Uma criança de 100 anos

31/08/2010

Sport Club Corinthians Paulista.

Quando se falar do Corinthians, esqueça teorias, esqueça ciência exata, esqueça tudo que diz respeito à logica. Esqueça, não precisa abrir nenhum livro, google, nada disso. Abra apenas o coração.

Corinthians, desde sua fundação, é feito de amor. Amor passional, amor impossível, platônico, irracional, amor que cega, que nos faz voar, que nos permite saborear a vida.

Bom Retiro, há 100 anos, colocaram o primeiro tijolo de amor. Sim, é um clube de operários, não no sentido simbólico da função, mas sim no sentido do verbo “operar” para realizar, viver de construir.

E quem não opera nesta vida? Somos todos peões! Corintianos que arregaçam as mangas, que transpiram, que movem, que mudam, que realizam.

Sim, também somos os peões sem cultura, sem dentes e sem emprego que as torcidas rivais tentam vender tal imagem. E quer saber? Que sejamos assim também, vira-latas que lutam por sua comida, sua sobrevivência. É assim que construímos nossa história, é a rua que nos deu força e a nossa garra. Nascidos para lutar.

Surgimos das ruas. A rua de botecos, de carnes loucas, pinga e pernil, é na rua violenta, perigosa, chuvosa que percorreremos, afinal não nos afugentamos, não nos escondemos. Se o sol não vier, não tem importância, a festa na favela será a mesma.

Somos pretos e pobres, retirantes e mendigos. Boêmios, vivemos! Assim somos nós quando entramos no Pacaembú. No caminho, deixamos  nossos ternos de magistrados e empresários, ou ternos dos, talvez, seus seguranças e nos juntamos vestidos de branco e preto.

Não importa quem, somos todos desdentados sem saber a concordância das palavras, e estaremos todos lá: o dono do cimento ao pedreiro, do ladrão ao juiz, do baleado ao cirurgião, do poeta ao analfabeto, do fazendeiro ao peão.

Somos todos iguais, somos feitos de emoção porque nos permitimos abrir o coração. Somos jovens, somos sonhadores, vivemos nosso mundo e carregamos este clube.

Nós não somos torcida. Termo, este, muito limitado para o Corinthians. Nós somos um povo espalhado pelo mundo. Nosso território é a nossa carne. O mar: nosso sangue; a lei: nosso grito.

Convocamo-nos não para guerra. É apenas futebol. Apenas gostamos de tal esporte, e gostar é muito aquém ao amar. Nosso amor é o Corinthians!

É por ele que vivemos, é por ele, porque nós somos o Corinthians. Não são os onze lá embaixo, não são as conquistas, campeonatos, vitórias. O Corinthians somos nós.

Corinthians é um sentimento que resume tantos outros: amor, paixão, tesão, alegria, felicidade. Sinceridade, a transparência e luta de milhões de jovens ao longo dos cem anos.

Parabéns pelos 100 anos. É pouco, Corinthians é uma criança. Não tem relógio, calendário nem tempo para explicar o que é Corinthians porque amor não se mede, amor não se explica, apenas sente.

E Corinthians é eterno.

Parabéns para o Corinthians! Parabéns para nós!

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Primeiros dias

30/08/2010

As primeiras pegadas em solo europeu têm sido bastante satisfatórias. Lógico que está dentro de mim a necessidade de passar apuros, perrengues e outras dificuldades.

Tudo começou no check-in em Guarulhos pois me deixaram na última fileira ao lado da cozinha e dos banheiros. Ora, o resultado disso é óbvio: duríssima viagem, sem dormir, era barulho das aeromoças (pra ser simpático, afinal estavam mais para aerovelhas) e, principalmente, vozes e odores desagradáveis do banheiro. No avião havia um grupo de velhinhas do interior de SP que fariam uma excurção na Europa, e lá se vão horas de papo delas.

Era fila pra mijar, fila pra escovar dentes, fila para fazer um xixizinho antes de aterrizar, fila para tudo ao meu lado!!

Ao meu lado esquerdo, uma estudante de doutorado, Geovana, que vai para Santiago de Compostela para o segundo semestre. Gente fina, logo perguntei: “o que você pensou logo quando aterrizou na Espanha?”. O óbvio, ela disse um “fudeu” ao desembarcar no semestre anterior, mas disse que, com o passar do tempo, as coisas vão se ajeitando. Assim espero.

Em Madrid, troca rápida de vôo, com destino ao meu primeiro “ferrou” em francês. Minto, não é o primeiro, e sim segundo, aqui abro um parenteses:

(Em 2005, quando fui morar na Inglaterra, a Air France fez questão de perder minha mala, justo a mala que tinha toalha, escova e pasta de dente, xampu, etc etc. Não tinha hospedagem, não tinha endereço para mandarem a mala, início de férias europeias, enfim, foi uma zica muito grande até achar um hotel Formula 1 para eles mandarem a mala).

Depois do sufoco de Paris, todas as minhas malas estão com toalha e frescuretes de higiene,  além de roupa para pelo menos 3 dias. Então percebo que os deuses francófonos gostam de me atazanar: desta vez, nova mala perdida, desta vez, culpa da Iberia.

Perder a mala é igual a ser o último a baixar as cartas do jogo de burro (porco, sei lá o nome que vocês costumam jogar). Na esteira, todos vão pegando suas malas e indo embora, vão ficando poucos, cada vez menos pessoas, até que você fala pra você mesmo: fudeu, minha mala! O mico sobrou na minha mão.

Ai ai ai… daí você precisa respirar fundo e erguer a cabeça porque sempre terá alguém que buscará seu olhar para, em pensamento, ambos falarem: “estamos fodidos”.  Perder mala é assim mesmo, nunca você estará sozinho, apesar que, mesmo tendo a solidariedade de alguém, isso não ajuda em nada.

Então, já em Genebra, fui lá para o setor de malas perdidas. Descrevi a dita cuja, dei o endereço que estou, e fui embora. Nessas horas, é preciso também buscar algo para compensar: era a mala mais pesada, e pra carregar quase 30 quilos ia ser complicado. Só ficou a apreensão por causa da cachaça e dos livros que estavam dentro.

Saindo do aeroporto, encontro Henrique, um cara gente fina que vem me ajudando, trocando várias dúvidas sobre a cidade, já que ele também chegou faz pouco tempo. Pegamos o trem, depois o bonde elétrico, até chegar na casa da Dona Antonia.

O apartamento que estou moram: Antonia e Manolo (um casal da Galícia, Espanha), que viram meu anúncio no site da Unige e falaram: aqui já mora um brasileiro e gosto muito dos brasileiros. Então vamos para sua casa, oras. O outro flatmate, Eduardo, é de Salvador.

Todos são muito gente fina, pessoas extremamente agradáveis. Contei brevemente sobre a mala perdida, então me apresentou o famigerado quarto: Uau!! É um pedaço da sala, fizeram uma parede de gesso, mais fina que papelão. E o melhor: não tem janela!!  Que beleza, Marcião, mais um quarto maravilhoso para os primeiros dias.

Respirei fundo (pensei no “que merda”) e mentalizei (não vou chorar, e sim dar risada!!), afinal, já passei por situações muito mais complicadas quando fui para Hong Kong e Birmingham.

Manolo e Antonia são dois gordinhos simpaticíssimos que adoram… comer! É muita comida, não páram de comer, o almoço deles equivale à uma semana de refeição pra mim.  Logo no dia, muito gentis, falou para eu sentar à mesa e foram mandando bala no meu prato: “Coma Marcio!  Coma Marcio”.  Daí bebia um pouco d’água, e já enchiam meu copo: “beba Marcio, beba Marcio!”.  Eu saí rolando, e não tive nenhum revertério do “rabo de touro”, prato do dia.

Sim, já cheguei na Suíça comendo o rabo do touro. Mesmo evitando comidas carnívoras, uma coisa que não faço é recusar/rejeitar a comida do anfitrião. Eles não me conhecem e, ainda mais com Antonia e Manolo, seria muito chato, decepcionante para eles e, além do mais, estava faminto!

No outro dia, bem cedo, fui caminhar um pouco pela cidade. Comprei o bilhete mensal de transporte público (70 francos), e voltei pra casa para receber minha mala.

Quando chegou, a porcaria veio com roda quebrada. Eu reclamei em inglês com o entregador, que não falava nada e só entendi que era para ligar no serviço de reclamação. Cara de ser um marroquino, argelino, melhor não provocá-lo para uma mini-Jihad. Liguei, pois, para cia. aérea, e depois de inúmeras tentativas e músicas de espera, um indiano do telemarketing da Ibéria me disse que a política da empresa não se responsabiliza por danos nas rodas ou puxadores da mala.

Insisti, disse que entreguei a mala em perfeitas condições em Guarulhos, falei que além de perderem a mala, ela veio quebrada, mas o coitado do indiano só dizia “sorry”, não posso fazer nada para você: são políticas da empresa.

Mandei um e-mail com fotos da roda para o serviço do Aeroporto de Genebra, para Ibéria e para a agência de viagem.  Todos se esquivando em me ajudar.

Ibéria, só pra constar: vai se fuder!

Minha mala foi usada apenas em 2 outras viagens. Nunca aconteceu nada comigo, nem quando a Air France perdeu. Nunca pedi nada, mas para quem paga mil dólares de passagem, o mínimo que espera é encontrar suas coisas da mesma forma que deu à cia. aérea.  Ibéria, vai se fuder!

Não quero uma mala Luis Vitão, não quero ganhar dinheiro em cima de vocês. Só quero uma mala do mesmo valor e qualidade. Só isso.  Ibéria, você é decepcionante! Faço propaganda para não viajarem com essa cia. aérea. Vão de jegue, jumento, atravessam o oceano numa câmera de pneu (dúvida: é câmara ou câmera de pneu?!?) de caminhão, mas não vão com eles: a comida é horrível, aeromoças fofoqueiras e banheiros fedorentos. Ah, eles perdem sua mala, quebram, e dizem que, se quebrarem a rodinha, é política da empresa.

Mas tudo bem, nada que uma respiração calma e muita água não resolvam. Ah, nem ferrando, bebo a água e respiro depois!! Quero minha mala!! Estou encaminhando o mesmo e-mail todo dia. Se alguém em São Paulo ou qualquer outro lugar puder me ajudar a resolver tal problema, falem comigo. Até lá, Ibéria, vai tomar no c*! (fui mais educado, agora).

Ah, mas falemos da cidade!! Ela é linda, organizada, transporte público para todos os lados, ciclistas dentro da sua faixa de circulação, que inclui até semáforo!!, e os carros de bacana, bancos de bacana, relojoarias de bacana, etc etc… E penso: pqp, o que estou fazendo aqui!! Nascido no Largo Treze, luxuoso bairro paulistano, vim parar num dos principais paraísos fiscais do mundo.

O lago que banha a cidade é maravilhoso, uma vista excepcional, montanhas circulam a cidade formando uma enorme muralha. Calor, por enquanto, na faixa dos 20 graus. Mas logo a temperatura vai baixar e as montanhas, verdes, ganharão tons brancos.

Até lá, muitas pegadas virão.


A Guarapiranga do futuro! Quando?

29/08/2010

(Genebra, Suíça) – 3 dias não são suficientes para conhecer um bairro, o que dirá de uma cidade. Mas é inevitável, nos primeiros dias, as comparações quando se está vendo novidades.

Inevitável, também, é não pensar na Guarapiranga quando se vê a cidade de Genebra, na Suíça. Calma! Não estou aqui para humilhar a represa paulistana. Tentarei, ao menos, motivar discussões e brainstorms entre todos que querem a Guarapiranga viva.

Antes de mais nada, conheço a represa de São Paulo muito bem desde quando praticava esportes à vela e posso dizer: ela é linda! Muitos, milhares, pensam que a represa é um esgoto aberto, como são os rios que cortam a cidade.  Mas não, ela está longe de ter a água podre das marginais, no entanto, infelizmente, está distante de ter águas limpas. Ela precisa que cuidem e a respeitem, só isso.

O potencial que a Guarapiranga tem para ser um excelente local para prática de esportes náuticos e lazer para toda população paulista é imensa: São Paulo tem o décimo maior PIB entre todas as cidades do mundo, dinheiro não falta. O que falta é vontade política e uma consciência coletiva para, quem sabe, ela ficar assim:

No momento que tirei essa foto do Lago Genebra limpo, lindo, pensei: São Paulo poderia ter um espaço semelhante, basta um gramadão, uma calçada, cestos de lixo, bancos, árvores.  Basta poucos funcionários para limpeza e conservação.

A atual prefeitura paulistana está investindo, mas é muito pouco e com muita lentidão pois ainda sobrevivem motéis e casas noturnas, restaurantes, etc. que escondem entradas dos poucos espaços de lazer da represa. Todo o comércio e propriedade privada que rodeia a represa deve sair, afinal, interesse coletivo sempre prevalece diante do interesse privado!

Faltam espaços de lazer em São Paulo, e os poucos espaços estão com superlotação nos finais de semana: é estresse para procurar uma porcaria de vaga na rua (com flanelinha pedinte, óbvio), é estresse para correr, e mais ainda para pedalar, achar um pedaço de grama para sentar, descansar.

São Paulo precisa, urgentemente, descentralizar o uso do Parque do Ibirapuera e Villa-Lobos e investir em outros locais, assim evitará grandes deslocamentos de pessoas, que é o principal problema da cidade.

Não basta o trânsito diário dos dias de trabalho, é necessário ainda passar nervoso aos sábados e domingos!  Até quando?


A ditadura do voto obrigatório

23/08/2010

Em anos eleitorais todos os meios de comunicação são, obrigatoriamente, invadidos por propagandas eleitorais gratuitas. Cada partido, conforme sua representatividade, tem lá seu espaço para divulgar as propostas dos seus candidatos.

E, infelizmente, nosso espaço é invadido por ex-celebridades que vão tentar reaparecer na mídia, sair do ostracismo. São pessoas que não se contentam em aparecer esporadicamente na Luciana Gimenez ou em outros lixos programas similares.

Vejamos alguns ridículos candidatos:

Muita gente acha engraçado ver o Tiririca dizer que pior não fica se votarem nele. Engraçado seria, se não fosse trágico.

São candidatos direcionam sua campanha para atingir, principalmente, as classes C e D, e outras pessoas que não tiveram acesso à uma educação de qualidade, pessoas que mal foram alfabetizadas e que não se interessam por notícias de governos, de políticos, etc.

Com isso, surgem pilantras espertos candidatos que buscam voto a partir da sua popularidade, seja por causa de uma bunda, por causa de uma piada, por causa de um gol, etc. Alguns destes já ganharam muito dinheiro na vida, mas perderam porque não tiveram capacidade de administrar a fama.

O que a maioria dos eleitores só sabem é que são obrigados a votar, senão levarão uma multa. O coitado já vive mal, sobrevive em meio a tiroteios, inundações, leva horas e horas em deslocamento dentro de ônibus lotados em avenidas congestionadas, impossibilitando tempo para estudar, para crescer na vida e, quando chegam as eleições, falsos políticos os consideram como cidadãos, pregam a importância do voto em propagandas exigindo um voto consciente de uma consciência que não está preparada para votar.

Então, essas dezenas de milhões de brasileiros que vivem sem acesso à cultura, à informação, à uma vida digna, são convocados, intimados ao voto. Um voto que eles sabem que não fazem merda nenhuma de diferença na vida deles, um voto a mais em uma vida de menos.

Só que (aí inclui-se todas as classes sociais) a maioria não sabe é o valor da verba de um gabinete de um deputado federal, por exemplo, que esses malandros querem receber: todo mês, cada gabinete recebe mais de 120 mil reais por mês, entre salários, auxílios, para uma pequena equipe (escolhida pelo eleito). Em quatro anos, serão mais de R$ 6.300.000,00 para uma imbecil rebolar a bunda representar o povo.

Está mais que claro que, quando o governo obriga todo cidadão com mais de 18 anos ao voto, é vantajoso ao processo eleitoral ter eleitores desinteressados em política para conquistar um número maior de votos. E, sentindo-se obrigados, tais eleitores estão pouco se fodendo importando quem irá pra Brasília, então vão votar em quem é mais bonitinho, mais engraçadinho, quem promete construir bomba atômica, aerotrem, etc.

Não é do interesse do governo (qualquer que seja o partido no poder) ter eleições facultativas, pois todos sabem que será uma minoria que votará, e o resto da população quer mesmo é aproveitar o domingo para fazer um churrasco, um pagode, ir para praia.

No entanto, se o voto for facultativo, idiotas como do vídeo acima terão seu espaço reduzido nas campanhas, as propagandas eleitorais abordarão com mais profundidade os temas de relevância para toda sociedade.

É clara a ditadura do voto obrigatório. Ela estimula a ignorância e o repúdio ao processo eleitoral. A população não tem a obrigação de conhecer política, e no mesmo barco estão todos: há muitos riquinhos que estão cagando e andando para quem vai governar, e há muita gente na periferia/interior/sertão/etc. que quer só tomar sua cervejinha em paz, e assim é feliz.

A população não deve ser intimada ao voto, ao comparecimento na zona eleitoral, com a ameaça de uma multa e possibilidade de cancelarem o CPF, etc.

Sejamos livres para decidir, e também para não decidir, quais serão os representantes. Isso sim é a real democracia.


Primeiro passo

22/08/2010

Olá, tudo bem? Meu nome é Marcio Vieira e abri o blog “Pegadas da Marcha” para divulgar diversos temas, dos quais muitos ficam limitados às rodas de amigos e mesas de bar.

Os assuntos?  Ah, serão ilimitados, de política à culinária, de viagens à economia, de leis à religião, passando por esportes, preservação ambiental e humor.  Será aqui, também, meu cantinho para contar minhas andanças, minhas pegadas.

O motivo do nome: não só as minhas pegadas serão publicadas, mas de todos que marcham, trilhando uma direção única: o bem! A crença por um ideal, o desenvolvimento de ideias em conjunto, estimular a consciência sobre os reflexos de nossos atos, promover a miscigenação e a harmonia entre culturas e indivíduos.

Cada gesto, cada pensamento, cada ato, cada pegada deve ser registrada para não cair no esquecimento, afinal, o caminho é longo.

Sejam todos bem-vindos!!

Marchemos!!