 300 a quatidade de roupas eh a mesma nao se aplica as mulheres né?

    ahhh tá! kkkkkkkkkkkk

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