Uma criança de 100 anos

Sport Club Corinthians Paulista.

Quando se falar do Corinthians, esqueça teorias, esqueça ciência exata, esqueça tudo que diz respeito à logica. Esqueça, não precisa abrir nenhum livro, google, nada disso. Abra apenas o coração.

Corinthians, desde sua fundação, é feito de amor. Amor passional, amor impossível, platônico, irracional, amor que cega, que nos faz voar, que nos permite saborear a vida.

Bom Retiro, há 100 anos, colocaram o primeiro tijolo de amor. Sim, é um clube de operários, não no sentido simbólico da função, mas sim no sentido do verbo “operar” para realizar, viver de construir.

E quem não opera nesta vida? Somos todos peões! Corintianos que arregaçam as mangas, que transpiram, que movem, que mudam, que realizam.

Sim, também somos os peões sem cultura, sem dentes e sem emprego que as torcidas rivais tentam vender tal imagem. E quer saber? Que sejamos assim também, vira-latas que lutam por sua comida, sua sobrevivência. É assim que construímos nossa história, é a rua que nos deu força e a nossa garra. Nascidos para lutar.

Surgimos das ruas. A rua de botecos, de carnes loucas, pinga e pernil, é na rua violenta, perigosa, chuvosa que percorreremos, afinal não nos afugentamos, não nos escondemos. Se o sol não vier, não tem importância, a festa na favela será a mesma.

Somos pretos e pobres, retirantes e mendigos. Boêmios, vivemos! Assim somos nós quando entramos no Pacaembú. No caminho, deixamos  nossos ternos de magistrados e empresários, ou ternos dos, talvez, seus seguranças e nos juntamos vestidos de branco e preto.

Não importa quem, somos todos desdentados sem saber a concordância das palavras, e estaremos todos lá: o dono do cimento ao pedreiro, do ladrão ao juiz, do baleado ao cirurgião, do poeta ao analfabeto, do fazendeiro ao peão.

Somos todos iguais, somos feitos de emoção porque nos permitimos abrir o coração. Somos jovens, somos sonhadores, vivemos nosso mundo e carregamos este clube.

Nós não somos torcida. Termo, este, muito limitado para o Corinthians. Nós somos um povo espalhado pelo mundo. Nosso território é a nossa carne. O mar: nosso sangue; a lei: nosso grito.

Convocamo-nos não para guerra. É apenas futebol. Apenas gostamos de tal esporte, e gostar é muito aquém ao amar. Nosso amor é o Corinthians!

É por ele que vivemos, é por ele, porque nós somos o Corinthians. Não são os onze lá embaixo, não são as conquistas, campeonatos, vitórias. O Corinthians somos nós.

Corinthians é um sentimento que resume tantos outros: amor, paixão, tesão, alegria, felicidade. Sinceridade, a transparência e luta de milhões de jovens ao longo dos cem anos.

Parabéns pelos 100 anos. É pouco, Corinthians é uma criança. Não tem relógio, calendário nem tempo para explicar o que é Corinthians porque amor não se mede, amor não se explica, apenas sente.

E Corinthians é eterno.

Parabéns para o Corinthians! Parabéns para nós!

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One Response to Uma criança de 100 anos

  1. Flavio "Bodao" disse:

    Lobisa, malandro… parabens pelas palavras!!! Tamo junto hj e sempre porra!!! Estaremos sempre representando nas arquibancadas uma nação inteira, brigando, lutando, matando se necessário!!! mas jamais se entregando!!! abraços e fique com Deus.

    PELO CORINTHIANS. SEMPRE! CONTRA TODOS!!! L.H.P.

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