Omelete de Gruyère

29/09/2010

Vacas poderosas

Se na Índia as vaquinhas são sagradas, na Suíça, então, são muito mais que isso: boa parte da fama e faturamento do país se deve ao leite dessas adoráveis ruminantes.

As vacas são tão importantes, mas tão importantes, que o governo suíço diminuiu a velocidade dos trens-bala para não estressá-las. Houve, há tempos, um estudo mostrando que barulhos em excesso atrapalham na qualidade do leite e, para os helvéticos não perderem a reputação conquistada, frearam as locomotivas.

O paraíso fiscal é, também, a terra de chocolates de diversas qualidades e sabores, como Lindt, Frey e Toblerone, além da Nestlé. Do lado “salgado” da vida suíça, o prazer é o mesmo: queijos e mais queijos de ótima qualidade, como Emmental e Gruyère.

E a vantagem disso é aproveitar ótimos produtos à preços excelentes, bem baratos mesmo. No café da manhã, como um sanduíche de banana amassada com nutella e vou para aula.

Omelete chique

Hoje fiz uma excentricidade, me senti rico: como aqui a mussarela é praticamente o mesmo preço dos queijos finos, então eu parto para cima dos chiques. Acontece que estava com vontade de comer omelete e, na falta de queijos de pobre (olha o ego!), o Gruyère foi para frigideira.

Ficou bom, mas não igual à pizza do domingo, que “turbinei” a simples margherita da promoção com Gouda e o falecido Gruyère. Saudades da quatro queijos paulistana, mas nem tanta.

E assim começo a conhecer os produtos “Made in Switzerland”. Os produtos suíços são de extrema qualidade, porém, sempre há o lado B, as coisas do povão, que é minha atual condição. Mas aqui o povão vive muito bem, tudo graças ao Migros e o Denner.

Há o Coop, também, mas achei os preços caros.  Migros e Denner são mercados pequenos, enxutos, com tudo que alguém precisa para viver bem. O problema é que o dono do Migros ou não bebe cerveja, ou não gosta, sei lá. Só sei que não vende bebidas alcoólicas.

Foi assim que conheci o Denner. Denner é gente boa, gosta de uma cana, é menor, mais esculachado, bagunçado, e com algumas coisas realmente baratas, além de uma variedade incrível de cerveja. Ontem fui lá e comprei uma tal de Rastella, uma versão bem tosca (e mais barata) da Nutella.

Mas o produto que mais intrigou é o Sabão em Pó Calgon (na propaganda fala-se “Cagón”). Fiquei imaginando o agradável aroma de cagón na sua camiseta. O perfume do campo de cagón me fez lembrar na hora das vaquinhas suíças… Ainda bem que não há sabão cagón no Brasil, acho que, com esse nome, não seria bem recebido nos trópicos.

O perfume irresistível de Calgon


Mudanças no plano de vôo

27/09/2010

Com 70% de uma prateleira e espaço para uma garrafa na geladeira, fora o freezer e armário, as coisas vão entrando numa rotina. Aos poucos, a primeira impressão de ser uma viagem de férias vai se transformando, deixando de ser uma viagem de turismo para ser uma mudança de vida.

Eu em Birmingham (2005), escolhendo um caminho

Mudança é entrar num estado novo e perceber sensações novas. Não precisa mudar de casa e se afastar de pessoas queridas. Para mudar, basta querer. Seja por causa do desconforto, seja por causa de novos desejos.

Se estiver num outro país, num outro mundo!, mas se sua cabeça continuar pensando no que ficou, isso não será uma mudança.  Assim como posso estar onde sempre estive, se desejar mudar algo novo, um emprego, uma paixão, uma fé, basta a mudança de pensamento e de atitudes. Todos estão sujeitos à mudanças a qualquer momento e a felicidade não pode ser delimitada.

Se deixar uma criança a vida inteira dentro de um quarto com todos os brinquedos, ela estará feliz. Mas se ela descobrir, por livros, revistas, tv, etc., novas coisas, lugares, pessoas, ela deixará o “estado de felicidade” porque vai saber o que não tem, o que não é, e perceberá que a vida é feita de mudanças.

Contentar-se é se auto-mutilar. “Contente” é derivada de “Contentar”, que vem da palavra “Conter”, que significa reter, manter, bloquear, limitar. No entanto, se você nunca ficar contente e satisfeito, dificilmente gozará da felicidade momentânea.

Vôos são limitados pelos tamanhos das nossas asas, pelo tempo que conseguimos voar e por senso de direção. Se não tivermos noção do que somos, da força que temos e aquilo que conhecemos, não adianta nem voar. Quer dizer, adianta sim, e muito, para perceber o que precisa ser melhorado nas nossas vidas.

Querer melhorar significa que você tomou consciência de alguma coisa. Se o seu patrão está afiando o machado ou sua bóia está murchando, é sinal de que algo precisa ser feito antes de morrer.

Se rugas e gorduras estão aparecendo, cabelos caindo, estresse acumulando, dinheiro fugindo, apatia e conformismo surgindo, é sinal que algo precisa ser feito. E se você já consegue se olhar/visualizar/prever como estará daqui vinte, trinta anos, está na hora de mudar o plano de vôo. Não disse “sonhar”, disse “prever”.

Qual é seu plano de vôo?

Planos de vôo são feitos antes do avião decolar. Nele há horários, posição global, tempo, tudo pré-determinado. Se você entrar num determinado avião, saberá para onde irá, que instruções receberá, o que poderá levar, o que não poderá fazer, e até o que vai comer, tudo antes de partir. Ah, você saberá, também, quando chegará no destino.

Aviões e vidas são iguais, nisso. Por isso devemos dar importância à tempestades, tufões, nuvens negras. Elas existem para mudarmos algo na vida, não tenho fé que “mensagens divinas” determinam nossa vida, que a vida já está escrita e não podemos mudar nada, que devemos aceitar as condições e imposições dos “superiores”.

No entanto, acredito sim que “mensagens divinas” possam ser sinais para que haja uma reflexão acerca do caminho que estamos seguindo. É aquela máxima, “não diga que não avisei”.

Tem gente que prefere um vôo seguro. Eu não encontrei graça nisso e optei em voar pelo desconhecido. É a forma que encontrei para atingir um tipo, dentre milhões, de felicidade. Ter uma interrogação na testa, para mim, é desafiador. Dentro das dificuldades há sentimentos belíssimos que devem ser explorados porque o corpo é feito de diversos lados.

Como um albatroz

Como um albatroz, voando no alto, que, de repente, mergulha no mar: ele mergulhou para pescar, comer, sobreviver. Ele desce, se molha, se arrisca, pois sabe que precisa se alimentar para ter forças de voar mais alto e mais longe.

Pode não ter sucesso nas “pescarias”, mas ele sabe voar, aprendeu a mergulhar dentro de sentimentos e dificuldades. Se aparecer uma tempestade ou um lindo pôr-do-sol, não terá tanto medo em fazer uma mudança no plano de vôo. Restringir a vida aos planos pode, também, atrapalhar sonhos.

Tudo isso para dizer: “felicidade é um caminho, e não um destino”. E estou muito feliz em caminhar, quer dizer, em voar!


Um carro a menos

21/09/2010

Dia Mundial Sem Carro, você fez sua parte? (Não fez, não deu. Se quiser mudar a data, não vale deixar para o final de semana!)

Eu, no caso, não tenho carro, então tudo facilita, ainda mais dentro de uma cidade que todos os meios de transporte estão completamente integrados, mas não é só isso. Este é apenas o resultado de décadas e décadas inserindo a bicicleta na sociedade.

Em Genebra, bicicletas têm seu espaço

Mas e São Paulo, dá pra mudar? Uma cidade com quase sete milhões de automóveis (e 800 novos carros emplacados por dia) é um desafio um tanto quanto complicado, mas não impossível.  A questão principal, vejo, é a mudança de atitude da população.

E tudo começa, ao meu ver, da aceitação da sociedade (postos de trabalho, comércio, etc.) que as pessoas utilizem roupas menos formais. Brasil é um país tropical, quente, e é totalmente incoerente o uso de ternos, gravatas, dentre outras roupas pesadas de origem europeia. Se na Europa já é perceptível a diminuição de tamanha formalidade, por que o Brasil insiste?

Se a sociedade começar a se acostumar com roupas mais leves, e disponibilizar boas guardarias e vestiários para ciclistas, o uso de bicicletas poderá ser uma solução para enfrentar as ruas.

Em São Paulo morre-se mais de doenças causadas por problemas cardíacos decorrentes de sedentarismo e má alimentação do que em acidentes de bicicleta. Ou seja, gastos hospitalares seriam amenizados, ainda, se o número de ciclistas aumentar, aumentará a consciência e atenção dos motoristas.

Bicicleta Fantasma, mais uma vítima.

Quando morava em São Paulo, por diversas vezes saí em horários de rush para confirmar que a bicicleta vai mais rápido. Entre outras saídas, fazia um percurso de 12 quilômetros até chegar na Av. Paulista x Av. Consolação para o encontro com o grupo Bicicletada (www.bicicletada.org). Percurso esse feito em 45-55 minutos. De carro, leva-se mais de uma hora.

Outros testes foram feitos comprovando a maior velocidade da bicicleta frente aos outros meios de transporte. Ora, por que então só utilizá-la aos finais de semana?

Ainda, por que o governo federal concedeu isenção de IPI para automóveis e motos, e não para bicicletas. Por que bicicleta dá prejuízo. Imagine toda a cadeia de produção que leva um automóvel, e ainda perpetuar a utilização de combustíveis.

Agora pense se um determinado grupo (18-40 anos) iniciar o uso de bicicletas como principal veículo, quantos milhares de automóveis deixarão de ser utilizados? Quanto diminuirá a arrecadação fiscal?

O comércio/indústria segue a forma de consumo da população: se continuar o fomento ao consumo desenfreado, desequilibrado e irracional, o estresse e problemas de saúde acompanharão tal curva de crescimento.

12 Vagas?!?

Está provado que o rodízio de veículos em São Paulo atingiu, por determinado momento, somente as clásses B e C, mas hoje, com as facilidades de financiamento e compra de automóveis, ficou ineficaz a restrição, de nada serve porque compram-se novos carros para não ficar à pé.

Por mais que tenhamos ambições na vida de conquistar e comprar mais e melhor, cabe à todos pensar de forma coletiva. Se não quiser pedalar, convoque vizinhos e conhecidos, dividam um carro, promovam a carona, mas evite usar sozinho um carro, sendo que cabem outras quatro pessoas.

Não se resolve um problema coletivo tomando uma medida individualizada.


Reflexões sobre roupas e pessoas

10/09/2010

A primeira vez que morei sozinho, exorcizei o ferro de passar roupas: não sei passar, e não entendo o motivo de se vestir uma roupa lisa para ser amassada.

Então só lavava. Fiquei mais de um ano sem passar roupa. É chato, cansativo, difícil, e não há um fim: na outra semana, as mesmas roupas estarão lá para serem passadas.

Normalmente, quando mais se fica velho, ficamos mais viados (viado com “i” mesmo, da forma que falamos).  Viados, não no sentido da opção sexual, mas no sentido de frescos (existem muitos héteros mais viados que gays). São medos naturais, arriscamos menos, buscamos garantias, confortos, segurança e por aí vai.

Inclui-se, nisso, a reputação. Pensamos mais nos que os outros pensam sobre nós mesmo. Inseguros com medo de chamar atenção por ser quem realmente é, é comum entrar no “molde”, pensar e vestir-se de forma igual, seguir as tendências, e ser mais uma formiguinha da sociedade.

Quanto a sujeira, óbvio ser necessário ter higiene, mas a questão é porque cargas d’água a sociedade nos molda para usarmos roupas lisas, passadas? Ainda, com tanta tecnologia, por que não inventam camisas sociais com base nos tecidos dry-fit ou outros que amassam pouco?

Somos moldados ao ferro de passar roupa. Ele direciona toda a economia doméstica: se existem roupas complicadas de se passar, levamos à lavanderia ou contratamos uma diarista, ou perdemos horas e horas num domingo, suposto dia de descanso.

Gastamos muito dinheiro por causa do ferro de passar roupa. Usar roupa amassada diminui sua inteligência? Usar roupa amassada te deixa mais feio? Imaginamos num encontro: a roupa, que horas depois estará no chão de um motel toda abarrotada, precisa estar lisinha antes? Qual o sentido, já que o propósito é ficar pelado?

Protesto, enfim, contra o uso do ferro de passar roupas! Teremos mais tempo e dinheiro para aproveitar a vida, encontrar amigos, família, cachorro, sozinho, seja lá aonde.

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Ainda no tema, vou dar algumas dicas de sobrevivência aos mochileiros viajantes quanto ao que vestimos:

1- Toda roupa tem dois lados. Camisetas, meias, cuecas podem ser perfeitamente reaproveitadas numa viagem;

2- Se a temperatura está um pouco mais fria, evite blusas. É melhor um frio suportável e transpirar menos, do que colocar uma blusa e suar tanto a camiseta quanto a blusa;

3- Percebe-se roupa suja pelo cheiro mal. Use-as pela 3a, 4a. vez e não se preocupe: ou você está com nariz congestionado, ou a roupa está realmente utilizável;

4- Evite repetir a mesma roupa em dias seguidos. Roupas são que nem pessoas numa caminhada, numa subida: ela precisa parar, respirar, tomar um ar, para depois voltar à ativa;

4- Vai viajar? 10 dias ou 300 dias, a quantidade de roupas é a mesma;

5- Tenha diversos sacos de roupa suja, mas subdivida em muito sujas (sem condições de uso), sujas (No aperto, vai ela), pouco sujas (sem viadagem, vai até pra balada com ela), e utilizáveis (estão praticamente novas). Tudo isso porque roupas sujas são como batatas podres: elas passam, transmitem a podridão com muita rapidez;

6- Um bom desodorante  ocupa menos espaço e menos peso de que quatro ou cinco camisetas a mais.


O desequilibrado José Serra

05/09/2010

Atirando para todos os lados

Há cerca de três meses era o “homem da vez”, já pensava até em qual terno vestir no dia da posse, afinal, venceu internamente o, até então, mais forte concorrente ao Planalto: Aécio Neves.

Dotado de pouca simpatia, mas apoiado pela cúpula paulista após razoáveis trabalhos na prefeitura e governo, venceu a queda de braço contra um dos mais carismáticos (inclui-se, também, “pegador”) políticos brasileiros, então o partido rachou.

Serra, analisando as primeiras pesquisas, nem se importou com a recusa de Aécio para ser vice, mas a ausência do mineiro na chapa ajudou a derrocada tucana.

Mesmo assim, estava tranquilo, soberbo, pois a margem para Dilma era gigantesca. Era. Sucessiveis erros de seus marketeiros resultaram numa das mais vexatórias campanhas de um político, rasgando dezenas de milhões de reais.

Com medo de enfrentar Lula, Serra tentou preservar a popularidade do presidente, e o tiro saiu pela culatra: foi determinante para a evolução da Dilma. Covardia ou amadorismo, o PSDB foi fraco em criticar os erros do presidente e promessas dele não realizadas, tais como a reforma tributária.

Serra deixou Lula tão alto, intocável, que bastou o presidente lembrar o povo que a Dilma é sua sucessora, e o gráfico inverteu em uma velocidade assustadora.

Lula sempre foi um pregador. Como um sacerdote, ele diz o que o povo quer escutar (e acreditar). O povo não quer saber de reforma tributária e balança comercial. O povo quer saber de ter um prato de comida todo dia, e nisso o Lula tem uma habilidade inquesionável ao se comunicar com a massa.

O presidente sabe ser povo

Poderia ser qualquer candidato, Lula o colocaria na presidência. Dilma, que está muito longe de ter simpatia, se apoiou no “populismo centralizador” de Lula. Bastou à ela subir no mesmo palanque dele, e foi o que ela fez.

E Serra continuou dando tiros e mais tiros no próprio pé ao proteger Lula. Serra só deu atenção aos índices de aprovação, e não para o povo. Se Serra tivesse uma postura mais humilde e fosse ao sertão, às áreas carentes, miseráveis e perigosas do Brasil, e fizesse críticas ao governo e ao pouco que oferece à população, certamente teria índices melhores.

Mas Serra foi às indústrias falar com empresários, outro erro boçal, ao invés de falar com o povo. Serra esqueceu que o voto do pobre tem o mesmo peso do rico, e caiu no conto de fadas de seus marketeiros quando foi atrás do dinheiro primeiro, e não atrás dos votos.

Vendo até as chances de ir para o segundo turno escaparem, demonstrou seu desequilíbrio ao fazer duras críticas ao PT: “isso é coisa do PT” deve ser o que mais fala atualmente. Ora, e por que só agora?

Então apareceram violações ao sigilo disso, daquilo, dossiê, declaração da Refeita Federal, procurações faltas, etc., nas últimas semanas, quando a vaca está quase no brejo. Estranho aparecerem só agora tais acusações.

Serra parece uma criança que não sabe brincar: quando vencia, ficava todo eufórico. Bastou perder e agora quer levar a bola para casa e acabar com a brincadeira, chutar o balde.

O fracasso de Serra nas eleições mostrou várias verdades:

1- O povo idolatra Lula como se fosse um pop-star. De fato, é uma estrela popular.

2- O medo que Serra tem de enfrentá-lo demonstrou, também, medo para governar e enfrentar problemas. Era tudo que o PT queria.

3- Carisma não decide uma eleição, mas diria que é fundamental para um político de sucesso: Aécio tem de sobras, sabe sorrir, sabe falar a língua do povo e ele teria melhores condições de vencer.

4- Deve-se conversar com empresários depois que falar com o povo. Cada voto tem o mesmo peso. Convença primeiro o povo. Ricos precisam aprender à subir no morro.

5- A arrogância de certos paulistas causa aversão no resto do Brasil. Influência econômica está longe, cada vez mais longe, de influência política. Dá orgulho saber da importância paulista na economia brasileira, mas muitos falam em tons de prepotência e esquecem que todos (paulistas, nordestinos, mineiros, etc.) estão no mesmo barco.


Aplicando “Arte da Guerra” na cozinha

01/09/2010

(Manual de sobrevivência do viajante – Alimentação)

Manolo e Antônia proporam 400 francos por mês a mais no aluguel e as geladeiras e a despensa estariam liberadas para eu comer o que quiser.

Não é uma simples despensa: eles devem esperar alguma guerra, invasão alienígena, 2012, sei lá o que mais pois é muita comida que eles guardam aqui.

Lógico que a fome deles é um pouco maior que a minha. Quer dizer, bem maior, mas não titubiei em agradecer tal oferta, mas vou recusar.  Primeiro porque não tenho essa grana para gastar com comida. E depois vem a questão da necessidade e estética: não preciso comer tanto e não quero virar um gordinho simpático.

Já estou quase careca, se ficar gordo, aí só a loteria me salvaria para arrumar mulher!

Antonia é um amor de pessoa, muito do bem, toda sorridente, mas falei para ela que vou tentar me manter sozinho para ver quanto gastarei por dia, então fui ao mercado com a ideia de não gastar mais de 20 francos e sobreviver 5 dias, até hoje.

Gastei 16. Meta cumprida: comprei 1,5 de leite, manteiga, 3 latas de atum, macarrão (aquele que fica lá embaixo na gôndola, dificil de pegar, sempre é o mais barato), uma caixa de nuggets de peixe, molho de tomate, maionese e pão. Tudo do preço mais barato, óbvio.

Luxo: uma latinha de champignon (da marca mais barata).

Ótimo, agora é viver assim: de manhã são 3 goles de leite, 2 fatias de pão com manteiga. Vou para faculdade com 3 sanduíches de patê de atum, e a noite faço um macarrão e nuggets no forno.

Ficou um clima um pouco chato na hora de trazer a comida pois na casa, ao que me parece, sou o primeiro a decidir pela própria comida. Mas nada que uma conversa, outros assuntos não resolvam, e Manolo e Antonia são pessoas bem legais, então aqui vem o manual de guerrilha do viajante.

Veja meu espaço na geladeira. É minúsculo, o freezer horizontal está lotado, outra geladeira abarrotada, só sobrou, mesmo, tal espaço. Nem na porta tenho.

Mas nada de reclamar, vamos aplicar “Arte da Guerra” e outros livros de estratégia para melhorar minha condição, mas sem criar atritos com meus flatmates.

A tática é simples, usada já em muitas guerras pelo mundo: se algum combatente seu morreu, não deixe o inimigo saber. Seu soldado morto é muito útil ainda pois, além de atrair a atenção do adversário, ele poderá servir de barricada, escudo!

A zona vermelha na foto é minha área inicial. O leite é meu soldado morto: já está quase no osso, mas não vou jogá-lo no lixo antes de aumentar meu território, então mostro a necessidade por mais espaço, e assim conquistei a área azul.

É simples, é silenciosa e intimida/sensibiliza o inimigo.

Tal tática pode ser usada em vários assuntos, até em escritórios: Se você for para uma reunião com o chefe, nunca vá só com caderninho e caneta. Leve mais alguma pasta. Se você for na copa beber um café, nunca vá de mãos abanando: leve uma pasta.

Se a reunião for externa, for de conciliação (estresse entre advogados!!), nunca vá em menor número: leve um estagiário, amigo que resgatou no boteco, etc, enfia na mão dele algumas pastas, fala para ele ir com cara de sério.

Sim, o seu estagiário e o bêbado do seu amigo, nesses casos, são as mesmas coisas que os soldados mortos e a caixa de leite vazia: não servem para nada além de fazer número!! hahah 🙂

Essas coisas aumentam seu espaço físico, faz o adversário perder tempo/atenção, então você pode concentrar suas forças só para atacar, já que o inimigo vai se defender no primeiro momento.

Au Revoir!